Collector's Room: entrevista com a Against Tolerance

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collector's Room
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Batemos um papo com Decio Thomas, vocalista e guitarrista da banda paulista Against Tolerance, uma das mais originais da atual cena metal brasileira. Confira a nossa conversa, e aproveite também para conhecer o som do grupo, pois vale muito a pena.

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Pra começar, como a banda surgiu?

Decio Thomas: A banda surgiu em 2008, com uma proposta de fazer um som diferente e com uma abordagem política consistente. Nunca foi nosso objetivo falar coisa óbvias do estilo "o sistema é corrupto", "os que tem menos sofrem". Isso é um tipo de mensagem que não diz nada e, se diz, é muito pouco. Tentamos elaborar em nossas letras maneiras diferentes das pessoas adquirirem um pensamento crítico.

O nome do grupo tem algum significado específico?

DT: Sim. Apesar de parecer um nome "neonazi" à primeira vista, não é nada disso. Pensamos que a categoria tolerância é inadequada para se julgar criticamente a realidade. Em outras palavras, uma mulher quer ser tolerada? Não. Ela quer ter os mesmos direitos, mesmas oportunidades, etc. É nesse sentido que somos contra a tolerância.

Essa formação está junta há quanto tempo?

DT: Há dois anos e alguns meses, e é a única formação que a banda teve até hoje!

Quando vocês começaram a tocar juntos, que tipo de som queriam fazer?

DT: Um som que misturasse tudo com metal. Claro, lixos como axé, lambada ou sertanejo universitário não entram na equação. Mas somos abertos a diversos tipos de influências além do metal.

Então, quais são as principais influências do Against Tolerance?

DT: Vou citar algumas: Led Zeppelin, Miles Davis, Alban Berg, Schoenberg, Beethoven, Radiohead, NOFX, Dream Theather, Van Halen, Killswitch Engage, Marduk, Dave Brubeck, Behemoth, As I Lay Dying, Blind Witness, Tom Jobim, Unearth, The Black Dahlia Murder, Between the Buried and Me, Opeth, entre muitas outras.

O que chama a atenção em Undefined é a avalanche de referências sonoras, uma música que transita sem cerimônia pelos mais variados gêneros do metal. Como surgiu esse direcionamento?

DT: Na verdade foi completamente intencional. Como disse, tentamos misturar tudo que achamos interessante. Nunca quisermos fazer um som que fosse óbvio. Aliás, nosso próximo álbum terá a mesmo direcionamento.

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Gostei do álbum, mas os diferentes caminhos sonoros seguidos em cada faixa me passaram a sensação de que o Against Tolerance ainda não tem uma identidade definida. Como você definiria o som da banda?

DT: Acho complicado questionar a identidade. Algumas pessoas nos falaram que somos indefiníveis, sem uma personalidade própria. Outras já disseram justamente por misturarmos muitas coisas, temos uma personalidade única. Com respeito a isso, não pensamos em "como construir uma identidade própria", mas sim como fazer um tipo de música que nos agrade. Dessa maneira, gostamos de definir o som da banda como metal / experimental.

Algumas faixas de Undefined trazem vocais limpos contrastando com o gutural. Vocês pretendem explorar mais essa característica no futuro?

DT: Com certeza. Isso sempre nos acompanhará.

A produção de Andria Busic deixou o disco muito pesado e com uma cara bem atual. Porque vocês optaram por produzir o álbum com ele? E qual foi a contribuição de Andria para o álbum?

DT: O Andria nos foi apresentado pelo Ivan Busic, irmão dele. O processo de gravação foi muito bom e tranquilo, sem pressões - o que refletiu no resultado final. Com certeza, sem esse ambiente e a ajuda do Andria, não teríamos conseguido deixar o álbum como está. Não posso deixar de citar aqui, uma vez que estamos falando sobre a gravação, do trabalho do Heros Trench, do Korzus, que fez um trabalho sensacional na mixagem e na masterização.

A capa de Undefined foi feita por Gustavo Sazes, artista brasileiro respeitado em todo o mundo. O que ela significa?

DT: Essa pergunta não responderemos! Lendo as letras o sentido da capa será descoberto. Deixamos aqui uma interrogação.

Chama a atenção o fato de que o disco foi lançado pela Laser Company, que todos nós sabemos ser um dos selos mais fortes do mercado metal brasileiro. Eles foram até vocês? Como se deu isso?

DT: A Laser nos ajudou pois, ao apresentarmos o trabalho a eles com uma proposta diferente, eles acharam muito interessante a proposta e decidiram investir na banda. Estamos muito felizes com essa parceria e esperamos que ela se estenda para o próximo álbum também.

Como tem sido a recepção do álbum?

DT: Tanto por parte do público quanto por parte da crítica, está sendo muito boa. Estamos bem contentes com o resultado!

Há planos de uma turnê pelo Brasil promovendo Undefined? E no exterior, como estão as coisas? O disco chegou a sair lá fora?

DT: No Brasil estamos toda hora tentando tocar em várias partes do país, mas dependemos também de contratantes. Temos planos para tocar em outras regiões também. Quanto ao exterior, nós tivemos (e continuamos tendo) uma boa recepção, mas não conseguimos ainda nenhuma gravadora interessada em levar o disco para fora.

O que você tem ouvido atualmente?

DT: Estou ouvindo alguns compositores contemporâneos de música clássica, como Penderecki, Karlheinz Stockenhausen e Georg Ligeti. Também estou ouvindo bastante Between The Buried And Me e algumas coisas variadas de jazz.

Se vocês pudessem escolher uma banda para dividir o palco com o Against Tolerance, qual seria?

DT: Muitas! Mas Killswitch Engage,As I Lay Dying e Metallica com certeza.

Pra onde irá o som do Against Tolerance no futuro? Já há planos de um novo álbum?

DT: Já temos planos para o novo álbum com algumas composições já encaminhadas. Com certeza o álbum será diferente desse primeiro, expandindo para muitos outros lugares, mas sem perder peso e agressividade.

Obrigado pelo papo, e sucesso para a banda.

DT: Gostaria de agradecer pelo espaço e oportunidade! Quem quiser baixar e conhecer nosso som: www.againsttolerance.com




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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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