Metallica: "Hesher", filme inspirado em Cliff Burton
Por Alexandre Caetano
Fonte: Artigos sobre filmes
Postado em 28 de setembro de 2011
A influência do METALLICA no filme do diretor Spencer Susser pode ser notada de forma imediata pelas letras que consagraram o logotipo da banda e foram usadas também para o nome do filme. Além disso, várias músicas da banda, que foi uma das precursoras do thrash metal, formam a trilha sonora do filme o que é raro, já que os integrantes do METALLICA não costumam autorizar o uso de suas músicas. O que faz deste filme uma exceção é que o personagem Hesher (Joseph Gordon-Levitt) foi inspirado em Cliff Burton, o genial baixista que morreu em um acidente com o ônibus da banda em 1986, e a encenação realmente lembra o músico.
O roteiro transita entre drama e comédia para mostrar o inusitado encontro do pequeno TJ (Devin Brochu), que acabou de perder a mãe, com Hesher, que entra na vida do garoto por acaso e se recusa a deixá-lo em paz – quase como um Bartleby, de Herman Melville – mas apesar de não se encaixar na realidade na qual se encontra, assim como o personagem da literatura, Hesher não se aquieta e reage, ora com violência, ora com discursos recheados de metáforas vulgares, portanto cômicas, para ilustrar situações sérias.
Com o desenrolar das histórias dos dois personagens é possível notar certa relação entre o estilo de vida de ambos, sendo que a forma com que Hesher trata TJ, muitas vezes parecendo mais com desdém do que com amizade, indica a forma com que provavelmente foi tratado e se habituou, ou seja, sempre sozinho, sem poder contar com outras pessoas e com uma necessidade latente de encarar as dificuldades da vida. Sem escrúpulos Hesher parece ter a personalidade imbatível, sendo que não há situação ruim que um pouco de adrenalina não resolva – e quem acompanhou alguns relatos sobre a cena thrash metal do início dos anos 80 sabe como costumavam ficar os camarins das bandas, formadas por jovens como o personagem.
Um indivíduo como Hesher não passa a agir de forma agressiva sem motivos e o filme de Susser é uma proposta interessante para ver dois períodos da vida de um estereótipo em momentos diferentes, pois uma das interpretações possíveis é que TJ é um Hesher em formação. Em um extremo o garoto acabou de perder a mãe e como se isso já não fosse bem difícil ainda tem que lidar com a hostilidade na escola, as atitudes patéticas de seu pai (Rainn Wilson), que de todas as maneiras de lidar com a súbita perda da esposa parece escolher sempre as piores, e o amor platônico que cria por Nicole (Natalie Portman), sendo que a atração de TJ pela moça pode ser explicada muito mais por uma espécie de Édipo, com o garoto vendo na moça que o defendeu a figura da mãe que ele teve que abandonar, mais do que propriamente uma atração pelo feminino.
Em meio a todas essas dificuldades o outro extremo é Hesher, que pela convivência acaba servindo de modelo para o garoto. A forma rude de resolver os problemas e os discursos, nos quais a discrepância entre forma e conteúdo pode desagradar a quem assiste, passam a influenciar TJ em suas atitudes. O garoto também é forçado por Hesher a enfrentar seus medos e sua timidez, como talvez o controverso personagem também tenha sido forçado. Indiretamente TJ é instruído a valorizar sua família e isso indica que Hesher dá valor ao que não teve, sobretudo com os divertidos diálogos entre o cabeludo, coberto com tatuagens caseiras bem toscas, e a avó de TJ. Em mais uma referência a Cliff Burton, o diretor coloca a música "Anesthesia", em off, tocada por Hesher. Poucos além do lendário baixista poderiam compor um solo tão elaborado ainda no começo da carreira, o que aproxima o personagem do músico e é mais uma obra do METALLICA com a qual TJ entra em contato.
Hesher tem o mérito de trazer para as telas um protagonista cujo estilo de vida é muitas vezes até marginalizado, porém muito comum desde o início dos anos 80. Sem dúvida muitos se identificarão com o bom humor incompreendido, as insanidades e o lado obscuro do personagem, que não se encaixa em um mundo no qual realmente não vale a pena se encaixar. A maneira informal de Hesher é desprezada pelo que geralmente é formal e no mínimo risível, como as atitudes do pai de TJ diante dos problemas.
Difícil dizer se o jovem se tornará mais um Hesher quando crescer um pouco, mas se por um lado explosões de violência não são o melhor exemplo para o menino, por outro ele teve uma forte referência de vida intensa e de uma personalidade que não se resigna aos problemas, enfrentando todos ao invés de baixar a cabeça. Na atual época do "politicamente correto", na qual parece haver uma obsessão por afastar as crianças do que seria ruim, Hesher nos mostra que a essência dos problemas é mais complexa do que a dicotomia entre certo e errado.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior música do rock progressivo de todos os tempos, segundo Steve Lukather
13 shows internacionais de rock e metal no Brasil em dezembro de 2025
Steve Morse escolhe o maior guitarrista do mundo na atualidade
Guns N' Roses anuncia valores e início da venda de ingressos para turnê brasileira 2026
Nem Jimi Hendrix, nem Eric Clapton existiriam sem esse guitarrista, afirma John Mayer
Com nova turnê, Guns N' Roses quebrará marca de 50 apresentações no Brasil
John Bush não se arrepende de ter recusado proposta do Metallica
Os quatro clássicos pesados que já encheram o saco (mas merecem segunda chance)
Iron Savior anuncia "Awesome Anthems of the Galaxy", álbum de covers de hits dos anos 1980
A banda que foi "os Beatles" da geração de Seattle, segundo Eddie Vedder
A maior balada de heavy metal do século 21, segundo a Loudersound
Radiohead quebra recorde de público do Metallica em Londres
Bruce Dickinson relembra, com franqueza, quando foi abandonado pelos fãs
As cinco melhores bandas brasileiras da história, segundo Regis Tadeu
Jerry Cantrell afirma que há uma banda grunge que não lançou nenhuma música ruim

Poppy fala sobre Metallica, Judas Priest, Linkin Park, Amy Lee e perigos do TikTok
James Hetfield, do Metallica, diz que tem o melhor emprego do mundo
O selo de qualidade que o Metallica deu ao Scorpions, segundo Rudolf Schenker
James Hetfield revela como se sente sendo James Hetfield, do Metallica
A música do Metallica que deixou o veterano James Hetfield apreensivo
O solo carregado de emoção que Kirk Hammett gravou na base do improviso
James Hetfield deu o "sinal verde" para vocalista do Paradise Lost cortar o cabelo nos anos 90
Do Metallica ao Angra - passando por outras bandas -, um breve resumo do "Megadethverso"
SOAD: quando Shavo quase matou Brent Hinds em briga na MTV
Compridas: As músicas mais longas de grandes bandas


