Entre lendas, folclore e mitologia local, ucraniano Mørkt Tre entrega excelente black metal
Resenha - Карпатські Містерії - Mørkt Tre
Por Mário Pescada
Postado em 12 de agosto de 2026
Nota: 9 ![]()
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Apesar dos horrores da guerra contra a Rússia, conflito que já se arrasta por quatro anos e meio, ainda assim, a vida cotidiana encontra formas de seguir em frente da forma que pode na Ucrânia. Mesmo preso no meio desse caos, o Mørkt Tre encontrou inspiração para lançar um dos melhores discos de black metal desse ano, "Карпатські Містерії" (2026), seu quarto trabalho de estúdio.
A origem do grupo é Lviv, maior cidade do oeste da Ucrânia, conhecida como coração cultural do país e por ter preservado sua arquitetura histórica. A cidade também sofreu ataques de mísseis e drones russos, mas não tanto quanto as situadas ao leste e sul do país, por isso, acabou se tornando refúgio para centenas de milhares de migrantes ucranianos.
Para a criação e gravação do disco, seus membros se mudaram para a região dos Cárpatos, uma imensa cadeia de montanhas de 1.500 quilômetros de extensão que passa por Romênia, Ucrânia, Polônia, Eslováquia e República Checa, e que serve de abrigo para florestas milenares e animais selvagens. Isolados, longe de distrações e sem acesso a comunicação, puderam imergir na natureza local: paisagens deslumbrantes formadas por montanhas cobertas por neve, nevoeiros gélidos, florestas a perder de vista, rios serpenteando rochas, pôr do sol de tirar o fôlego e noites estreladas silenciosas. A natureza sempre foi uma forte inspiração para a banda e "Карпатські Містерії" (2026) absorveu também lendas, folclore e mitologia local, daí seu título: "Mistérios Cárpatos".
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Já deu para perceber que o Mørkt Tre valoriza, e muito, o regional e isso está também na capa do disco. A princípio, trata-se de uma pequena igreja de madeira (eu lembrei, você lembrou do que aconteceu na Noruega lá atrás, mas não é o caso aqui), mas na verdade é uma representação da Igreja de São Nicolau, o Taumaturgo (aquele que realiza grandes milagres), erguida em 1779 no estilo gótico, no vilarejo de Danylovo, e que nas mãos da artista Mariya Tobischek ganhou um ar misterioso e aterrador. Sugiro ao leitor/a que conheça suas obras no perfil @dvodushnyk, especialmente seus belíssimos desenhos da série Ukrainian Night Tarot.

Com a ajuda de um tradutor, posso garantir que todas essas inspirações foram muito bem absorvidas pelo grupo, especialmente pelo seu líder e letrista Sttng que criou verdadeiros contos locais em cada uma das letras do disco, incluindo nomes de personagens do folclore local (não há menção alguma a guerra com a Rússia). O uso do idioma ucraniano, outra forma de exaltar o local, se encaixa muito bem com a sonoridade do grupo.
"Карпатські Містерії" (2026) foi pensado para ter duas faces: "Wood" e "Mountains". Confesso que não entendi a relação desses títulos com as músicas, mas é nítida uma distinção entre elas: a primeira é mais bruta, um black metal mais típico, com vocais rasgados e muito intenso. Já a segunda parte repete essa faceta extrema e ainda incorpora uma coisa que o Mørkt Tre sabe fazer muito bem: encaixar lindas passagens atmosféricas, quase lisérgicas, na mesma faixa. Dois opostos, mas que de alguma forma, funcionam espetacularmente bem nas mãos da banda.
"Карпатські Містерії" (2026) é desses discos que, de tão bons, torna difícil a tarefa de apontar as melhores faixas, afinal, todas têm um alto nível de qualidade, mas já que o disco foi dividido, meus destaques seriam para as faixas da segunda metade por combinarem de forma irretocável a ferocidade do black metal com climas viajantes criados por teclados, flautas e efeitos diversos.
Lançado pela alemã Darker Than Black Records, "Карпатські Містерії" (2026), além do formato CD, ganhou uma versão especial limitadíssima que traz o CD, dez cartões, uma vela e um rosário feitos a mão, embalados em uma caixa de madeira preta com as iniciais MT e uma cobra pintadas em dourado, na tampa.
Um pouco avesso as redes sociais (não tiro sua razão), o disco até então não está disponível para audição no YouTube ou Spotify, apenas no Bandcamp, mas isso não deve ser empecilho nenhum para quem procura boa música extrema.
Formação:
Sttng: bateria, vocais, teclados, demais instrumentos
Vlad Eeriecold: guitarra
Roman Dybas: guitarra
Mykolaj Bilozor: baixo (faixas 1-3)
Katerina Borodulina: baixo (faixas 4-6)
Faixas:
01 Сповідь бездушної
02 Регіт Небуття
03 Мертвецький Великдень
04 Перед світлом дня
05 Падіння до неба
06 Колискова трав
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