Blaze Bayley: Os pontos altos e baixos do "Silicon Messiah"
Resenha - Silicon Messiah - Blaze Bayley
Por Ricardo Mazzo
Postado em 09 de julho de 2013
Que foi um erro escalarem o nada melódico Blaze Bayley para o posto de Bruce Dickinson nos vocais do IRON MAIDEN em 1994, isso é um fato. Blaze gravou apenas dois álbuns com a Donzela de Ferro: "The X Factor" de 1995 e "Virtual Xl" de 1998. E foi demitido. Apesar de eu não ser muito fã desses trabalhos, alguns grandes clássicos saíram deles, como "Sign Of The Cross", do primeiro, e "The Clansman", do segundo.

Mas como seria Blaze Bayley compositor? Como seria se o IRON MAIDEN não o tivesse demitido? Dois anos após o lançamento de seu último trabalho no posto de frontman mais famoso do mundo, ele já lançou seu primeiro álbum solo, "Silicon Messiah". A banda, claro, não poderia ter outro nome: BLAZE BAYLEY. Admito que me assustei quando vi que o CD tinha quase 1h10 de duração e 12 músicas. Imaginei algo menor, mais bem trabalhado, com foco nos detalhes. Ledo engano...
"Ghost In The Machine" faz as honras da casa e abre o trabalho. Bastante pesada, já mostra que o tom do álbum é outro, muito distante do que tínhamos visto nos 5 anos anteriores. O excesso de cadência não me agrada, mas o refrão engrena e fica na cabeça. "Evolution" é horrível! É uma balada sem peso que não quer ser balada. Muito estranha! E o refrão então? Sem dúvida alguma, uma das piores músicas da carreira do Messiah.

A faixa que dá nome ao álbum não é ruim, mas também deixa o ouvinte receoso esperando por alguma pérola de Blaze. Para aqueles que gostam de um Heavy Metal mais carregado e cantado com o estômago, essa é a música. Nesse momento, eu já estava um pouco com o pé atrás. "Será que vai ficar nisso?", me perguntei algumas vezes.
Mas o trabalho estava só se aquecendo. Um riff a la RUNNING WILD começa indicando que velocidade está a caminho. Tiro certeiro de Blaze! "Born As A Stranger" é diferente do que estamos acostumados a ouvir e a ouvi repetidamente muitas e muitas vezes. A 5ª faixa do CD chama-se "The Hunger" e começa lenta. Cruzei os dedos e torci para que não continuasse assim pelos seus mais de 7 minutos e fui atendido. Com base ao melhor estilo BLACK SABBATH, foi feita para banguearmos e atinge seu objetivo com facilidade.
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"Identity" mantém a rotação do álbum, assim como seu peso, apesar de ser menos rápida. O que me agrada muito é a voz carregada de Blaze e a pegada clássica bastante Heavy Metal das guitarras. "Reach For The Horizon" é como BLAZE BAYLEY faz balada. Sim, não faz! A música é lenta, mas longe de ser uma balada. Não sou o maior fã de músicas lentas, mas essa composição não deixa a desejar principalmente pela interessante variedade de distorções apresentadas.

A 9ª do CD se chama "The Launch" e também foi executada ao vivo em São Paulo. Que música! Concordo que faz lembrar bastante "Man On The Edge", do "The X Factor", nas partes que levam ao refrão, mas não poderia ser diferente. Refrão mais uma vez pesado e rápido e que prende na cabeça do headbanger. Muito boa e mais uma das ótimas músicas da carreira solo do Messiah!
"Stare At The Sun" é o momento Steve Harris de Blaze. Música começando lenta, 2 minutos de fala mansa até que deslancha. Claro, composição bem mais simples que as famosas do lendário baixista do IRON MAIDEN, mas que mostra ao mundo que BLAZE BAYLEY é mais uma boa banda de Heavy Metal a surgir num cenário nada favorável a nós, metalheads.

"The Day I Fell To Earth" é o tipo de música que me chama a atenção. Menos de 4 minutos de pura porrada, sem enrolação, Blaze mandando a raiva dele pelos ares e os músicos mostrando o porquê foram escolhidos pelo Messiah. Na minha versão do álbum, ainda fui presenteado com "Touch As Steel", cover da antiga banda do frontman, o WOLFSBANE. Música interessante, mas nada comercial e bastante underground.
E assim fechamos o primeiro trabalho do debutante BLAZE BAYLEY. Na minha concepção, mais da metade do trabalho pode ser considerada muito boa, com destaque especial para "The Brave" e "The Launch" que foram direto para a minha lista de músicas favoritas. Infelizmente, conheci esse CD tarde, 6 ou 7 anos após seu lançamento, mas ao ouvi-lo já fica claro que Blaze Bayley não tinha nada a ver com o IRON MAIDEN mesmo. Se ele poderia ter sido melhor utilizado nas composições? Talvez, mas fico feliz que a história tenha seguido seu rumo dessa maneira. Afinal, é muito louco ir ao Manifesto ou ao Blackmore e gritar: "Olê, olê, olê, olê! Blazê! Blazê!". E que assim seja por muito tempo...

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