Ska/Ska Punk: 9 álbuns para conhecer o gênero

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Por Guilherme Cardoso, Fonte: Tudo no Shuffle
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Ska punk é um gênero de alcançou relativo sucesso na década de 90, muito graças ao sucesso estrondoso do punk rock na mesma época. Bandas como Green Day, Blink-182 e Offspring atrairam milhares de pessoas (principalmente jovens) para o mundo do punk rock e seus sub-gêneros.

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Originalmente, o ska surgiu na década de 60 quando jamaicanos tentavam imitar o R&B de Nova Orleans, a tentativa passou longe do seu objetivo inicial mas criou um novo gênero que unia instrumentos tradicionais do rock (guitarra, baixo e bateria) com instrumentos de sopro populares do jazz (saxofone, trompete e trombone). As influências ainda de músicas tradicionais locais (principalmente o mento, música típica da Jamaica) e até de dance music fizeram do ska um estilo com ênfase nos ritmos e no swing dos instrumentos de sopro. O ritmo tinha um papel tão central no ska que uma dança específica para o gênero surgiu, o skank, que foi adotado posteriormente por outros gêneros (reggae, punk rock e até hardcore). Alguns expoentes da primeira geração de ska foram Desmond Dekker, The Skatalites e Toots & The Maytals.

No final da década de 70, veio a segunda onda de ska originada na Grã-Bretanha. Foi nessa segunda fase que o gênero começou a ser misturado com o punk rock. Bandas como Madness, The Specials e The Toasters tornaram-se populares em seu país de origem e foram as primeiras a unirem brancos e negros num mesmo grupo musical. Por último, a terceira onda de ska explodiu nos Estados Unidos na década de 90. O movimento "atualizou" a segunda onda de ska e adicionou ainda mais elementos de punk rock: guitarras mais distorcidas, uso de backing vocals e refrões ao mesmo tempo fortes e grudentos. Essa fase é comumente referida como Third Wave Ska.

Resolvemos, então, fazer uma lista dos nossos álbuns favoritos da Third Wave Ska, gênero que deu ao mundo alguns belos álbuns a partir da década de 90. O grande mérito do Ska Punk foi conseguir juntar a diversão e o alto astral do Ska com a energia do Punk Rock. Assim, ouvir bandas do gênero é um ótimo exercício de relaxamento e uma alternativa saudável para aqueles que querem ver a luz depois de ouvirem um funeral doom metal, um black metal etc.

As bandas dessa lista e várias outras fazem parte da nossa playlist de Ska no Spotify.

Confira todas as nossas listas e posts em:
https://tudonoshuffle.blogspot.com/

Sem mais delongas, vamos à lista (em ordem de preferência):

9) The Mighty Mighty Bosstones - Let's Face It

Ano de Lançamento: 1997

Os vocais graves e roucos de Dicky Barrett são a marca inconfundível do The Mighty Mighty Bosstones e o diferencial da banda em relação a outras do estilo, tanto que a banda chegou a flertar com o metal e o hardcore no ínicio da carreira. Mas, em "Let's Face It", o grupo já havia deixado para trás seu lado mais agressivo e focado no ska punk. Por isso, esse é o melhor álbum e o mais famoso do grupo. A música "The Impression That I Get" foi um sucesso estrondoso (você provalvemente a conhece), tornou-se uma das mais conhecidas do gênero e até hoje aparece na trilha sonora de vários filmes.

Destaques: "The Rascal King", "The Impression That I Get" e "Numbered Days"

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8) Mad Caddies - Just One More

Ano de Lançamento: 2003

O Mad Caddies é uma banda de ska que, diferente de outras contemporâneas, lançou seus melhores álbuns já no século XXI, entre eles "Just One More" de 2003. O álbum tem um clima leve e passeia pelo que há de melhor no gênero, músicas mais calmas de ska como "Drinking for 11" e "Silence", outras mais punk rock como "Contraband?" e "Day by Day". A banda ainda tem influências latinas e caribenhas, como na faixa título cujo refrão é cantado em espanhol. A sequência "Day by Day", "Leavin" e "Rockupation" é a síntese do álbum, todas entre o punk e o ska sempre com ótimas melodias e refrões pra grudar na cabeça.

Destaques: "Day by Day", "Rockupation" e "Good Intentions"

7) Buck-O-Nine - Twenty-Eight Teeth

Ano de Lançamento: 1997

Infelizmente o Buck-O-Nine nunca voltou a fazer um álbum que chegue remotamente próximo a "Twenty-Eight Teeth". Lançado em 1997 (o ano do ska punk), o álbum ganhou alguma popularidade pelo hit "My Town" que é o maior sucesso do grupo. "My Town" tem todos os elementos de um hit do gênero: uma melodia simples mas marcante de metais (trombone e trompete), uma linha de baixo incansável e um refrão hiper grudento. Mas o álbum é mais do que esse hit, até uma música new wave originalmente de Joe Jackson ("I'm the Man") soou bem regravada pelo Buck-O-Nine. Apesar de não ter atingido o sucesso comercial de outros contemporâneos, o Buck-O-Nine deixou um guia de como fazer um grande álbum de ska punk.

Destaques: "Round Kid", "You Go You're Gone" e "My Town"

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6) The Pietasters - Oolooloo

Ano de Lançamento: 1995

The Pietasters esteve sempre um pouco à parte do movimento de ska punk. Enquanto a maioria das bandas tocavam ska a toda velocidade, esse grupo do Washington optava por composições mais lentas e calmas. Ao invés de misturar ska com punk, The Pietasters misturava ska com soul. Assim, Oolooloo é um álbum com músicas relativamente longas para o gênero (muitas passam da marca de 4 minutos), o que dá um clima relaxante e permite mais aparições dos instrumentos de sopro. Ainda assim, The Pietasters não esquece do ritmo característico e as melodias deliciosas do ska. Tudo isso faz com que o Oolooloo tenha músicas mais "bobas" de ska, como Biblical Sense e Maggie Mae (inclusive nas letras) e músicas longas e mais elaboradas como a excepcional "Can I Change My Mind", que usa teclados e tem um belo solo de trombone.

Destaques: "Same Old Song", "Girl Take It Easy" e"Can I change My Mind"

5) Streetlight Manifesto - The Hands that Thieve

Ano de Lançamento: 2013

Dos álbuns dessa lista, esse é o mais novo. Lançado em 2013, "The Hands that Thieve" é o quinto e mais recente álbum da banda liderada pelo vocalista/guitarrista Tomas Kalnoky. O Streetlight Manifesto tem uma complexidade incomum para o ska, as músicas são relativamente longas com várias mudanças de andamento e solos e mais solos dos instrumentos de sopro. Em geral, as composições tem um ritmo frenético (com uso até de gang vocals) mas periodicamente, a banda desacelera em músicas com violões e um delicioso sabor latino. Além disso, o grupo não cai no velho estigma das bandas de ska de só escreverem músicas bobas ou divertidas para festejar. Principalmente nesse álbum, o grupo mostra muito maturidade nas letras sobre relacionamentos interpessoais, passagem do tempo e os percalços da vida. "They Broke Him", por exemplo, consegue ser animada ao mesmo tempo que fala sobre morte e perdão. Enfim, o Streetlight Manifesto talvez seja a banda de ska mais cerebral tanto pela destreza de seus membros com os instrumentos quanto pelo conteúdo das letras.

Destaques: "With Any Sort of Uncertainty", "If Only for Memories" e "They Broke Him"

4) Rancid - Life Won't Wait

Ano de Lançamento: 1998

O clássico absoluto do Rancid é o álbum "...And Out Come the Wolves"de 1995, é nele que estão todos os grandes hits da banda como "Roots Radicals", "Ruby Soho" e "Time Bomb". Mas, foi no álbum seguinte, "Life Won't Wait", que o grupo se permitiu arriscar. Para comparar com a maior influência do grupo, o "The Clash", "Life Won't Wait" é o "Sandinista!" do Rancid. Nele, o grupo alargou seus horizontes musicais injetando muito ska e reggae, tanto que duas faixas do álbum foram gravadas em Kingston. A música de abertura "Bloodcot" é punk rock simples e direto (com até hey-ho!) até que ao final seja desacelerada por uma levada de ska, o animado reggae da faixa título tem participação do cantor jamaicano Buju Banton, enquanto a (quase) triste "Hoover Street" tem participação do grupo de reggae Hepcat nos vocais. Alguns dos melhores refrões que o Rancid já fez estão em "Hooligans" e "Backslide". "Who Would've Thought" talvez seja a melhor balada romântica (com fortes toques de ska) da carreira do Rancid. Por último, o ritmo característico do ska permite que o genial Matt Freeman (procure o solo de "Maxwell Murder" para comprovação) apareça ainda mais com suas grandes linhas de baixo.

Destaques: "Backslide", "Who Would've Thought" e "Corazón de Oro"

3) Less than Jake - Anthem

Ano de Lançamento: 2003

Quando lançou esse álbum, o Less Than Jake já era um veterano da cena de ska norte-americano com mais de 10 anos de existência. "Anthem" é o sexto álbum do grupo e até hoje continua ocupando o posto de melhor álbum que a banda já fez. Uma das melhores características da banda é o de ter em Chris Demakes (guitarrista) e Roger Manganelli (baixista) dois ótimos vocalistas que se complementam perfeitamente. O primeiro tem a voz mais "arranhada" e roqueira, já o segundo tem uma voz fina, semelhante a de bandas de pop punk. Os dois alternam-se para cantar as letras cunhadas pelo baterista Vinnie Fiorello, que lidam sobre o fim da juventude e o ínicio da vida adulta. Esses temas não são tratados de forma exatamente profunda, tanto que muitas vezes há um tom de humor ou de autodepreciação nas letras, mas é difícil não se identificar com muitas delas, dado à universalidade do tema. Musicalmente, "Anthem" talvez seja o álbum menos ska do banda, a participação dos instrumentos de sopro é discreta se comparada a outros álbuns, mas isso é compensado (com sobras) pelas melhores músicas que o grupo já compôs. Mais do que isso, chama a atenção como "Anthem" consegue ser trilha sonora para qualquer ocasião. Há músicas rápidas de punk rock (como "Short Fuse Burning" e "Plastic Cup Politics", cada uma cantada por um dos vocalistas), músicas mais leves e cadenciadas com a levada típica de ska ("The Science of Selling Yourself Short" e "Motown Never Sounded so Good"), músicas melódicas de pop punk com refrões memoráveis ("Welcome to the South", "The Ghost of Me and You" e "Look What Happened") e músicas mais emotivas, como "Escape from the A-Bomb House" e "The Brightest Bulb Has Burned Out/Screws Fall Out". Em pouco mais de 40 minutos, "Anthem" é uma pérola do ska punk por realçar uma das grandes, porém esquecida, qualidades do gênero, a de despertar diversos sentimentos (doces e amargos) com simplicidade, sem precisar de super arranjos, composições grandiosas ou letras poéticas.

Destaques: "Look What Happened", "The Upwards War and the Down Turned Cycle" e "The Brightest Bulb Has Burned Out/Screws Fall Out"

2) Reel Big Fish - Turn the Radio Off

Ano de Lançamento: 1996

O terceiro lugar da lista foi para um álbum emotivo mas o segundo lugar passa longe desse tipo de álbum. Na verdade, "Turn the Radio Off" é o estereótipo do ska punk: músicas simples, pra cima e divertidas. Em seu segundo álbum apenas, o Reel Big Fish fez um clássico do ska. A faixa de abertura "Sell Out", que virou um hit do gênero, foi uma resposta à repercussão negativa que a banda teve quando assinou com a gigante Atlantic Records. Com muito bom humor, a letra fala sobre a relação entre a sedutora indústria da música e os ingênuos membros de uma banda iniciante ("And I didn't ask when we'd get paid/I quit my day job anyway", "Record company's gonna give me lots of money and everything is gonna be all right"). "Beer" é outro clássico duradouro do álbum, a típica música sobre como lidar com um(a) ex-namorada(o) ("She looks like heaven, maybe this is hell"). Outro destaque de letras do álbum é a hilária "She Has A Girlfriend Now" que, como o próprio título sugere, fala sobre uma mulher que troca seu namorado por uma namorada e o primeiro, inconformado, tenta reconquistá-la com as mais diversas promessas ("I'll shave my legs, I"ll wear a bra/I'll even cut my penis out for you"). Enfim, os temas das letras bem-humoradas giram sempre em torno de situações vividas na juventude: relacionamentos frustrados, o desejo de ser popular, a paixão platônica e por ai vai. As músicas do álbum são conduzidas pelas melodias irresistíveis de trompete/trombone, como as de "Sell Out", "Join the Club" e "Everything Sucks", combinadas com o típico ritmo percussivo da guitarra no ska. A única exceção ao ritmo frenético de punk e ao alto astral do álbum é "Snoop Dog, Baby", uma faixa conduzida em ritmo mais lento sobre as ingratas lembranças amorosas que uma música pode despertar. A música tem a melhor performance do guitarrista (e também vocalista) Aaron Barrett e um grande solo de sax.

O "asterisco" desse álbum é que mais da metade das suas músicas já havia sido lançada no primeiro álbum do Reel Big Fish mas foram regravadas para o primeiro lançamento da banda pela Atlantic.

Destaques: "Sell Out", "Snoop Dog, Baby" e "Everything Sucks"

1) Goldfinger - Hang-Ups

Ano de Lançamento: 1997

Chegamos então ao primeiro lugar. Goldfinger talvez seja a banda de ska mais conhecida por aqueles que desconhecem ou pouco conhecem o gênero. Isso deve-se muito à inclusão da música "Superman" (que inclusive abre o "Hang-Ups") na trilha sonora do Tony Hawk's Pro Skater 2, jogo para N64 e Playstation que fez um sucesso estrondoso. Mas curiosamente, "Superman" não foi a música escolhida como single do álbum quando do seu lançamento, a escolhida foi "This Lonely Place". Isso foi um dos fatores para que o álbum fizesse bem menos sucesso que seu antecessor, o álbum homônimo de 1996 que continha "Here In Your Bedroom", música que foi um hit no verão norte-americano daquele ano.
Enquanto em seu primeiro álbum, o Goldfinger era uma banda punk com leves influências de ska, em "Hang-Ups" a banda pisou com convicção no território do ska. Para ajudar, dois membros do Reel Big Fish emprestaram seu talento ao ábum gravando os trompetes e trombones. Como é habitual na banda, John Feldmann, cantor e guitarrista, cuida sozinho da composição e das letras da maioria das músicas, mas nesse álbum, ele coloca em suas composições uma sensibilidade pop de Beach Boys e Beatles que o ska punk nunca viu. Músicas como "This Lonely Place", "20c Goodbye" e "I Need to Know" não tem o estilo alto-astral e divertido do ska mas tem uma leveza e uma beleza cativantes. A sensação ao ouví-las é de estar sossegado debaixo de uma sombra na praia e esse talvez seja o grande barato desse álbum. Enquanto as outras bandas do estilo tocavam cada vez mais rápido na política de "não deixe a festa parar", o Goldfinger desacelerou e apostou de maneira certeira no ska punk como um gênero para relaxar, refletir e não só festejar. Ainda assim, entre as 13 faixas do álbum, há também músicas de ska no ritmo alegre de sempre, como "Superman" e "Carlita" e há músicas em que guitarras com distorção tomam conta, como "My Head", "Question" e "Too Late".
As letras do álbum giram sobre "problemas" e dilemas da juventude, sempre encarados como os piores problemas do mundo (quem nunca?), a exceção é a otimista "Superman". Independente da levada das músicas, todas impressionam pela simplicidade com que centenas de grandes melodias são disparadas (sejam dos refrões grudentos, dos power chords punks, dos pequenos solos de guitarra ou dos instrumentos de sopro) ao mesmo tempo que as letras falam de sentimentos totalmente opostos àqueles despertados pelas melodias. O ska nunca foi tão simples e cativante como em "Hang-Ups" (ou será que ele é cativante porque é simples?).

Destaques: "Superman", "Carlita" e "I Need to Know" + todo o álbum

Menções Honrosas:

Fast Food Orchestra - Wanted for Cooking (2011)
MU330 - Ultra Panic (2002)
Operation Ivy - Energy (1989)
Reel Big Fish - Cheer Up (2002)
Slapstick - Lookit! (1996)
The Suicide Machines - Destruction by Definition (1996)




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