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Old Skull: A cena Crossover - Speak English or Die!

Por Maicon Leite
Fonte: Hell Divine
Em 02/03/14

Originalmente publicada na revista virtual HELL DIVINE, a seção "Old Skull" trata basicamente de falar exclusivamente do som pesado feito nos anos 80, seja ele Thrash, Speed, Death ou Crossover. A ideia da seção é falar sobre assuntos específicos, buscando levar conhecimento aos leitores, da forma mais simples e dinâmica possível. "A cena Crossover – Speak English or Die!" foi publicada originalmente na terceira edição da revista, disponível no seguinte link:
http://issuu.com/helldivinemagazine/docs/hell_divine_03

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Nesta primeira edição, abordamos o Crossover, que, dentro do nosso contexto é nada mais do que a união entre o Thrash Metal e o Hardcore, estilos que primam pela velocidade e agressividade, estando diretamente interligados. Muitos consideram o EP "State Violence, State Control", do Discharge, lançado em 1982, como o pontapé inicial do gênero, mas, um pouco antes já existiam bandas que misturavam Punk com Metal, e que aos poucos foram se aperfeiçoando. Se considerarmos os fatores citados acima, poderíamos eleger até mesmo o Motorhead como precursor, devido à velocidade e agressividade de sua música em plenos anos 70, mas, o grande "boom" do estilo surgiu sem dúvida na metade dos anos 80, como veremos a seguir.

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O começo dos anos 80 revelou ao mundo o surgimento do Thrash Metal, vide os primeiros discos do Metallica e Exodus, ambos influenciados pela simplicidade e energia do Punk/Hardcore, inserindo doses cavalares de rapidez, mas que ao mesmo tempo buscavam inspiração em bandas como Iron Maiden e Judas Priest, unindo velocidade e melodia.

Entretanto, as músicas foram começando a ficarem mais rápidas, e novos nomes iriam surgindo, criando assim uma nova cena, o Crossover. Suicidal Tendencies, Hirax, D.R.I., Beowulf, C.O.C, Agnostic Front, Excel, Final Conflict, Cerebral Fix, Nuclear Assault, S.O.D., S.O.B., M.O.D. são alguns nomes que fizeram a cabeça dos bangers daquela época, e claro, o Ratos de Porão aqui no Brasil, tornando-se responsáveis em tentar unir punks e bangers em uma época repleta de brigas e intolerância entre as partes.

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Mas, para exemplificar bem como foi o surgimento deste novo gênero musical, nada melhor do que falar de alguns discos clássicos da época, que movimentaram toda uma geração e que ainda entusiasmam toda a galera Punk, Metal, HC e doidos em geral.

Discos essenciais:

S.O.D.
Speak English or Die
1985
Lançado pouco tempo antes do primeiro petardo do Hirax, "Speak English or Die" é definitivamente a obra que melhor define o Crossover, em perfeição milimétrica. Na verdade, o S.O.D. era um projeto do pessoal do Anthrax e Nuclear Assault com Billy Milano, que anos depois formaria o M.O.D. Scott Ian (guitarra), Dan Lilker (baixo), Charlie Benante (bateria) e Billy talvez nem tivessem ideia daquilo que estavam criando, mas a história acabou reconhecendo-os como os grandes precursores do estilo, tanto que anos mais tarde, na década de 90, devido a inúmeros pedidos, a banda voltou durante certo período de tempo, inclusive lançando um novo disco. Assim como "Paranoid" está para o Black Sabbath, "United Forces" está para o S.O.D., se transformando num hino, tendo em sua letra a vontade de unir o Metal e Punk, sem distinção do jeito de se vestir, nem do corte de cabelo, cor, etc. "Nossas letras nunca foram sérias, só as fizemos para irritar as pessoas", disse Dan Lilker na época em que "Speak English or Die" foi lançado, explicando o que as 21 músicas do disco tratam... Diversão pura e obrigatória!

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Hirax
Raging Violence
1985
O Hirax sempre foi uma banda pouco reconhecida, mesmo sendo uma das pioneiras na arte de misturar Metal e Hardcore, como vemos aqui em "Raging Violence", onde Katon W. De Pena (vocal), Scott Owen (guitarra), Gary Monardo (baixo) e John Tabares (bateria) exorcizam seus demônios com 14 faixas que unem velocidade e agressão da forma mais perfeita possível. Não é a toa que hoje temos muitos nomes do som pesado coverizando a banda do folclórico Katon, um dos caras mais legais nesse meio. Talvez o maior clássico dos americanos esteja presente em "Raging Violence", atendendo pelo nome de "Bombs of Death", que em menos de dois minutos põe tudo abaixo com muita velocidade e interpretação marcante de Katon. "Hate, Fear and Power", meteórica, também é destaque absoluto de "Raging Violence", que é, sem dúvidas, uma boa lição de casa!

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D.R.I.
Crossover
1987
Há pouco tempo atrás o Brasil teve a chance de ver novamente esta lenda vida do Crossover em shows alucinantes, recheados de clássicos e mais clássicos, fazendo do público uma grande massa humana sem controle. A semente disso tudo nasceu lá no começo dos anos 80, mas foi em 1987, em seu terceiro disco, que o D.R.I. conquistou de vez a galera maluca que curtia toda essa barulheira. Naquela época, o D.R.I. era formado por Kurt Brecht (vocal), Spike Cassidy (guitarra), Josh Pappé (baixo) e Felix Griffin (bateria), formação que gravou "Crossover" e o também indispensável "Four of A Kind", de 1988. A qualidade das composições e contando com uma ótima produção, fizeram deste álbum uma pequena obra prima do som pesado. E por "culpa" deste título que as revistas começaram a intitular as bandas que faziam este tipo de som como "Crossover", pois até então, eram definidas somente como Thrash Metal, Hardcore, etc. O D.R.I. pode não ter sido a primeira banda a fazer este tipo de som, mas, graças a ela, o estilo ganhou um nome e se tornou ainda mais conhecido, fazendo com que a banda fizesse várias turnês. Ouça sem medo de estourar os tímpanos!

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Suicidal Tendencies
Join the Army
1987
Este play marca uma transição na carreira da banda com uma séria mudança de formação que se concretizaria pouco depois de seu lançamento. Porém, o que Mike Muir (vocal), Rocky George (guitarra), Louiche Mayorga (baixo) e R.J. Herrera (bateria) deixaram de herança para as futuras gerações foi um apanhado de clássicos atemporais, como a própria faixa titulo do trabalho, recheada de velocidade e belos solos de guitarra. Já "War Inside My Head" e "Possessed to Skate" certamente lhe dizem algo, correto? Ambas se tornaram clássicos do gênero, sendo até hoje reverenciadas. "Join the Army’ foi o segundo disco da banda, e o primeiro contando com Rocky e Herrera. Trata-se de um registro importante para que o estilo se propagasse ainda mais, e para quem conhece a banda, sabe que suas performances ao vivo sempre foram de uma energia incrível, independente da formação ou época. Não é empolgante ver Mike Muir pulando e correndo feito um louco pelo palco?

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Ratos de Porão
Brasil
1989
No Brasil a coisa não poderia ser tão diferente do que estava acontecendo no resto do mundo. O Ratos de Porão foi o grande nome do Crossover aqui no Brasil, ainda que seu primeiro disco seja totalmente Punk/HC. A partir de "Descanse em Paz", lançado em 1986, o RDP começou a moldar sua sonoridade adicionando elementos metálicos. Em "Cada Dia Mais Sujo e Agressivo" esta tendência ficou ainda mais implícita, culminando com força total em "Brasil", que se tornou referência em "Brasil". "Amazônia Nunca Mais", "Aids, Pop, Repressão" e "Beber Até Morrer" formam um trinca perfeita, e não ficam devendo em nada aos grandes clássicos vindos da terra do Tio Sam. João Gordo, além de transformar qualquer show em um inferno, sempre possuiu uma voz com características próprias, sendo amplamente apoiada por Jão (guitarra), Jabá (baixo) e Spaghetti (bateria), formação considerada como clássica e que viria a lançar mais um disco, o excelente "Anarkophobia", de 1990.

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Sobre Maicon Leite

Maicon Leite é assessor de imprensa na Wargods Press, colaborador na revista Roadie Crew e um dos autores do livro Tá no Sangue! - A História do Rock Pesado Gaúcho, dentre outros projetos e publicações.

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