Candlemass: A história e as curiosidades de "Nightfall"

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Por Alcides S. Maia Júnior
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A história e as curiosidades de Nightfall


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Após o lançamento de “Epicus Doomicus Metallicus”, o Candlemass viveu um período de incertezas e o fim parecia próximo. A banda foi dispensada pela gravadora francesa Black Dragon Records, devido às baixas vendas de seu primeiro álbum. Matz Ekströn, Klas Bergwall e Johan Langquist deixaram a banda e somente Leif Edling e Mats Bjorkman permaneceram.

A banda fez vários anúncios em revistas em busca de um guitarrista solo até encontrar Mike Wead. Ele conhecia o baterista Jan Lindh e o indicou para a banda. O último integrante a se juntar à banda foi Bror Jan Alfredo Marcolin, conhecido como Messiah Marcolin que havia deixado a banda Mercy. Messiah conheceu o Candlemass ao ganhar de um amigo uma fita cassete do álbum “Epicus Doomicus Metallicus” e sabendo que a banda precisava de um vocalista, telefonava insistentemente para Leif, tentando convencê-lo a entrar na banda. Em algumas dessas conversas a madastra de Marcolin segurava o telefone enquanto ele cantava e tocava algumas músicas do Candlemass no violão. Leif e Mats Bjorkman achavam que Messiah era louco e não davam muita atenção aos seus telefonemas, mas vencidos por sua insistência decidem convidá-lo para fazer um teste, com a condição de que ele se mudasse para Upllands Väsby. Messiah atendeu o pedido e no seu teste a banda tocou as músicas de “Epicus”. Messiah se saiu muito bem e foi aceito na banda.

Messiah se tornaria o ponto central da banda com sua presença de palco, seu carisma e seu timbre de voz peculiar. Outro característica marcante de Marcolin eram suas vestimentas. Ele usava um traje de monge desde a época do Mercy.. Nessa época ele também usava um corpse paint inspirado em King Diamond que ele abandonou depois de entrar no Candlemass, optando somente pelo traje monge.

Com a nova formação, a banda entrou nos estúdios Thunderload para gravar uma demo com as músicas “Bewitched” e “Battlecry”. A demo foi parar nas mão de David Constable, que era dono do recém criado selo londrino Axis. Curiosamente David colocou a fita demo para um taxista de Londres durante uma corrida e perguntou o que ele achava e ele adorou. David então contratou o Candlemass como a primeira banda do seu selo. David Constable também passou a empresariar o Candlemass e contribuiu para que a banda alcançasse o profissionalismo que faltava no lançamento de seu primeiro álbum no que diz respeito ao cuidado ao prmover seus álbuns e em negociar contratos e turnês.

A nova formação começou a ensaiar as composições que fariam parte de “Nightfall”. Com tudo pronto para as gravações, a banda optou novamente pelos estúdios Thunderload com a co-produção de Ragne Wahlquists. Com as sessões em andamento a banda ainda não estava satisfeita com os solos de Mike Wead, que eles consideravam muito experimentais e que não combinavam com as canções. A banda queria que os solos soassem tipicamente como os das bandas dos anos 70. O próprio Mike Wead concordou com os argumentos da banda e indicou seu amigo, Lars Johansson para substituí-lo. A princípio Lars aceitou o convite, mas não tinha certeza se permaneceria na banda, mas o sucesso de Nightfall o fez mudar de ideia.

Antes do lançamento do álbum foi agendada uma pequena turnê da nova formação abrindo os shows de King Diamond, mas a poucos dias do começo, Lars Johansson quebrou seu braço depois de cair de uma cerca e quase obrigou a banda a cancelar as apresentações, às pressas o guitarrista Mike Wead assumiu seu posto.

O álbum foi muito bem recebido na Europa, especialmente na Inglaterra e foi o primeiro álbum do Candlemass a ser lançado nos Estados Unidos. Comercialmente falando “Nightfall” inaugurou a fase mais bem sucedida da banda, sendo seu segundo álbum mais vendido, perdendo somente para o álbum “Ancient Dreams”.

“Nightfall” foi relançado em edição dupla, com o ábum remasterizado no primeiro disco e com faixas demo, entrevistas, versões descartadas, duas faixas ao vivo e uma entrevista no segundo disco.

Abaixo as curiosidades do álbum:

Capa

Por sugestão de Messiah Marcolin foi escolhida para a capa de “Nightfall” a pintura “Old Age” que faz parte da série de pinturas “The Voyage Of Life” de Thomas Cole. Série com quatro pinturas que retratam os estágios da vida como a infância, a juventude, a maturidade e a velhice. Esses estágios são representados por um homem em um barco acompanhado por um anjo da guarda que segue o “Rio da Vida”. A pintura “Old Age” é a última da série e representa a morte. Nela o homem já envelhecido, envolto em uma paisagem sombria, vislumbra um anjo que aparece para guiá-lo em seu caminho ao Paraíso.

O Candlemass adquiriu os direitos das quatro pinturas de Thomas Cole, mas acabou utilizando apenas duas delas. A “Old Age” em “Nightfall” e “Youth” em “Ancient Dreams”. Atualmente as obras originais estão expostas no museu Washington Smithsonian.

Gothic Stone

É uma introdução instrumental para a música “The Well Of Souls”, a princípio a faixa daria nome ao álbum, mas após a banda escolher a pintura de Thomas Cole para a capa, trocaram o nome do álbum para Nightfall.

The Well Of Souls

O título da faixa foi tirada do filme “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” especificamente no trecho onde eles encontram “O Poço das Almas”. No disco 2 temos uma versão ao vivo gravada no Elm Street Club.

Codex Gigas

Faixa instrumental com harmonias gravadas em camadas, baseada em alguns riffs e ideias que foram reunidas no estúdio.

At The Gallows End

A canção fala sobre a última noite de um homem condenado a morte na forca. Os vocais e o verso em sua versão final são totalmente diferentes da primeira versão que a banda ensaiou, principalmente pelo fato do verso da primeira versão ter palavras demais que não encaixavam na canção. A versão descartada pode ser ouvida no disco 2.

Samarithan

Baseada na história biblíca, Samarithan foi uma das primeiras canções escritas por Leif para o Candlemass. A canção em sua versão inicial acabou sendo descartada do álbum “Epicus Doomicus Metallicus” por insistência do baterista Mats Ekström. A faixa foi apresentada para a nova banda que a aprovou e posteriormente se transformou em um dos seus maiores sucessos.

Marche Funebre

Partiu de Messiah Marcolin a ideia de gravar uma versão da Marcha Fúnebre de Chopin. Segundo ele, a canção mais depressiva já escrita. A primeira mixagem feita nos estúdios Thunderload não agradou a banda o que os motivou a remixarem a faixa no estúdio Stockholm Recording com a produção de Mats Lindfors. Na maioria de seus shows a faixa costuma ser tocada como uma introdução antes da banda subir ao palco.

Dark Are The Veils Of Death

Uma das faixas favoritas de Leif. A inspiração vem da canção “The Veils Of Negative Existance” do Manilla Road. No disco 2 temos uma versão ao vivo gravada no Elm Street Club.

Mouner's Lament

Canção sobre o lamento de um pai pela morte de seu filho. Leif Edling levou muito tempo para escrever as letras da canção que mudavam a cada semana enquanto ele trabalhava junto com Messiah nos vocais da faixa. No disco 2 é apresentada a faixa que foi descartada da versão final.

Bewitched

Foi a primeira canção escrita para Nightfall. A faixa foi inspirada pelo conto “The Pied Piper Of Hamelin”. O conto é baseado em uma lenda urbana do século 13, criada a partir do desaparecimento de crianças na cidade de Hamelin na Alemanha. Segundo a lenda, a cidade sofria de uma infestação de ratos e um flautista prometia livrar a cidade da infestação “hipnotizando” os ratos ao tocar sua flauta. O prefeito lhe prometeu uma recompensa se ele libertasse a cidade da infestação. O flautista então tocou sua flauta e levou os ratos para fora da cidade, livrando a cidade da infestação, o flautista então leva um calote do prefeito e para se vingar ele começa a tocar sua flauta para as crianças, levando-as para fora da cidade e nunca mais seriam vistas. Outras lendas sugerem que as crianças morriam devido a problemas de saúde e o flautista seria uma metáfora para a morte.

Foi gravado um vídeo para a faixa dirigido por Jonas Akerlund que era roadie da banda na época e almejava uma carreira como diretor. O vídeo foi filmado no castelo de Drottningholms e conta com a participação de alguns amigos da banda que eram “hipnotizados” por Messiah Marcolin, entre eles Per Yngve Ohlin que seria conhecido futuramente como “Dead”, vocalista da banda Mayhem.

Black Candles

Faixa instrumental composta por Mike Wead no seu curto período na banda. A canção foi uma homenagem do guitarrista a um de seus amigos que faleceu, embora por algum motivo a homenagem não tenha sido creditada no álbum.

Battlecry

Versão demo gravada antes do lançamento e que foi descartada do álbum. Foi lançada como faixa bônus na edição com CD duplo junto com a demo de Bewitched.

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Sobre Alcides S. Maia Júnior

Conheceu o rock ainda moleque através do futebol, ao escutar We Are The Champions do Queen, a partir daí foi conhecendo diversas bandas clássicas como Black Sabbath, Deep Purple, Pink Floyd, Led Zeppelin, Rainbow, Judas Priest, Iron Maiden, Candlemass, entre outras.

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