Sonata Arctica: "Não acredito que demoramos tanto a voltar ao Brasil"

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Por Maurício Dehò
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Matéria de 03/02/08. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Em março de 2002, estes finlandeses aportaram pela primeira vez no Brasil. No dia 24 daquele mês, um domingo chuvoso, o Sonata Arctica trouxe seu Metal Melódico ao então Directv Music Hall, em São Paulo, como forma de divulgar o segundo álbum, “Silence”, que pegou carona no estrondoso sucesso do debut “Ecliptica”. Já são quase seis anos desde então. A banda amadureceu, largou o simples Melódico e adquiriu uma sonoridade própria, baseada principalmente nas linhas de voz e teclados compostos pelo frontman Tony Kakko, que foi levando a banda para um caminho sempre mais épico, pomposo. Com mais três discos no currículo, além de um CD ao vivo (“Songs of Silence”) e um DVD (“For the Sake of Revenge”), eles finalmente voltam a tocar em solo brasileiro, com apresentações em São Paulo (26 de fevereiro) e Curitiba (28 de fevereiro). Conversamos com Kakko, que explicou um pouco sobre o último lançamento, “Unia”, e falou sobre assuntos como a saída do guitarrista Jani Liimatainen para a entrada de Elias Viljanen e, claro, sobre suas lembranças de 2002.

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Whiplash: Já faz nove meses desde o lançamento do “Unia”. Como estão as coisas com este álbum (que é o quinto da banda)?

Tony Kakko: Temos recebido um retorno muito positivo. Estou ainda mais satisfeito do que com os álbuns anteriores, pois este é um álbum em que sinto que fomos por um caminho bem diferente deles. Ficamos bastante nervosos para saber como seriam as reações. Já estamos em turnê há cerca de um ano, então as coisas tem ido muito bem. Ainda mais agora, começando a turnê na América, com shows no Brasil, México, Peru, Argentina...

Whiplash: Em outra entrevista, você disse que o processo criativo estava difícil para você, como se tivesse se tornado um fardo. Como foi compor “Unia”?

Tony Kakko: Desta vez foi muito mais fácil e prazeroso fazer o processo de composição do que em outros momentos. Quando as coisas começaram a virar uma obrigação, por ter de compor de um certo jeito e tal, ficou muito mais difícil. Acho que nós precisávamos dar um passo adiante como banda na nossa música e é o que fomos conseguindo com o “Unia”.

Whiplash: Mas o que você sente quando olha para trás, com relação aos primeiros discos da banda, que tinham uma característica muito mais típica do Melódico?

Tony Kakko: Álbuns como o Ecliptica foram os nossos primeiros “bebês” e esse específico enxergo como um extremo que tivemos. Com eles, acho que tivemos muitos erros, mas isso foi importante para que aprendêssemos, para darmos mais passos à frente e chegar onde estamos agora. Eu gosto muito tanto do “Ecliptica” quanto do “Silence”, são discos especiais, eu apenas não os escuto tanto quanto a um tempo atrás (risos). Muitos fãs gostam daquela época, tanto que seguimos tocando várias faixas deles em nosso shows, que não podem faltar.

Whiplash: Você tem por característica usar linhas vocais muito complexas nos últimos trabalhos. Quantas linhas de gravação são necessárias para se chegar a essa sonoridade?

Tony Kakko: Em algumas faixas, as mais “cheias”, é possível fazer com que as vozes ocupem de 70 a 100 linhas de gravação. É um trabalho muito grande que tenho feito para dar esse som bem cheio, que se pareça com um coral e tenha um efeito legal nas músicas. Desta vez consegui fazer muito mais tipos de voz diferentes, até porque as gravações de vocal fora feitas na minha casa. Então, não tinha pressão, eu podia acordar de manhã e fazer o quanto tinha vontade. Esse tipo de coisa trouxe um resultado diferente no som da banda. Além disso, usamos em quatro músicas um coral de verdade, o que foi muito legal para essa nova sonoridade.

Whiplash: Acabou se tornando um desafio para você?

Tony Kakko: Na verdade esta é a parte mais legal de todo o trabalho. Simplesmente amo mexer com a minha voz, tentar fazer soar como conseguimos em “Unia” e, assim, mostrar meu trabalho de verdade. É muito divertido.

Whiplash: Mas e quanto a apresentar essa complexidade toda ao vivo?

Tony Kakko: Realmente não dá para fazer com que tudo soe como no álbum, mas é bom, porque temos a chance de fazer alguns arranjos que se encaixem melhor para uma apresentação ao vivo. Claro que, com todo o trabalho no estúdio, acabamos usando alguns playbacks de coros nas faixas que realmente precisam disso e que não seriam nada sem eles. Por outro lado, temos gravado também muitas linhas de teclado em estúdio, que seriam impossíveis de serem reproduzidas em uma apresentação. Então, há algumas camadas ao vivo pré-gravadas. Mas procuramos fazer essas inserções quando realmente é muito necessário. É importante que consigamos reproduzir bem o que fazemos no disco, porque gostamos daquela grande atmosfera criada também para os nossos shows.

Whiplash: No começo do Sonata, você era o tecladista, além de cuidar dos vocais. Mas desde Winterheart’s Guild, o som deste instrumento aumentou de importância, com novas sonoridades. Você ainda mexe muito nesta parte, apesar de ter Henrik Klingenberg efetivamente no posto?

Tony Kakko: No “Winterheart’s Guild” eu cuidei de todos os teclados, exceto alguns solos, que tiveram participação do Jens Johansson. Depois, no “Reckoning Night” acho que toquei uns 70% das partes e para o "Unia" uns 90%. Eu trabalho junto com o Henrik, mas acabo tocando muitas partes por compor as canções e saber como devemos soar. Sobre os diferentes elementos, procuramos buscar novas sonoridades e novos tipos de samplers em cada álbum para os teclados, de acordo com as canções que vão surgindo.

Whiplash: Em “Unia”, vocês usaram partes orquestrais pela primeira vez. Como foi o trabalho com o grupo de cordas?

Tony Kakko: Foi só uma música na verdade, em “Good Enough Is Good Enough”, a última do álbum. Era uma faixa que queríamos colocar algo diferente. Foi uma boa oportunidade e uma chance muito legal de trabalhar de um modo diferente

Whiplash: Já são cinco álbuns e o Sonata não parou de crescer. O que você acha que diferiu a banda da leva mais comum do Heavy Melódico?

Tony Kakko: Bom, isso tem muito a ver com minhas influências, por eu ser o principal compositor. Sou muito fã de Melódico, tanto que o primeiro disco que tive foi o “Visions” do Stratovarius. Mas gosto de coisas mais variadas também. Sou um grande fã de Queen e curto músicas mais Pop, então isso entra de uma forma diferente no som do Sonata Arctica.

Whiplash: Como primeiro single, vocês escolheram “Paid in Full”. Fale sobre essa opção e também sobre o belo vídeo da música.

Tony Kakko: Esta é uma musica que já tinha a cara de um single. “Paid in Full” tem uma levada mais Pop, boa para se tocar numa rádio. Havia muitas outras faixas mais estranhas (risos) e outras que até se encaixariam no perfil, mas esta representava bem o Sonata neste disco. Sobre o vídeo, filmamos em nossa cidade natal Kemi (Finlândia), nas geleiras que existem nas redondezas. Estava muito frio, mas foi divertido, o ambiente foi perfeito para a gravação, então pegamos aqueles cenários maravilhosos de nascer e pôr do Sol e conseguimos este resultado.

Whiplash: Este álbum marcou também o último disco com o guitarrista Jani. Como foi sua saída?

Tony Kakko: Foi uma situação dupla que tivemos com ele. Jani tinha esse empecilho militar, de cumprir suas obrigações civis com a Finlândia. Essa situação causou muitos problemas para a banda, porque ele não estava tendo coragem suficiente para prestar suas responsabilidades por si mesmo. Não estávamos satisfeitos com isso e acho que ele também não. Era uma daquelas situações em que você quer acabar seu relacionamento com uma pessoa, mas, para não tomar o primeiro passo, faz com que o outro ache motivos para terminar. Vimos que tudo tinha ido longe demais e que tínhamos de demiti-lo e seguir em frente. Nós o ajudamos na verdade a não ir para a prisão por tudo isso. Dois meses depois da sua saída, ele já estava muito melhor, então, foi o melhor que poderia ter acontecido para os dois lados, sem ressentimentos mútuos. Claro que nunca é fácil, por ser um cara que estava aí desde sempre, mas o show tem de continuar...

Whiplash: E como tem sido trabalhar com Elias Viljanen. Você acha que, num futuro álbum, ele trará algo novo para o Sonata Arctica?

Tony Kakko: Com certeza. É sempre bom ter alguém com a mente fresca na banda, com novas idéias. Temos passado muito tempo juntos, então certamente ele irá ajudar. Além disso, ele tem um estilo totalmente diferente do Jani, o que já se mostra nas músicas que tem tocado ao vivo. O melhor é que temos nos divertido muito, a coisa mais importante numa banda.

Whiplash: Logo após o “Reckoning Night”, vocês lançaram o primeiro DVD, “For the Sake of Revenge”. Como foi aquele show no Japão?

Tony Kakko: Foi muito legal, acho que poderíamos ter gravado em algum outro local, já que nosso primeiro CD ao vivo foi lá. Poderia ser em locais como Alemanha, Espanha, mas naquele ponto, o Japão era o único local no qual tínhamos certeza de que tocaríamos em uma casa com lotação esgotada, o que seria muito melhor para se gravar um DVD. Foi um ótimo show.

Whiplash: Uma das coisas mais engraçadas nele é o encerramento com “Vodka / Hava Nagila”. De onde surgiu aquela zoeira?

Tony Kakko: Esta é uma faixa que temos tocado já faz uns três ou quatro anos no fim de cada show. A idéia veio da música judaica “Hava Nagila”. Uma vez, começamos a cantar “Vodka, we need some vodka...” (“Vodka, nós precisamos de vodka...”). Realmente ficamos sem vodka no backstage (risos). Na verdade, nós precisávamos de alguma coisa engraçada para encerrar nossos shows e não ficar apenas naquele set normal. Além disso, todo mundo gosta de vodka, então a música ficou famosa nos shows do Sonata Arctica (mais risos).

Whiplash: Vocês já pensam em um novo DVD?

Tony Kakko: Já estamos estudando sim, mas o próximo será algo mais histórico, com filmagens que temos acumulado no decorrer dos anos, como as do nosso primeiro show. Deverá ser algo mais nessa linha, abordando toda a nossa carreira e provavelmente será lançado entre 2009 e 2010.

Whiplash: Outra coisa curiosa que ocorreu no decorrer deste tempo, foi a participação na versão finlandesa do “Ídolos”. O que vocês fizeram no programa?

Tony Kakko: Nós fomos entrevistados em certo ponto e haviam dois competidores que eram muitos fãs da banda e que foram muito longe na competição. Na verdade um ganhou o programa (Ari Koivunen), que cantou na final “Full Moon” e uma garota foi bem e, em uma das seleções, escolheu “Tallulah”. Como um agradecimento, eu compus “Paid in Full”, que depois resolvemos usar no disco. Acabou sendo algo muito positivo para a banda.

Whiplash: Bem, vamos falar de Brasil, já que vocês estão chegando por aqui. O que você lembra de 2002?

Tony Kakko: Lembro da boa comida, as belas pessoas e dos fãs, que fizeram os shows mais barulhentos da nossa história. Lembro bem que era fevereiro ou março, quando estamos acostumados a temperaturas bem baixas aqui, mas era o pico do verão no Brasil. Não acredito que demoramos tanto a voltar ao Brasil, foi tempo demais...

Whiplash: E o que se pode esperar desta nova passagem?

Tony Kakko: Será bem legal, estamos abordando faixas de cada álbum e com certeza haverá algumas das novas faixas no show. Esperamos que seja tão barulhento quanto o anterior.

Whiplash: Tony, muito obrigado pela entrevista, o espaço fica aberto.

Tony Kakko: Queria me desculpar por temos demorado tanto tempo. Não acredito que passaram tantos anos desde aquelas apresentações. Apenas esperamos ter tantos momentos legais quanto naquela ocasião e que vocês se divirtam com o Elias, que e um grande cara.

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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