Jake E. Lee: antes de Gus G, ele foi chamado para substituir Zakk
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 19 de dezembro de 2013
O guitarrista JAKE E. LEE, conhecido do público principalmente por seu trabalho com OZZY OSBOURNE e com o BADLANDS, conversou semana passada com o site da revista canadense BRAVE WORDS & BLOODY KNUCKLES quando começava a divulgação de seu vindouro novo álbum, com a banda RED DRAGON CARTEL, cujo trabalho de estreia será lançado em janeiro próximo.
Indagado pela revista sobre seu passado com Ozzy e o Badlands, ele revelou passagens pouco sabidas pelos fãs. O que segue abaixo é um segmento da conversa traduzido para o português.
Brave Words: Você mencionou a separação do BADLANDS. Até onde eu saiba, você nunca se pronunciou publicamente sobre o que causou a separação.
Jake E. Lee: Todos nos dávamos muito bem… até o fim. Naquele momento, fomos dispensados pela gravadora, e estávamos meio que passando por apuros financeiros. Por causa disso, e acho que pelo fato de Ray [Gillen] saber que não tinha muito tempo de vida [ele faleceu em 1993, aos 34 anos, vitimado por complicações decorrentes de AIDS] – apesar de isso nunca ter sido declarado especificamente naquela época – ele meio que começou a compor material que ele achava que nos colocaria nas rádios e nos tornaria uma banda maior. Eu estava no sentido contrário. Eu dizia, 'Eu to pouco me fudendo, não me importo. Nós não temos que estar nas rádios. Essa é uma grande banda, eu amo tocar nessa banda. Eu só quero tocar música. Eu não quero tocar algo para tentar me tornar algo. ' De qualquer modo, teve esse atrito ali, e o fato de que não estávamos fazendo dinheiro algum. Ensaios, e composições, estávamos nos estúdios, e as contas continuavam chegando – então estávamos entrando mesmo no vermelho. Até que chegou um dia que… eu não me lembro… eu acho que foi uma coisa meio mútua, ou Ray disse que saiu da banda, e eu disse, 'Beleza, você está demitido'. Tudo acabou muito mais feio do que precisava ser. Mas eu entrei em contato com Ray pouco antes de ele morrer. Fizemos as pazes. E eu sinto falta de Ray até hoje – todo dia. Não apenas como vocalista, mas como irmão. E eu fico feliz por ter conseguido conversar com ele antes de ele se ir. Na verdade, eu liguei pra ele quando ele estava no hospital, e eu não pude falar bem com ele – eu falei com a prima dele, que estava no quarto com ele. Isso porque naquela época ele não conseguia falar. Ele disse a ela, 'Eu sinto falta de Jake. Éramos uma grande equipe, e espero que um dia Jake telefone. ' Então quando eu de fato liguei, ela ficou muito animada. Ele ficou muito feliz por eu ter ligado, e eu disse a ela. 'Diga a ele que eu sinto falta dele. Vamos fazer algo – quando ele sair do hospital, vamos sair e começar a trabalhar em algo novo. ' Ele ficou empolgado com aquilo. Mas ele nunca saiu do hospital.
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Brave Words: Eu me lembro de boatos de que haveria uma reunião da banda de Ozzy no meio dos anos 90…
Jake E. Lee: Em dado momento, eu acho que foi na metade dos anos 90, Sharon estava na cidade e me telefonou. E eu não falava com ela desde… quando eu fora demitido. Ela disse, 'Jake, como você está? Vamos nos encontrar. ' Porque eu tenho uma filha, e ela tem filhas, e elas meio que cresceram juntas durante os anos com Ozzy. Ela disse, 'Vamos nos encontrar e almoçar. ' Então eu fui até lá e conversamos, mas isso nunca veio à tona. Eu acho que o fato de estarmos conversando pode ter ajudado a espalhar esse boato. Mas por volta de 2005, por aí, ela me telefonou de novo, e me perguntou diretamente, 'Você estaria interessado em fazer alguns shows de reunião e talvez gravar o próximo disco de Ozzy?' Eu simplesmente não estava preparado praquilo. Ela me desconcertou com aquilo, e eu disse, 'Bem, isso é algo pra se pensar bastante. Você pode me ligar de novo amanhã? Me dá 24 horas pra eu pensar. ' Ela disse 'claro,' e ela telefonou,mas eu ainda não tinha me decidido, então eu não atendi [risos]. Então eu achei que ela telefonaria no dia seguinte, mas ela nunca mais telefonou. Mas eu não acho que teria dado certo de qualquer jeito, porque naquela época, eu pensei, 'OK, eu vou considerar fazer isso, mas eu quero meus créditos por 'Bark At The Moon' – eu quero crédito por toas as músicas que eu compus.' Essa teria sido minha oferta. Então apesar de eu nunca ter tido oportunidade de dizê-lo, eu tenho certeza que as coisas não teriam funcionado, porque eu acho que ela esteja preparada para largar esse osso por algum motivo – eu não sei por quê. Mas foi quando eles estavam tendo muitos problemas com Zakk, e pode ter sido apenas o caso de ela querer chegar pra ele e dizer, 'Eu falei com Jake… te apruma. ' Essa pode ter sido a razão daquele telefonema. Quem sabe? Eu não sei.
Brave Words: E quais você diria que são suas faixas gravadas com Ozzy mais subestimadas?
Jake E. Lee: Subestimadas… eu sempre achei que 'Slow Down', de 'Bark At The Moon' fosse uma faixa muito boa. 'Now You See It [Now You Don't]'. Tantas dessas músicas nem foram tocadas ao vivo. E a última vez que eu as toquei ao vivo foi 30 anos atrás. Eu gostava de 'Spiders' [também conhecida como 'Spiders In The Night'], porque não era uma canção muito normal pro Ozzy – ela era meio estranha. De 'Ultimate Sin', 'Killer of Giants' é provavelmente a música da qual me orgulho mais. Eu não acho que você possa dizer que ela seja ignorada porque ela é conhecida. Mas eu tenho que dizer que, de todas as músicas que escrevi com Ozzy, eu acho que 'Killer of Giants' é a que eu tenho mais orgulho.'
Assista mais abaixo ao vídeo de um show completo do Red Dragon Catrtel, realizado no Brick By Brick de San Diego, Califórnia, no último dia 15. O track list da apresentação consistiu de:
'The Ultimate Sin' [Ozzy Osbourne]
'Deceived'
'High Wire' [Badlands]
'War Machine'
'Shine On' [Badlands)]
'Rock 'N' Roll Rebel' [Ozzy Osbourne]
'Shout It Out'
'In A Dream' [Badlands]
'Rumblin' Train' [Badlands]
'Sun Red Sun' [Badlands]
'Feeder'
'Bark At The Moon' [Ozzy Osbourne]
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