Nenhum de Nós: estupro, a ferida que não fecha
Por Bruce William
Fonte: Thedy Corrêa
Postado em 29 de maio de 2016
Thedy Corrêa, guitarrista e vocalista do Nenhum de Nós, e autor do maior sucesso da banda, a música "Camila, Camila", cuja letra fala justamente de um caso de violência sexual, postou em seu site um texto comentando o recente caso de um repugnante estupro coletivo acontecido no Rio de Janeiro, confira:
Há trinta anos atrás o Nenhum de Nós surgiu na cena do rock dos anos 80 com uma canção que abordava a violência de gênero.
"A vergonha no espelho naquelas marcas"
"Olhos insanos que passavam o dia a me vigiar"
"Às vezes peço a ele que vá embora"
Faça uma busca em sua memória e tente lembrar de outra música que tenha esse tema. Difícil, não é?
Pense em três caras, universitários, que queriam fazer uma banda e, quem sabe, viver do rock. Pense nos anos 80 como os primeiros passos pós-censura. Na verdade, ela ainda rolava. Nós queríamos o sucesso, mas não a todo preço. Queríamos deixar uma marca e construir uma carreira.
Você consegue pensar em alguém que faria o mesmo hoje em dia?
Infelizmente a nossa música "popular" está revestida de um verniz machista e repleta de desrespeito às mulheres. Quando a gente pensava que chamar alguém de cachorra seria o limite, vieram as letras que sugerem a embriaguez forçada seguida de "amor sem consentimento". O estupro oculto em metáforas absurdas que rodam em todas as rádios e TVs, ocupando feiras, festas e shows país afora. É o fundo do poço.
As mulheres viraram "malas feministas", exageradas, histéricas e recalcadas. Perfis de feministas são alvo de ataques e ameaças. Defensoras dos direitos das mulheres são rotuladas de "mal amadas"… Eu poderia listar outros tantos absurdos que encontram em "gente bacana e esclarecida", defensores obtusos e ignorantes desses agressores. Admiradores de um sujeito como o Bolsonaro, que disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário "porque ela é feia". Muitos concordaram com ele, afinal é petista e defensora dos direitos humanos, portanto, defensora de bandidos. Que país é esse?????? Onde foi parar nossa civilidade? O que nos diferencia dos animais? Tudo é permitido???
O caso da garota estuprada por 30 homens – eu os chamaria de ANIMAIS – não reabre nenhuma ferida, pelo simples fato de que essa ferida não fechou, não cicatrizou. Essa ferida é simplesmente IGNORADA diariamente no Brasil. Ela segue aberta e sangrando. Até quando?
ATÉ QUANDO????
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