Metallica: A importância da raiva no processo criativo da banda
Por João Paulo Andrade
Fonte: Metal Remains
Postado em 27 de junho de 2016
O baterista do Metallica, Lars Ulrich, foi o convidado do programa "Sommar & Vinter i P1", da rádio nacional sueca. No programa, os convidados podem falar livremente e sem interrupção sobre qualquer assunto que desejarem, além de escolher músicas para serem tocadas. Confira abaixo a trascrição traduzida de alguns trechos do programa.
Sobre o papel da raiva no processo de composição do Metallica:
Lars: "Muitas pessoas me perguntam sobre a presença da raiva em meu processo criativo. Eu cresci em um ambiente muito rico culturalmente. Muitas pessoas que tocam rock pesado hoje cresceram em lares quebrados, com relacionamentos muito problemáticos e até rebeldes com seus pais e suas proximidades. Eu nunca tive isso, e então a maior parte daquilo que me levou ao rock pesado foi a energia, o sentimento de pertencer a algo maior. Raiva e hostilidade nunca foram uma força que me guiou em meu relacionamento com o magnetismo que me levou ao rock pesado. Eu tenho que dizer que sendo dinamarquês, eu sempre tive, eu acho, um relacionamento bem fácil em ser do contra. Eu acho que muitos dinamarqueses são bem do contra e gostam de desafiar as coisas e gostam de... Se alguém falar, 'vamos para esquerda', então os dinamarqueses falarão, 'vamos para direita'. Eu certamente tenho uma atitude meio do contra que, eu acho, certamente vem de ser dinamarquês, e eu acho que o Metallica sempre curtiu flutuar por aí em nossa pequena bolha, vivendo em nosso próprio mundo, sendo do contra e um pouco do oposto daquilo que todo mundo abraça. Nós nunca fizemos parte de um grande movimento, de uma onda. Nós nunca particularmente sentimos que nos encaixávamos em nada, e o Metallica sempre, eu acho, curtiu um elemento de energia contrária."
Sobre se manter pé no chão, apesar do grande sucesso comercial do Metallica:
Lars: "Nós temos feito o que fazemos pela maior parte dos 35 anos, e obviamente quando você faz qualquer coisa por 35 anos, tem altos e baixos. Eu gostaria de pensar que nós temos lidado com o sucesso que tivemos sorte de ter de maneira bem equilibrada. As bandas que nos inspiraram e as bandas que nos fizeram ser uma banda - como os Motörheads e os Diamond Heads e os Iron Maidens do mundo - foram todas bandas que eram bem equilibradas e tinham bastante pé no chão, então nós sempre tentamos ter uma porta aberta com nossos fãs e ser o mais acessível possível, dadas as dinâmicas e circunstâncias que aconteciam na época."
Sobre o sucesso:
Lars: "Sucesso é uma coisa engraçada, pois o que isso realmente significa? Sabe, fama, sucesso... Tudo isso é, de certa forma, algo peculiar para se falar. Eu sinto que boa parte do sucesso que tivemos, meio que usamos para ter liberdade criativa. Nós sempre fomos pessoas bem curiosas, nós sempre tivemos medo da repetição, e sempre nos puxamos para tentar continuar a envolver e abrilhantar e mudar as coisas, e nós sempre, eu acho, tivemos um diálogo bem aberto e franco com nossos fãs a respeito, 'se vocês vão estar nesta jornada conosco, então se preparem para uma jornada que terá muitos lados e sentimentos'. Nós usamos nosso sucesso para forçar autonomia criativa. Nós nunca tivemos que depender de dinheiro de gravadoras e assim, tivemos um grande nível de liberdade para ir aonde queríamos e fazer o que queríamos, porque nunca devemos, ou raramente devíamos algo para alguém. Então quando eu penso no sucesso, a ligação que eu realmente sinto é liberdade e autonomia e meio que ir para onde quiser. E nós certamente fizemos muitas coisas diferentes no decorrer dos anos, a maioria, eu gostaria de pensar, com a mais pura das intenções. Algumas foram boas, outras não tão boas, mas sempre com a idéia correta em mente. Sempre livre de muitas propostas ou pontos pré-planejados de destino. O Metallica sempre gostou de pular de um penhasco e então, na descida, tentar descobrir onde chegaríamos, como chegaríamos e se sentir seguro sabendo que chegaríamos em algum lugar que nos sentiríamos bem. Então, para mim, a jornada sempre tem sido a parte mais interessante, ao invés do resultado."
Fonte (em inglês):
http://www.blabbermouth.net
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