Portnoy: "Tocarei com o Noturnall músicas que não toco desde que deixei o Dream Theater"
Por Homero Pivotto Jr.
Fonte: Homero Pivotto Jr.
Postado em 03 de novembro de 2019
Mike Portnoy se desdobra como um polvo atrás do kit percussivo. Por vezes, dá a impressão de que tem mais do que apenas dois braços, tamanha a desenvoltura com o instrumento. E ele também aproveita essa destreza de quem abraça oportunidades com garra para tocar uma quantidade considerável de projetos musicais: seis, oficialmente, no momento. Não bastasse, o baterista, que ganhou fama quando estava no grupo de metal progressivo Dream Theater, ainda tem outros compromissos paralelos à meia-dúzia de bandas com as quais está trabalhando em gravações de estúdio ou aparições ao vivo.
Uma dessas empreitadas extras inclui a parceria com os brasileiros da Noturnall para turnê pelo país. A união vai render nove shows em solo nacional, com repertório incluindo clássicos da carreira de Portnoy no Dream Theater e no Adrenaline Mob — além de temas do grupo anfitrião.
Porto Alegre recebe o espetáculo em 10 de novembro, domingo, às 21h, no Opinião (Rua José do Patrocínio, 834). A noite marca o reencontro de Portnoy com o guitarrista Mike Orlando, antigo parceiro no Adrenaline Mob e agora guitarrista do Noturnall. A ocasião inclui ainda participação de Edu Falaschi (ex-Angra) e homenagem a Andre Matos, com direito a filmagens que devem ser usadas para um futuro lançamento audiovisual. As bandas Bruthus (SP), Darkship (RS) e Ignited (SC) são as convidadas como atos de abertura.
Entrevistamos Portnoy para entender como rolou a colaboração com o Noturnall, o que esperar das apresentações pelo Brasil e de que maneira ele se agarra a tantos trampos simultaneamente.
Como ocorreu a aproximação com a Noturnall? E a ideia de sua juntar para tocarem juntos, de onde veio?
Mike Portnoy — Originalmente, o pessoal da Noturnall me procurou para tocar em uma faixa do álbum deles. Isso há cerca de um ano, e eu não sabia se teria disponibilidade para participar. Mas eles me mandaram a música e era muito legal! Então, no fim das sessões de gravação do Sons of Apollo, eu consegui terminar a composição deles e gravar. E fiquei muito feliz de ter conseguido!
E sobre a ideia de tocarmos juntos… Uma vez que enviei a música "Scream! For! Me!!" para os caras, eles me retornaram perguntando se eu estaria disponível e interessado em fazer alguns shows pelo Brasil. E, como adoro tocar no país — sempre foi um dos meus favoritos no mundo para se apresentar —, eu fiquei esperançoso de conseguir incluir esses compromissos no meu cronograma. E, com sorte, foi possível. Estou eufórico para retornar ao Brasil em novembro.
Recentemente foi lançado o vídeo para ‘Scream! For! Me!!’, música do Noturnall que tem participação especial sua. Como foi o processo de gravação da música? E como rolaram as filmagens do clipe (considerando que você não mora no Brasil)?
Mike Portnoy — Como comentei, consegui registrar minhas partes de bateria durante as sessões de gravação com o Sons of Apollo. E aproveitei para gravar vídeos com uma câmera na bateria, como costumo fazer nas sessions em que toco. Então, dei a eles uma série de imagens que foram incorporadas ao clipe. Eu gostaria de ter conseguido me juntar a Noturnall no Brasil para as gravações, já que as filmagens da banda parecem incríveis. Mas, infelizmente, só tive tempo para esses registros com câmera da bateria. Melhor isso que nada.
E sobre Edu Falaschi, vocalista com o qual vai fazer apresentações durante a turnê pelo Brasil: já conhece ele? Será a primeira vez que tocam juntos?
Mike Portnoy — Será a primeira vez que encontro não apenas o Edu, mas a banda (Noturnall) também — menos Mike Orlando, com quem já toquei. Ainda não passei nenhum tempo pessoalmente com os caras. Estou ansioso!
Com relação ao repertório escolhido, houve algum critério para definir quais músicas da sua carreira devem ser tocadas?
Mike Portnoy — Na verdade, o Noturnall foi quem escolheu os sons do Dream Theater que vamos tocar. E acredito que foram ótimas escolhas. Principalmente porque são músicas que não toco desde que saí do DT. Até o momento, tive poucas oportunidades de revisitar esse material. A mais conhecida foi a "Shattered Fortress Tour", que fiz há alguns anos. Eu ainda toquei algo do DT com o PSMS — grupo que tinha o baixista Billy Sheehan (Mr. Big, Steve Vai, David Lee Roth), o guitarrista Tony MacAlpine (Steve Vai) e o tecladista Derek Sherinian (ex-Dream Theater) —, com o Sons of Apollo e com o Flying Colours. Mas as composições que vou apresentar no Brasil com o Noturnall eu não toco desde que deixei o Dream Theater.
Quais sons do Dream Theater e do Adrenaline Mob os fãs podem esperar?
Mike Portnoy — Não vou comentar quais são para manter o elemento surpresa nos shows. Mas tenho de dizer que todas as faixas escolhidas são muito boas. Acredito que os fãs vão curtir!
Você costuma tocar músicas do Dream Theater com frequência? Segue em contato com o pessoal da banda?
Mike Portnoy — Creio que respondi na questão anterior se toco DT seguido. E sim, estou na boa com John Petrucci (guitarra) e Jordan Rudess (teclado). Inclusive, Jordan e eu tocamos juntos no começo deste ano em um cruzeiro revisitando algo do Dream Theater.
Mike Orlando, agora guitarrista do Noturnall, esteve com você no Adrenaline Mob. Há quanto tempo não dividem o mesmo palco? Como é estar juntos outra vez?
Mike Portnoy — Será a primeira vez junto com Mike Orlando desde… Meu Deus, a última vez que tocamos juntos foi um dia depois de AJ Pero (baterista do Adrenaline) morrer, em 2015. O Adrenaline tinha um show agendado e o AJ faleceu. Então, eles perguntaram se eu poderia tocar, como um tributo ao colega que havia nos deixado. Estou feliz de nos juntarmos mais uma vez, pois o Mike Orlando é um grande guitarrista. Vai ser divertido! Fico feliz de terem me convidado para fazer parte dessa empreitada.
Você parece estar bem envolvido com trabalho, atuando com vários projetos. Dentre eles, Flying Colors, Transatlantic e Sons of Apollo. Como lida com o tempo para contemplar tantas atividades e ainda dar atenção à família?
Mike Portnoy — Sim, é muito doido. Atualmente, estou com seis diferentes bandas — além de alguns projetos por fora. Em paralelo a essas seis bandas, tem outros trabalhos rolando (o Noturnall e álbuns de cover, por exemplo). Eu gosto de estar ocupado. Estou em meio a shows com o Flying Colors e a caminho de fazer outro álbum com o Transatlantic. Isso sem falar que estamos por lançar um disco do Sons of Apollo em janeiro e iniciar turnê. É bastante trabalho, mas sempre foi assim, estou acostumado com isso. Quanto à família, tenho sorte de eles serem extremamente apoiadores com relação ao que faço. Eles sabem o quanto são importantes para mim e que são sempre bem-vindos quando saio em turnê. Creio que é assim que se mantém uma família sensacional.
O quanto tocar bateria faz seu coração bater mais feliz? Ou dá um ritmo mais interessante à sua vida?
Mike Portnoy — Tocar bateria é uma das minhas grandes paixões. Mas, para ser honesto, o lance para mim é mais sobre fazer música. A bateria apenas calhou de ser meu instrumento. Sempre que faço um disco com qualquer uma das minhas bandas, fico muito inspirado e envolvido em todas as partes do processo — desde a composição até a produção, passando pelo merchandise às redes sociais. Todos esses aspectos são importantes. Só que a bateria é minha batida real. Creio que não vou deixar de tocar até meu coração parar de bater.
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