A história da música que marca a despedida de Ozzy Osbourne e virou seu epitáfio
Por Bruce William
Postado em 29 de julho de 2025
Em 5 de julho de 2025, aos 76 anos e já fragilizado pelo Parkinson, Ozzy Osbourne subiu ao palco pela última vez. A ocasião foi o "Back to the Beginning", show de despedida em Birmingham que reuniu os quatro integrantes originais do Black Sabbath.
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Uma das músicas mais esperadas da noite foi "Mama, I'm Coming Home", e a escolha não poderia ter sido mais simbólica. A canção, que já acompanhava Ozzy desde os tempos áureos de sua carreira solo, ganhou uma nova dimensão naquele momento: tornava-se uma espécie de despedida definitiva. Dezessete dias depois, Ozzy nos deixou. E a música que ele dedicava para sua esposa Sharon - e não para a mãe, como alguns chegam a pensar - passou a ser vista como seu epitáfio.
Lançada em 1991 no álbum "No More Tears", a faixa foi composta por Ozzy e Zakk Wylde, com letra escrita por ninguém menos que Lemmy Kilmister. "Ele escreveu em menos de duas horas", disse Ozzy, espantado. "Não são letras boas, são letras incríveis pra caralho" O título veio de algo que ele sempre dizia a Sharon ao telefone, nos momentos finais de cada turnê: "Mama, I'm coming home". "Mama" era seu apelido carinhoso para ela, usado também em músicas anteriores como "Flying High Again" e "Running Out of Time", relata a Songfacts.
A leveza e a sinceridade da faixa batiam de frente com os títulos sombrios dos álbuns anteriores. Era a primeira vez que Ozzy mostrava com tanta clareza um lado sensível e vulnerável. Ele havia abandonado as drogas e o álcool antes de gravar a música, uma mudança que ele creditava totalmente à esposa. "Eu teria morrido jovem se não tivesse ficado sóbrio", admitiu. Não por acaso, a composição foi recebida de forma calorosa tanto por fãs quanto pelas rádios, no que se tornou uma comprovação de que Ozzy era um dos raros roqueiros que ainda conseguiam emplacar sucessos inéditos, mesmo já sendo quarentão na época.
A música também bateu em corações de pessoas em lugares onde menos se esperaria. Lançada pouco depois do início da Guerra do Golfo, ela acabou sendo adotada por soldados como uma mensagem cantada às esposas. "Recebemos relatos de que combatentes mandavam essa música pras suas mulheres", contou Ozzy anos depois. A conexão próxima entre letra e emoção ultrapassou o contexto pessoal e ganhou contornos universais, fosse no fone de ouvido de um combatente, numa rádio de rock ou num estádio lotado.
Gravada com um arranjo simples, baseada em piano e violão de 12 cordas, "Mama, I’m Coming Home" nasceu de forma espontânea, natural. "O solo é tão fácil que posso tocar dormindo", disse Zakk Wylde, não em tom de crítica mas sim como um elogio à estrutura direta da música. O videoclipe, dirigido por Samuel Bayer - o mesmo de "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana - capturou Ozzy em tons sépia, refletindo a aura agridoce da canção (youtube).
Quando a cantou em seu último show, a voz já não tinha força, mas a emoção transbordava. Foi um reflexo maduro, sincero e tocante de uma vida cheia de excessos, perdas e amor. Ao final, restou uma única verdade: ele havia cumprido a promessa feita há mais de trinta anos, e estava, enfim, voltando pra casa.
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