O vocalista que tatuou a banda no braço e foi demitido em seguida
Por Bruce William
Postado em 25 de janeiro de 2026
Antes de "Images and Words" (1992) colocar o Dream Theater no radar de MTV e rádio, a banda já tinha tentado abrir caminho com o debut "When Dream and Day Unite" (1989). O problema é que o disco não andou: a coisa "flopou", a banda foi largada pela gravadora e ficou aquele gosto de "e agora?".
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E tem um detalhe que sempre volta quando esse primeiro álbum entra em pauta: o vocal era do Charlie Dominici, não do James LaBrie. Mike Portnoy resumiu em fala publicada na Louder por que muita gente trata aquele disco como "fora do catálogo": "Muitas dessas músicas não são consideradas no mesmo nível do resto do catálogo do Dream Theater por dois motivos. Um é porque era um vocalista diferente; muita gente tem dificuldade de aceitar como 'Dream Theater de verdade' porque era o Charlie cantando."
O outro motivo, segundo o próprio Portnoy, foi bem pé no chão: "A outra é a produção - era tão barata que a qualidade sonora do álbum não é tão boa quanto a do resto do catálogo. Mas se você tirar esses problemas e só ouvir a música em si, aquilo é o molde do som do Dream Theater, com certeza."
Só que o baque do disco foi só metade do drama. Pouco depois, eles também decidiram encerrar a parceria com Dominici, após alguns shows. John Petrucci lembra que a sequência foi um banho de água fria: "A gente era bem jovem... conseguimos um contrato, provamos um pouco de carreira profissional... e meio que caímos fora. Depois dispensamos o Charlie, e viramos uma banda instrumental sem gravadora, pensando se isso um dia ia acontecer."
Dominici, por sua vez, ficou com aquela sensação de "eu via uma coisa ali dentro e não deu": "Eu tinha tantos sonhos de que as pessoas veriam o que eu via na banda, mas não era pra ser. Não por mais três ou quatro anos... até que eles finalmente fizeram o que eu sugeria desde o começo, colocaram uma música que funcionasse no rádio, e a banda explodiu literalmente do dia pra noite."
A cereja amarga dessa história é a tatuagem. Portnoy conta que fez a tattoo do "Majesty" logo depois do contrato, e que Dominici acabou fazendo a mesma - só que quando eles já desconfiavam que não ia dar certo com ele: "Ele foi embora não sendo mais do Dream Theater, com uma tatuagem do Dream Theater, e agora aqui estou eu, todos esses anos depois, não estando no Dream Theater e com uma tatuagem do Dream Theater."
Se tem moral nisso, é uma bem simples: na música, "pra sempre" às vezes dura duas semanas, mas a tinta fica...
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