O gigante do jazz que impressionou Angus Young; "um dos maiores músicos de todos os tempos"
Por Bruce William
Postado em 26 de junho de 2026
Angus Young passou a carreira provando que uma ideia simples pode render muito quando há convicção, som e personalidade. O AC/DC nunca pareceu interessado em reinventar a roda a cada álbum. A banda pegou o blues, o rock and roll primitivo, o riff seco e a energia de palco, apertou tudo num formato próprio e seguiu em frente como se qualquer complicação excessiva fosse uma falha de caráter.
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Por isso, às vezes dá a impressão de que as referências de Angus cabem em uma prateleira pequena: Chuck Berry, Little Richard, blues elétrico, rock dos anos 1950 e aquela urgência de banda que quer fazer a plateia se mexer antes de pensar. Mas sua admiração musical vai um pouco além da guitarra berrando no volume máximo. Um dos artistas que mais o marcaram veio de outro universo: Louis Armstrong.
Segundo a Far Out, Angus falou sobre essa admiração em entrevista à Louder. O guitarrista contou que viu Armstrong quando ainda era criança, levado pela irmã e pelo cunhado: "Minha irmã e o marido dela me levaram para vê-lo quando eu era criança, e isso sempre ficou comigo. Ainda acho que ele foi um dos maiores músicos de todos os tempos. Quando você ouve seus discos antigos e percebe a musicalidade e a emoção neles, e se dá conta de que a tecnologia naquela época era quase inexistente - tudo tinha que ser feito em um take."
A experiência ficou guardada como uma daquelas memórias que não precisam ser revisitadas o tempo todo para continuar fazendo efeito, e ajuda a entender o tipo de grandeza que Angus reconhece. Armstrong não impressionava apenas pela técnica, embora técnica ali sobrasse. Ele tinha fraseado, carisma, voz, presença e uma capacidade rara de transformar sofisticação musical em comunicação direta. Era jazz, mas também era entretenimento popular no sentido mais nobre da palavra: música complexa o bastante para atravessar gerações e simples o bastante para atingir qualquer ouvido aberto.
Armstrong também sabia fazer algo que o AC/DC entenderia muito bem décadas depois: criar assinatura imediata. Bastava entrar o trompete, a voz rouca, o jeito de atacar uma melodia, e o ouvinte sabia quem estava ali. "What a Wonderful World" e "Hello, Dolly!" não precisam de manual de jazz para funcionar. Elas existem naquele ponto em que personalidade e canção viram uma coisa só.
O AC/DC também herdou, por caminhos tortos, a ideia de que uma voz não precisa ser bonita de maneira convencional para ser poderosa. Armstrong tinha aquele timbre áspero e caloroso, longe da limpeza perfeita. Bon Scott e Brian Johnson, cada um à sua maneira, também fizeram da rugosidade uma arma. O rock aprendeu muito com cantores que pareciam carregar areia na garganta e verdade no ataque.
A admiração de Angus por Louis Armstrong lembra que as influências musicais raramente obedecem às fronteiras organizadas por lojas de discos. Um guitarrista associado ao hard rock mais direto pode encontrar lições em um mestre do jazz. Não porque os estilos sejam parecidos, mas porque algumas qualidades atravessam qualquer rótulo: presença, sentimento, precisão e a capacidade de fazer uma nota parecer inevitável.
No fundo, Angus Young talvez tenha reconhecido em Armstrong algo que também buscaria no AC/DC: música feita para ser sentida de imediato, sem perder força com o tempo. O trompete de Armstrong e a Gibson SG de Angus moram em bairros diferentes da história, mas os dois entenderam uma coisa essencial. Quando o som é verdadeiro, não precisa pedir licença para entrar.
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