O álbum mais bem-sucedido de Jeff Beck que o próprio guitarrista gostaria de apagar
Por Bruce William
Postado em 29 de agosto de 2026
É difícil imaginar um músico querendo apagar justamente o trabalho que se tornou seu maior sucesso comercial, mas Jeff Beck nunca teve uma relação muito convencional com a própria carreira. "Blow by Blow", lançado em 1975, chegou ao quarto lugar da Billboard e virou referência do jazz-rock instrumental. Décadas depois, porém, o guitarrista dizia desejar ter seguido outro caminho.
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Beck não entrou no projeto pensando em se transformar num músico de jazz. Em entrevista à Guitar Player, ele contou que sua intenção era exatamente evitar esse tipo de resultado. "Eu estava determinado a não entediar ninguém com jazz. Coisas como 'Blow by Blow' eram jazz sem filtro, mas eu não pensava assim na época", afirmou.
O álbum foi produzido por George Martin e gravado com músicos como Max Middleton, Phil Chen e Richard Bailey. Na época, Beck parecia satisfeito com a nova direção e chegou a dizer em entrevista de 1975 que o disco, apesar de pequenos detalhes que o incomodavam, "não soava tão mal". O problema veio depois, quando percebeu que aquela fase havia praticamente redefinido sua imagem pública.
Com o tempo, a avaliação ficou bem mais severa. Beck disse que gostaria de nunca ter gravado Blow by Blow e chegou a classificar aquele conjunto de discos como "erros em vinil". Para ele, teria sido melhor continuar explorando um rock mais cru em vez de se deixar puxar para o universo da fusion.
A irritação também vinha da sensação de ter perdido parte do controle musical. Beck reclamava que os músicos ao redor naturalmente levavam os arranjos para o jazz e que ele não conseguia empurrá-los para outra direção. O baterista Simon Phillips chegou a usar o termo "fuzak", mistura de fusion com muzak, para definir aquele tipo de som - e Beck contou que a palavra resumiu perfeitamente o incômodo que passou a sentir.
A ironia é que o público enxergou exatamente o contrário. "Blow by Blow" tornou-se o disco mais vendido de sua carreira e ajudou a consolidar Beck como um guitarrista capaz de atravessar rock, jazz e fusion sem precisar de vocalista. A parceria com George Martin também foi decisiva para dar ao álbum uma produção muito mais sofisticada do que seus trabalhos anteriores.
Beck passou a vida evitando permanecer confortável por muito tempo em qualquer fórmula. Talvez por isso tenha desenvolvido tamanha implicância com um disco que, para quase todo mundo, representava um triunfo. O público ouviu um clássico; ele passou a ouvir o momento em que sua carreira tomou uma direção da qual gostaria de ter escapado.
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