Os 30 melhores álbuns do blues rock britânico segundo a Classic Rock
Por João Renato Alves
Postado em 20 de outubro de 2026
A revista britânica Classic Rock elaborou uma lista com os 30 melhores álbuns do blues rock local de acordo com a sua redação. O ranking pode ser conferido abaixo. Para conferir os comentários sobre todas as escolhas, clique neste link.
Melhores e Maiores - Mais Listas
30. Frankie Miller - The Rock (Chrysalis, 1975)
29. Humble Pie - Safe As Yesterday Is (Immediate, 1969)
28. Taste - On The Boards (Polydor, 1970)
27. Spooky Tooth - Spooky Two (Island, 1969)
26. Juicy Lucy - Juicy Lucy (Vertigo, 1969)
25. Chicken Shack - 40 Blue Fingers Freshly Packed And Ready To Serve (Blue Horizon, 1968)
24. Manfred Mann - The Five Faces Of Manfred Mann (HMV, 1964)
23. Blind Faith - Blind Faith (Polydor, 1969)
22. Graham Bond Organisation - There's A Bond Between Us (Columbia, 1965)
21. Blodwyn Pig - Ahead Rings Out (Chrysalis, 1969)
20. Robin Trower - Bridge Of Sighs (Chrysalis, 1974)
19. Climax Blues Band - Plays On (Parlophone, 1969)
18. Savoy Brown - Blue Matter (Decca, 1969)
17. The Groundhogs - Thank Christ For The Bomb (Liberty, 1970)
16. Rory Gallagher - Tattoo (RCA, 1973)
15. Them - Them (Deram, 1965)
14. John Mayall & The Bluesbreakers - A Hard Road (Decca, 1967)
13. Bad Company - Bad Company (Island, 1974)
12. The Animals - The Animals (Columbia, 1964)
11. Alexis Korner's Blues Incorporated - R&B From The Marquee (Ace Of Clubs, 1962)
10. Fleetwood Mac - Mr Wonderful (Blue Horizon, 1968)
9. Free - Tons Of Sobs (Island, 1968)
8. Jeff Beck - Truth (Epic, 1968)
7. Ten Years After - Undead (Deram, 1968)
6. Yardbirds - Five Live Yardbirds (Columbia, 1964)
5. The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced? (Track, 1967)
4. Cream - Fresh Cream (Reaction, 1966)
3. Rolling Stones - Rolling Stones No.2 (Decca, 1965)
2. Led Zeppelin - Led Zeppelin (Atlantic, 1969)
1. John Mayall & The Bluesbreakers With Eric Clapton - Bluesbreakers (Decca 1966)
Sobre o vencedor, a publicação destaca: "Não existe guitarrista britânico de blues rock que não tenha ficado boquiaberto - ou, como dizem em inglês, com as orelhas 'pregadas na parede' - na primeira vez em que ouviu o álbum 'Bluesbreakers'.
John Mayall já era um músico consolidado na cena blues britânica. Clapton havia se juntado a ele um ano antes em busca de um paraíso purista - primeiro, devorando a inigualável coleção de discos de blues de Mayall; depois, aumentando o volume de sua guitarra e desenvolvendo aquele estilo vibrante e intenso que levou as pessoas a picharem 'Clapton é Deus' em muros por toda Londres.
Quando a banda entrou nos estúdios da Decca, em West Hampstead, em abril de 1966, Clapton montou seu equipamento exatamente como fazia no palco, causando um verdadeiro pandemônio na sala de controle. O produtor Mike Vernon e o engenheiro de som Gus Dudgeon - ambos destinados a se tornarem figuras lendárias no ambiente de estúdio - pediram que ele baixasse o volume, mas Clapton se recusou.
Em uma decisão que se provaria histórica, Vernon e Dudgeon optaram por lidar com a distorção, ajustando os demais níveis para tentar encontrar um equilíbrio. O resultado foi uma força bruta que, mesmo 31 anos depois, ainda é capaz de chocar e impressionar. Logo na primeira nota de 'All Your Love', de Otis Rush, a Gibson Les Paul de Clapton corta o ar com um volume tão alto que quase destrói os microfones. Depois de 'Bluesbreakers', todos os álbuns de blues britânicos passariam a ser dominados pela guitarra.
Ajuda o fato de Clapton estar em uma fase esplêndida, transbordando a ousadia arrogante da juventude e uma confiança inabalável - justificando, assim, seu status de 'Deus'. Após a dinâmica de alternância entre ritmos lentos e rápidos em 'All Your Love', ele mergulha na faixa instrumental 'Hideaway', de Freddie King, com uma fluidez madura; e, em 'Double Crossing Time' - composição do próprio Mayall -, ele toca com um abandono quase imprudente.
Sua estreia nos vocais, na música 'Ramblin' On My Mind', de Robert Johnson, soa tímida se comparada à sua performance na guitarra, mas a canção tornou-se um marco constante ao longo de toda a carreira de Clapton. Já a curta e incisiva faixa instrumental 'Steppin' Out' acabaria sendo transformada em um épico de 15 minutos na época em que ele integrou o grupo Cream. Mas o ponto alto - a sua pièce de résistance - surge na faixa de seis minutos 'Have You Heard', outra composição original de Mayall, na qual Clapton redefine, de fato, o solo de guitarra no slow blues para a década seguinte. Muitos diriam que Clapton jamais tocou um solo melhor ou mais inspirado.
A contribuição de Mayall para os Bluesbreakers não deve ser subestimada. Ele dá liberdade total a Clapton, mas permanece, inequivocamente, como o líder da banda e uma personalidade marcante - seja cantando, tocando teclado ou tocando gaita, o que ele faz em algumas faixas que destacam o seu desempenho individual, como 'Another Man' e 'Parchman Farm'.
Há também o baixista John McVie, que ganhou experiência antes de integrar o Fleetwood Mac, servindo como base rítmica ao lado de Hughie Flint (que ainda toca na Blues Band). Flint era um baterista com uma abordagem mais leve do que a maioria de seus sucessores no blues rock, mas perfeitamente competente para a função. O produtor Vernon acredita que Mayall nunca superou aquele álbum.
'A energia criada por aquela banda, quando Eric estava nela, era algo especial', disse ele ao escritor John Pidgeon. 'Tivemos sorte. Conseguimos capturá-la naquele disco. A química era perfeita.'
'Bluesbreakers' foi o primeiro álbum de blues a entrar nas paradas britânicas, alcançando a 6ª posição no verão de 1966. Naquela altura, Clapton já havia saído para formar o Cream. As coisas aconteciam muito rapidamente."
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