Em rara entrevista, Mary Austin lembra últimas palavras de Freddie Mercury
Por João Renato Alves
Postado em 01 de setembro de 2026
Ex-namorada, melhor amiga e principal herdeira da fortuna de Freddie Mercury, Mary Austin concedeu rara entrevista ao The Guardian. Durante a conversa, ela lembrou como foi difícil acompanhar as últimas semanas de vida do vocalista do Queen, além de lembrar a opressão social que ele sofria após se tornar uma pessoa pública.
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"Ele queria viver a sua vida. É triste; você quer viver a vida e, então, percebe que talvez tenha esticado demais o livro e a lombada acaba rachando. Acho que ele viveu seus momentos de maior liberdade em Nova York. Não estava sendo perseguido. Nos Estados Unidos, podia transitar entre estados. Podia desaparecer quando estavam em turnê. Mas também conseguia fazer isso na França, assim como em Munique. Onde quer que houvesse maior aceitação de sua sexualidade, ele era feliz."
Na casa de Mercury em Londres, no entanto - numa época em que os paparazzi na Inglaterra estavam fora de controle -, jornalistas se aglomeravam na rua na esperança de conseguir um furo de reportagem sobre seus problemas de saúde. "A mídia britânica teve um impacto enorme e moldou a maneira como ele vivia. Lembro-me de um entregador de moto chegando para buscar um filme. Ele perguntou se havia alguma novidade e alguém gritou: 'Não, ele ainda não morreu'."
O fato aconteceu cerca de duas semanas antes de Freddie falecer. "Eles ficavam à espreita, como abutres. Esperando sua aparição quando ele tinha consultas médicas e precisava sair de casa. Freddie precisava de iscas para despistá-los. A situação virou um caos."
Dentro de casa, Mercury tinha cautela em relação ao filho de Austin, de quem era padrinho. "Ele sabia que tinha AIDS e achava que nunca deveria tocar no Richard ou chegar perto dele, porque se sabia muito pouco sobre o vírus naquela época. Eu estava grávida novamente e fiquei lá, ao lado da cama. Segurava a mão dele, fazia o que fosse preciso."
Austin fez uma pausa após ser convidada a recordar as últimas palavras de Freddie para ela, antes de dizer: "Eu estava segurando sua mão. Ele estava sob efeito de morfina, oscilando entre a consciência e a inconsciência, e acabava dormindo de novo. Fiquei ali por um bom tempo; finalmente ele recobrou a consciência e disse apenas: 'Minha velha e fiel companheira'. Então, me senti um pouco como uma cachorra. Não me senti lisonjeada."
Ela revelou que ele nunca lhe disse que a amava e que sua maneira de expressar amor era "comprando coisas" para as pessoas. E afirmou que a música "Love of My Life", na verdade, não era sobre ela. "Ele nunca disse que era sobre mim. Ele escreveu 'Lily of the Valley' para mim."
Ao ser questionada se ele realmente foi o amor de sua vida, Austin disse: "Acho que posso dizer que, olhando para trás, até agora, sim, ele é o amor da minha vida."
Farrokh Bulsara nasceu em Zanzibar, atual território da Tanzânia. Desde a infância mostrou aptidão para a música, realizando apresentações com colegas de escola em bandas locais. Mudou-se para Londres com toda a família aos 17 anos.
Nos anos 1970, se juntou a Brian May e Roger Taylor na criação do Queen. John Deacon apareceria posteriormente e fecharia o quarteto que pelas próximas décadas vendeu mais de 700 milhões de discos em todo o planeta.
Paralelamente, a partir dos anos 1980 desenvolveu carreira paralela que incluiu um disco solo e outro em parceria com a cantora lírica espanhola Montserrat Caballé. Morreu no dia 24 de novembro de 1991, em decorrência das consequências da AIDS.
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