O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de outubro de 2026
Antes das redes sociais, uma única aparição na TV aberta podia definir o rumo de uma carreira. Errar diante das câmeras costumava significar o fim das chances, e esse foi exatamente o medo de Rogério Skylab na primeira vez em que sentou no sofá de Jô Soares.

Em entrevista ao programa Um Assado Para, do canal Duda Garbi, o cantor contou que foi vaiado pela plateia e desagradou o apresentador ao criticar Ayrton Senna em sua estreia no programa. Influenciado pelos grupos de estudo de filosofia que frequentava no Rio de Janeiro, ele repetiu a tese, atribuída ao filósofo Carlos Henrique Escobar, de que o piloto era "um peão das multinacionais".
A ida ao programa foi uma aposta. Depois do primeiro disco, no início dos anos 1990, Skylab não conseguia entrar em uma grande gravadora e, por consequência, também ficava fora do rádio e dos grandes jornais. Insistiu com a produção do Jô até ser chamado, no terceiro release enviado. "Eu falei: o que eu vou fazer? Não estou conseguindo entrar numa grande gravadora. Não vou tocar na rádio, porque a relação é direta. É difícil ser bem recebido na grande imprensa escrita. Aí eu vi o programa do Jô e falei: é aí, é a brecha", lembrou.
Mesmo com as músicas planejadas, a conversa desandou. Segundo Skylab, o tema surgiu sem que ele esperasse, Senna havia morrido pouco tempo antes e Jô era muito amigo do piloto. "Eu me dei muito mal, porque fui vaiado pela plateia e o Jô não gostou. Naquele momento eu falei: eu não volto mais", contou.
A recuperação veio pela música. "Num determinado momento da entrevista, ele me pede para dar uma palinha numa música do disco. O público aplaudiu, achou engraçado. O Jô percebeu que o público gostou e continuou nessa. Quando ele me pediu a terceira e o público gostou mais, eu falei: eu estou nesse exato momento virando o jogo", descreveu.
A partir dali, Skylab virou figura frequente no talk show. Ele estima ter feito cerca de dez participações e lembra de uma noite em que ocupou sozinho todos os blocos, quase uma hora e meia de programa. Em outra edição, exibida no dia da morte de Roberto Marinho, a produção cortou um verso de "Mictório" que mencionava o presidente da Rede Globo.
Confira o vídeo completo abaixo.
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