A banda que deveria salvar o rock nos anos 1970 e não amadureceu, segundo Rod Stewart
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de outubro de 2026
Rod Stewart nunca escondeu a admiração pelo The Clash, mas também não poupou a banda de Joe Strummer e Mick Jones de uma crítica dura. A declaração do cantor foi relembrada pela Far Out Magazine, em texto assinado por Tim Coffman. Na fala, o britânico exalta o talento do grupo, mas diz que o quarteto ficou preso a um discurso que não evoluía.
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"Eu gosto muito do The Clash. 'The Magnificent Seven' é maravilhosa, uma das melhores faixas do ano passado, eu acho, e 'Hitsville UK' deveria ter sido um grande sucesso", afirmou Stewart. Logo em seguida, veio a ressalva: "Mas você não pode ficar choramingando e reclamando do estado da droga do mundo pelo resto da vida. Os chamados salvadores do rock and roll, e eu incluo o The Clash nisso, simplesmente não amadureceram."
O comentário ganha outro peso quando se lembra o que o punk representava no fim dos anos 1970. O movimento surgiu justamente como reação a astros considerados exagerados e distantes, categoria em que o próprio Stewart costumava ser incluído. Sex Pistols e Ramones despejavam energia crua contra as grandes produções, e o The Clash se destacava como o nome mais eclético da primeira leva, misturando reggae, referências ao rock clássico e letras politizadas.
Stewart, por sua vez, vinha de uma trajetória marcada por mudanças de rota. Influenciado desde cedo por cantores de rhythm and blues (R&B), ele chegou a flertar com a disco music em "Da Ya Think I'm Sexy?" e emplacou faixas de tom mais extravagante, como "Hot Legs". Segundo a Far Out, o cantor tinha consciência de que algumas fases da carreira soaram polidas demais, o que ajuda a explicar o interesse pela fome das bandas mais jovens.
A publicação britânica, porém, discorda da avaliação. Para Coffman, a tal maturidade cobrada por Stewart não era exatamente o que o punk precisava para sobreviver. O autor argumenta que o The Clash amadurecia rapidamente como banda e que, mesmo na reta final, com o álbum "Cut the Crap", seguia usando as músicas para dar voz a quem não tinha espaço para falar.
O texto conclui que o cantor errou ao julgar a natureza do rock. Na visão da Far Out, a revolta que move os jovens do punk é exatamente o que mantém essas bandas eternamente jovens. A ironia, segundo o autor, é que o próprio Stewart, dono de uma carreira construída sobre a juventude e a atitude, deveria entender isso melhor do que ninguém.
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