O álbum vintage que define o que é rock and roll de verdade, segundo Joe Perry
Por Bruce William
Postado em 15 de outubro de 2026
Quando o Aerosmith começou a conquistar espaço na década de 1970, Joe Perry já tinha uma ideia bastante clara do tipo de música que queria fazer. O guitarrista havia crescido ouvindo blues, rock and roll e bandas britânicas como Yardbirds e Rolling Stones, mas uma de suas maiores referências vinha de um músico americano que ajudou a estabelecer as bases do gênero: Chuck Berry. E havia um disco em particular que, para Perry, reunia praticamente tudo o que o rock precisava ter.
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Lançado em 1959, "Berry Is on Top" chegou às mãos de Perry em meados dos anos 1960, quando ele ainda estava aprendendo a tocar guitarra. O álbum reunia clássicos como "Johnny B. Goode", "Roll Over Beethoven", "Maybellene" e "Carol". Não era uma coletânea convencional de grandes sucessos, embora trouxesse várias das gravações mais conhecidas de Berry.
Em uma entrevista concedida à Rolling Stone em 1999 e resgatada pela Far Out, Perry fez uma avaliação bastante enfática do álbum. "Berry Is on Top provavelmente é meu disco favorito de todos os tempos. Ele define o rock and roll", declarou. Para o guitarrista, a importância daquelas gravações estava especialmente na maneira como Berry combinava ritmo, melodia e uma forma de tocar que muitos tentaram reproduzir sem conseguir alcançar o mesmo resultado.
Anos depois, conversando com Andrew Daly, do site Classic Rock History, Perry voltou ao assunto. Ele contou que reconheceu imediatamente naquele disco o caminho musical que desejava seguir. "Foi o primeiro disco de Chuck Berry que conheci, em meados dos anos 60. Ouvi aquilo e soube que era o tipo de música que eu queria tocar", recordou. Segundo ele, a maneira como Berry tocava continua representando o verdadeiro rock and roll, algo que pouquíssimas bandas conseguiram reproduzir com a mesma naturalidade.
O guitarrista aprofundou essa explicação em outra entrevista, publicada pela Guitar Player. Perry destacou a combinação entre a batida regular e o balanço das gravações de Berry, característica que considerava fundamental para o gênero. Ele citou os Rolling Stones como exemplo de banda que compreendeu essa linguagem, especialmente pela atenção dada à maneira como o piano de Johnnie Johnson dialogava com a guitarra de Berry. Muitas outras bandas, segundo ele, simplesmente tocavam de forma pesada e repetitiva, deixando escapar justamente o que tornava aquelas músicas tão especiais.
Essa influência também ajuda a compreender o interesse do Aerosmith pelas raízes do rock and roll. Ao longo da carreira, o grupo gravou versões de músicas como "Train Kept A-Rollin'", popularizada anteriormente pelos Yardbirds, e "Come Together", dos Beatles, além de incorporar elementos de blues e rhythm and blues ao seu repertório. Perry sempre demonstrou interesse especial pela interação entre as guitarras e pela força de riffs relativamente simples.
Para o músico, o legado de Chuck Berry está justamente nessa combinação aparentemente descomplicada, mas difícil de imitar. Mais de seis décadas depois do lançamento de "Berry Is on Top", Perry continua considerando aquelas gravações uma espécie de lição fundamental para qualquer guitarrista interessado em compreender de onde veio o rock and roll.
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