O riff de Kerry King que nasceu nos bastidores da turnê de despedida do Slayer
Por Gustavo Maiato
Postado em 01 de novembro de 2026
A turnê de despedida do Slayer durou 18 meses e somou 147 shows, e nem toda a música daquele período ficou nos palcos. Em entrevista a Nick Bowcott, do canal da Sweetwater, Kerry King revelou que um dos riffs de "Toxic", faixa de "From Hell I Rise", surgiu nos bastidores de um show em Detroit, ainda durante essa turnê de despedida, enquanto ele caminhava para o palco.
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A faixa é uma das mais carregadas de riffs do disco. Bowcott destacou que só a introdução de "Toxic" reúne três deles em sequência. O excesso chamou a atenção até de Brian Slagel, da Metal Blade Records, que ouviu o álbum na casa dele antes do lançamento. Segundo Kerry, Slagel sugeriu que, se o trabalho ainda não tivesse nome, deveria se chamar "Riff City". O guitarrista recusou a ideia, já que o título estava definido.
"Criei um desses riffs nos bastidores em Detroit, na última turnê [de despedida] do Slayer. A gente estava indo para o palco, eu inventei aquilo, corri, peguei o celular e gravei, porque nunca teria lembrado. Nunca. (...) Gravei acusticamente no celular só para ter uma referência, voltar a ele no meu dia de folga e trabalhar nele. Aí esse riff começou a se transformar na outra versão, que soa um pouco parecida, mas é óbvio que as duas tinham que ficar juntas."
O riff original deu mais trabalho do que o improviso nos bastidores sugere. Kerry contou que testou várias versões até encontrar o lugar certo de cada parte na música. "Esse demorou para ficar pronto, porque eu tinha muitas versões dele, tentando descobrir e decidir onde aquelas partes precisavam estar para se complementarem ao máximo. E ele vai mudando até você gravar. Gosto dele do jeito que está. Acho que consegui deixá-lo onde precisava estar", afirmou.
O método se repete em boa parte da obra do guitarrista, que guarda centenas de ideias gravadas no celular. Quase sempre a música vem antes da letra, e tudo começa por um riff isolado. "Normalmente eu invento algo e ele ainda não tem amigos. Está só esperando os amigos nascerem e se juntarem a ele", explicou. Parte desse acervo vem da época de "Repentless" e, segundo Kerry, deve ser usada no segundo disco da banda.
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