30 anos da morte de Renato Russo: confira 30 curiosidades que você não conhecia
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de outubro de 2026
A morte de Renato Russo completou 30 anos no último domingo (11). O vocalista e principal compositor da Legião Urbana morreu em 11 de outubro de 1996, no Rio de Janeiro, aos 36 anos, em decorrência de complicações da Aids. Como relembrou o Whiplash.net em texto sobre o legado do cantor, sua importância vai além do sucesso comercial da banda: suas composições trataram de questões pessoais e sociais.
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Por trás do ídolo existe uma trajetória cheia de episódios menos conhecidos. Ela passa por uma infância em Nova York, por uma doença que o tirou de circulação na adolescência e por uma banda inventada, além de projetos solo em inglês e italiano. A seguir, 30 curiosidades sobre o artista.
1. Renato Manfredini Júnior escolheu o sobrenome artístico "Russo" em homenagem a três nomes que admirava: os filósofos Bertrand Russell e Jean-Jacques Rousseau e o pintor francês Henri Rousseau.
2. Nascido no Rio em 27 de março de 1960, ele se mudou ainda criança para o bairro do Queens, em Nova York, onde o pai trabalhava pelo Banco do Brasil. A família voltou ao País em 1969, e o inglês fluente veio dessa época.
3. Em 1973, a família se instalou em Brasília. A capital federal virou cenário e assunto de boa parte das letras que ele escreveria nos anos seguintes.
4. Aos 15 anos, foi diagnosticado com epifisiólise, uma doença que afeta os ossos do quadril. Passou por cirurgia e enfrentou meses de recuperação, boa parte deles sem poder andar.
5. Durante esse período de reclusão, inventou a 42nd Street Band, uma banda fictícia com integrantes, discografia e biografia próprias. Criou até um alter ego para si, chamado Eric Russell.
6. Antes da fama, Renato deu aulas de inglês na Cultura Inglesa de Brasília, emprego que conciliava com a vida na cena musical da cidade.
7. Ele fez parte da chamada Turma da Colina, grupo de jovens que circulava em torno da Universidade de Brasília (UnB). Desse ambiente saíram nomes como Capital Inicial e Plebe Rude.
8. Em 1978, fundou o Aborto Elétrico, sua primeira banda de punk, ao lado do baterista Fê Lemos e do guitarrista sul-africano André Pretorius. Renato tocava baixo.
9. O fim do Aborto Elétrico, em 1982, deu origem ao Capital Inicial, formado pelos irmãos Fê e Flávio Lemos. A banda gravou canções da época com assinatura de Renato, como "Música Urbana" e "Fátima".
10. Depois da separação, ele se apresentou por um tempo como Trovador Solitário, apenas com voz e violão. Muitas composições que depois ganhariam o Brasil nasceram nessa fase.
11. "Faroeste Caboclo" foi composta no fim dos anos 1970. A música tem mais de 150 versos, nenhum refrão e passa dos nove minutos, mas virou hit nas rádios quando saiu, em 1987.
12. A Legião Urbana surgiu em 1982, com Renato e o baterista Marcelo Bonfá. O guitarrista Dado Villa-Lobos entrou pouco depois, e o baixista Renato Rocha integrou o grupo de 1984 a 1989. Anos mais tarde, em entrevista à MTV lembrada pelo Whiplash.net, Renato definiu a Legião como "um conjunto musical brasileiro que canta letras em português", nascido da experiência urbana de ser jovem no Brasil a partir dos anos 1970.
13. O primeiro disco, "Legião Urbana", saiu em 1985 pela EMI e trazia "Será", "Ainda É Cedo" e "Geração Coca-Cola". O som pós-punk rendeu comparações com bandas estrangeiras, e nem todas agradavam ao cantor: entre os nomes citados ao longo da carreira, ele listou U2, The Smiths, The Cure, REM e Simple Minds, este último com a ressalva de que detestava, conforme lembrou o Whiplash.net.
14. "Que País É Esse?" foi escrita em 1978, mas só chegou ao disco quase uma década depois. O álbum de mesmo nome, de 1987, reuniu sobretudo canções antigas da fase do Aborto Elétrico e do Trovador Solitário.
15. Em "Monte Castelo", do disco "As Quatro Estações" (1989), Renato costurou versos de um soneto de Luís de Camões com trechos da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, da Bíblia. O recurso era deliberado. Em declaração resgatada pelo Whiplash.net, ele admitiu que "usar termos bíblicos, números, mitos antigos, mexe muito com as pessoas".
16. O show de 18 de junho de 1988 no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, terminou em tumulto, com invasão de palco e confronto do lado de fora. A Legião Urbana nunca mais voltou a tocar na cidade onde nasceu.
17. "Metal Contra as Nuvens", do disco "V" (1991), passa dos 11 minutos e está entre as faixas mais longas da carreira da banda. Segundo levantamento do Whiplash.net, "V" é o único álbum de estúdio da Legião sem nenhuma canção assinada só por Renato.
18. O "Acústico MTV" da Legião foi gravado em 1992, mas só chegou às lojas em 1999, três anos após a morte do cantor.
19. Os fãs da banda ganharam um apelido próprio: legionários. O espírito de tropa vem dos próprios discos, que estampavam o lema em latim "Urbana Legio Omnia Vincit", algo como "Legião Urbana vence tudo".
20. Em 1994, Renato lançou o solo "The Stonewall Celebration Concert", todo cantado em inglês. O título faz referência à revolta de Stonewall, de 1969, marco do movimento LGBT, e parte da renda foi destinada à Ação da Cidadania contra a Fome, campanha liderada pelo sociólogo Betinho.
21. No ano seguinte, veio "Equilíbrio Distante", cantado em italiano, uma homenagem às raízes da família. A versão de "La Solitudine", sucesso de Laura Pausini, tocou muito nas rádios brasileiras.
22. O único filho do cantor, Giuliano Manfredini, nasceu em 1989. Hoje, ele administra o legado artístico do pai.
23. Em 2015, foi publicado "Só por Hoje e para Sempre: Diário do Recomeço", com anotações que Renato fez em 1993, durante um tratamento contra a dependência química.
24. "A Tempestade ou O Livro dos Dias", último disco lançado com o cantor em vida, saiu em setembro de 1996, poucas semanas antes da morte. Já debilitado, ele não participou da divulgação.
25. Renato morreu em seu apartamento em Ipanema, na zona sul do Rio, na madrugada de 11 de outubro de 1996. Como registrou o Whiplash.net, ele convivia com o HIV desde 1990, mas nunca tornou a doença pública.
26. Suas cinzas foram espalhadas no Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro, espaço que reúne a coleção de plantas do célebre paisagista.
27. Poucos dias após a morte, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá anunciaram o fim da Legião Urbana. Para os dois, não fazia sentido seguir sem o vocalista.
28. A obra continuou a sair depois da morte: "Uma Outra Estação" (1997), com material gravado nas sessões de "A Tempestade", e o solo "O Último Solo" (1997) chegaram às lojas no ano seguinte.
29. A vida e a obra do cantor viraram cinema. "Somos Tão Jovens" (2013) contou sua juventude em Brasília, enquanto "Faroeste Caboclo" (2013) e "Eduardo e Mônica" (2022) transformaram canções em longas-metragens.
30. O nome Legião Urbana virou alvo de disputa judicial entre a empresa da família de Renato e os ex-integrantes. Em 2015, Dado e Bonfá saíram em turnê pelos 30 anos da banda, com André Frateschi nos vocais.
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