Anos 80: Canções Com Nomes de Garotas - Parte 2

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Por Roberto Rillo Bíscaro
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Garotas sempre serviram de inspiração para o rock e a música pop. Pérfidas, adoráveis, inacessíveis. (Ex-) namoradas, amigas, mães, desconhecidas. Crianças, jovens, idosas.

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Como o que mais amo é pop/rock e os anos que amo mais são os 80, listei canções cujos títulos são nomes femininos.

Lembrei/fui lembrado/(re-)descobri tanto material, que dividi a postagem em 3 partes. O critério é listar uma canção por artista (o Toto, por exemplo, gravou diversas com nomes femininos no título). Também não vale regravação, por isso, Cowboy Junkies, The Fall e Los Lobos ficaram de fora.

Não tenho dúvidas de que deixarei meninas de fora.
No fim da matéria, você encontra o link para a primeira parte.

Dissidência do Sisters of Mercy, o The Mission apostava um pouco em gótico, mas também em pop e Led Zeppelin, tudo bem pomposo e bombástico. Severina (1986) é sobre uma garota que parece até albina, porque é filha da lua! O Wayne Hussey nesse vídeo não lembra um Bono drag?

Embora o primeiro álbum do islandês Sugarcubes tenha canções ótimas, Bjork acertou em ter optado por trabalhar solo. Aquele cara que insistia em pegar os vocais toda hora era muito chato! A gente sente isso bem em Regina (1989) - do bem menos interessante segundo álbum - sobre uma "rainha" vinda do leste, como o sol.

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Icicle Works foi obscuro mesmo na Inglaterra anos 80. Evangeline (1987) é uma delícia que estranha à primeira audição devido ao aparente descompasso entre a falsa brejeirice do arranjo e o vocal meio solene. É sobre um motorista que dá carona a uma fantasma! A versão gringa da loira da estrada!

Em 1985, a alemã Sandra infestou as rádios com Maria Magdalena, na linha synth eurotrash. A letra é sobre uma moça que jamais será Maria Madalena. Tipo, "dou o que é meu e não me arrependo, tá?"

De seu derradeiro álbum (1987), os escoceses do Lloyd Cole and the Commotions se saíram com essa violonada cantiga dedicada a uma Jennifer dura na queda.

Em 1982, o Dexy's Midnight Runners alcançou fama global com Come on Eileen, mistura de pop e música celta (violinos deliciosos!), sobre alguém que quer transar com sua amiga. Na maioria do globo, eles só tiveram esse momento de glória (na Inglaterra muitos mais), suficiente pra cravarem uma das canções-símbolo da década.

Formado do restolho do criticamente aclamado Jefferson Airplane, o Starship sempre consta na lista das piores canções oitentistas com We Built This City (eu gosto...). Em 85, chegaram ao topo da Billboard com Sarah, power ballad sobre um amor terminado.

A finada Laura Branigan teve diversos sucessos high energy e baladeiros. Gloria (1982) - eurodance sucesso nas aulas de aeróbica - é sobre uma garota louca atrás dum bofe. Ítalo disco voando alto nas paradas ianques.

Vocês achavam que o Duran Duran ficaria de fora? Rio (1982) é perfeição pop sobre uma garota com sorriso de sorvete de cereja, dançando na areia, ao sul do Rio Grande.

Sade batizou 3 ou 4 canções com nomes femininos. Maureen (1985) é sobre uma amiga falecida. Mas, apesar do tema, não é tristonha e, claro, é podre de chique. Sade e chique na mesma frase é até pleonasmo, mas enfim...

Em 83, o vocalista do Yes e o grego Vangelis se juntaram no álbum Private Collection. A voz angelical de Jon Anderson entoava a delicada e new agey Deborah, carta dum pai a sua filhinha.

No Album Negro (1987), o sátiro Prince homenageou a top Cindy Crowford, com uma jam pra lá de apimentada. FUNK!

Em 85, os escoceses do Jesus and Mary Chain mostraram a luz com o álbum Psychocandy, que causou influências ainda não calculadas no rock. Uma ideia simples: doces melodias anos 60 soterradas sob grossos escombros de microfonia e ecos; algo como ouvir uma rádio de oldies fora de sintonia. A Taste Of Cindy é sobre uma garota que está a matar o vocalista de amor.

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1984, distopia antistalinista de George Orwell virou filme nos anos 80 e a dupla Eurythmics foi escolhida pra compor a trilha, depois recusada. Annie Lennox e Dave Stewart lançaram o álbum assim mesmo. Julia (1984) é a faixa mais linda, com um protagonista se perguntando se ele e a amante ainda estarão por lá (temos que levar em conta a onipresença do Big Brother pra contextualizar a letra).

Em 84, Steve Perry, vocalista do Journey, lançou álbum-solo e emplacou a balada-metal Oh Sherry, sobre um casal que vive ás turras.

DeBarge era um grupo de garotos negros da Motown que teve alguns sucessos no começo da década. Em 85, lançaram a romântica Who's Holding Donna Now?, onde o menino se pergunta quem abraça agora a ex-namorada.

Em 86, os roqueiros de arena do Boston vieram com Amanda, balada-metal derramada, sobre um cara que não pode mais esperar pra confessar seu amor pela garota.

O grupo funk Ready For The World estava com overdose de Prince quando compôs a sensual-dançante Oh, Sheila (85). O ritmo da canção e os vocais às vezes ofegantes já dizem o que o cara quer com a moça.

O Aerosmith trilhou caminho pesado na letra de outra power-ballad, Janie's Got a Gun (1989), sobre um pai abusivo e uma garota com uma arma. Datena, socorra!

Valerie (82) é sobre uma garota meio intocável. Steve Winwood atacando de easy liastening sem cara!

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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário e edita o Blog do Albino Incoerente desde 2009.

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