Kreator: Ataque sonoro diretamente de 1987
Resenha - Terrible Certainty - Kreator
Por Vitor Sobreira
Postado em 17 de março de 2018
Responda rápido: quantas bandas de Metal/Heavy Rock você conhece? Agora, quantas conseguiram atingir o status de referência de uma ramificação do estilo? Pois bem, as perguntas podem soar clichê, mas a linha de pensamento nem tanto, já que ao longo dos anos, algumas bandas garantiram para si essa façanha. Independente da preferência particular de cada um, Kreator é sim um dos principais nomes quando o assunto é Thrash Metal, e desde seus primeiros trabalhos – mesmo que involuntariamente – conseguiu nos transmitir isso.
O terceiro álbum de estúdio da banda alemã, ‘Terrible Certainty’ foi lançado no dia 22 de setembro de 1987 pela ainda novata Noise Records, apresentando ao público oito composições do seu Thrash Metal de respeito e também o guitarrista Jörg Tritze. Com a boa repercussão dos antecessores ‘Pleasure to Kill’ (1986) e o ótimo debute ‘Endless Pain’ (1985), o então lançamento tinha mais do que uma mera obrigação em manter os ânimos exaltados, mas ainda em exibir uma banda séria que buscaria sempre o melhor de si, além de reforçar o time do Metal germânico.
Produzido por Roy Rowland (Lääz Rockit, Satan, Viper, entre outras), o trabalho manteve a agressividade, com o instrumental um pouco mais trabalhado – claro fruto da natural evolução dos músicos – e as letras se apoiando em temas batidos como o satanismo e violência, e ainda criticas em relação à política, sociedade e religião. A arte de capa feita pelo estadunidense Phil Lawvere (Celtic Frost, Rage e também responsável pelas artes anteriores, que encerraria sua parceria com a banda no ano seguinte, com o EP ‘Out of the Dark… into the Light’), de certa forma, expressa um pouco de tudo isso.
Os alto-falantes logo de cara são agredidos pelas batidas rápidas, riifs cortantes e vocais agressivos de "Blind Faith", bem como os beliscões ao Cristianismo. O ritmo agressivo e veloz é mantido em "Storming with Menace", que a partir dos 2’:09’’ exibe uma interessante melodia de guitarra, que logo descamba em um solo bem empolgante. A faixa título "Terrible Certainty" é introduzida por uma sessão de bateria, que vai crescendo até a chegada do baixo e do restante do instrumental. Chegando à metade do tracklist – que totaliza 36 minutos – com "As the World Burns", nos deparamos com o baterista "Ventor" pelejando com os vocais pela última vez (oficialmente) na banda, onde curiosamente começou os dividindo meio a meio com Mille no debute, até chegar a diminuir para três em ‘Pleasure to Kill’.
"Toxic Trace" foi a única composição agraciada com um vídeo clipe (com alguns efeitos de imagem bem toscos, diga-se de passagem), e juntamente com a anterior, segurou um pouco as rédeas nas levadas rápidas – que retornam com força total em "No Escape" e "One of Us". Com uma marcante introdução de violão e logo retornando ao peso e à agressividade "Behind the Mirror" encerra com qualidade a audição.
Quase 31 anos já se passaram do lançamento de ‘Terrible Certainty’ e mesmo para o ouvinte tardio, ainda é uma agradável surpresa poder apreciar um excelente trabalho de uma das principais bandas do Thrash Metal!
Formação:
Mille Petrozza (vocals e guitarra);
Jörg Tritze (guitarra);
Rob Fioretti (baixo);
Jürgen "Ventor" Reil (bateria, vocal na faixa 04)
Faixas:
01. Blind Faith
02. Storming with Menace
03. Terrible Certainty
04. As the World Burns
05. Toxic Trace
06. No Escape
07. One of Us
08. Behind the Mirror.
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