Anathema: Experimental, depressivo e atmosférico

Resenha - Alternative 4 - Anathema

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Por M. Mortifer
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


"Alternative 4" é o quarto álbum da banda britânica, oriunda de Liverpool, ANATHEMA. Ele foi gravado entre janeiro e fevereiro de 1998 e foi lançado em junho do mesmo ano pela Peaceville Records. "Alternative 4" tem como principais características um maior destaque dos teclados e a ausência total de vocais guturais. O álbum é considerado experimental, depressivo e atmosférico.
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O título do álbum é inspirado no livro de Leslie Watkins intitulado "Alternative 3". Duncan Patterson, baixista e também compositor do ANATHEMA na época, havia lido o livro anos antes de eles gravarem o álbum.

Acompanho a carreira do ANATHEMA desde 1995, quando escutei pela primeira vez "The Crestfallen" e "Serenades" ainda com Darren White nos vocais. Lembro-me quando "Alternative 4" foi lançado e o que os meus amigos, também fãs de death/doom metal, disseram na época. A maioria dos meus amigos odiou este álbum, que hoje muitos consideram uma "obra-prima". Eu gostei deste álbum desde o primeiro momento em que o escutei. Considero "Alternative 4" um álbum de transição e extremamente niilista. As letras refletem uma total descrença no ser humano em seus múltiplos aspectos: na relação com o outro, em sua relação com o mundo, com a natureza e consigo mesmo. Por essa razão eu julgo esse álbum um dos mais depressivos do ANATHEMA, embora não possuindo mais nenhuma das características de doom metal.

Na versão original, a que eu possuo de 98, são 10 faixas. O álbum inicia com a breve e melancólica "Shroud of False", já anunciando toda a temática do álbum. A segunda faixa "Fragile Dreams", para mim uma das melhores canções do álbum, possui um belíssimo arranjo musical, com uma breve introdução de violino. As guitarras já se caracterizam pelo minimalismo típico da música "Ambient". A terceira faixa, "Empty" alterna o minimalismo e o compasso eletrônico pelo o uso de "drum loops". Não devemos nos deixar enganar pelo movimento da música, pelo fato de ser a mais agitada do disco, a letra é extremamente forte, essa força é expressa na interpretação de Vincent Cavanagh, aliás, cabe aqui uma digressão. Vincent Cavanagh, a meu ver, encontrou o seu caminho a partir deste álbum, atingindo a sua maturidade e identidade vocal. Em seu antecessor "Eternity" ele já havia demonstrado sua identidade vocal, uma vez que não procurou mais imitar Darren White, como havia feito em "The Silent Enigma". Vincent canta expressando toda raiva e frustração pela aceitação de algo que não podemos mudar. O conceito de morte presente nessa música não pode ser interpretado literalmente, é uma morte simbólica devido à patética condição mencionada na última estrofe da música, o "matar-se novamente" é o sentimento de vazio em que o indivíduo é tomado diante da impotência de mudar as coisas e ser forçado a aceitá-las. "Lost Control", a quarta faixa, outra belíssima canção é uma das mais melancólicas e depressivas do álbum. Impossível sermos indiferentes diante da força dessas palavras: "life has betrayed me once again, I accept that some things will never change […].Yes, I'm falling... how much longer till I hit the ground?[…]. I've realised what I could have been. I can't sleep so I take a breath and hide behind my bravestmask". A música alterna compassos acústicos com guitarras, e no final, mais uma vez utiliza-se a presença marcante do violino. "Re-Connect", a quinta faixa, a cadência rítmica já demonstra aproximação do denominado "Shoegazing". A sexta faixa, "Inner Silence" inicia com um vocal quase choroso de Vincent, sem dúvida essencial para expressar a beleza na melancolia dessas palavras: "when the light of your life sighs, and love dies in your eyes, only then will I realise, what you mean to me". A canção encerra com uma percussão simulando os últimos batimentos cardíacos de alguém, até sermos tomados pelo silêncio nos segundos finais da música. "Alternative 4", a sétima faixa, que dá título ao álbum, é em minha opinião, a melhor do álbum. É a música em que mais percebemos a influência minimalista e Ambient. A música nos transmite uma sensação hipnótica e sombria desde o início. "Regret", a oitava faixa, tem uma letra sublime, mostra toda a sensibilidade artística de Daniel Cavanagh e o caminho pelo qual ele trilharia. A música tem um ritmo acústico, ganha um pouco de velocidade no final. A voz de Vincent consegue transmitir plenamente o sentimento de alguém que em sua introspecção reflete sobre os seus erros e é atormentado pela lembrança destes erros. A nona faixa, "Feel" é a mais psicodélica do álbum. Na décima faixa, "Destiny", mais uma vez Vincent nos comove com sua interpretação nessa música, que encerra o álbum seguindo a tendência minimalista de todo o trabalho.

"Alternative 4" é um trabalho ousado, criativo, experimental. Um trabalho verdadeiramente artístico, de uma beleza ímpar ao tratar de questões existenciais. Sem dúvida, um dos melhores álbuns do ANATHEMA.
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Track listing

1."Shroud of False" – 1:37
2."Fragile Dreams" – 5:32
3."Empty" – 3:00
4."Lost Control" – 5:50
5."Re-Connect" – 3:52
6."Inner Silence" – 3:09
7."Alternative 4" – 6:18
8."Regret" – 7:58
9."Feel" – 5:28
10."Destiny" – 2:14

Formação em Alternative 4:

Vincent Cavanagh – vocal, guitarra
Daniel Cavanagh – guitarra, piano, teclado
Duncan Patterson – baixo, piano
Shaun Steels – bateria
George Ricci – violin (convidado)
Andy Duncan – Drum loops em "Empty" (convidado)

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Sobre M. Mortifer

Possui graduação e Mestrado em Filosofia, atualmente cursa Doutorado e ensinanesta área. É eclético com relação à música, ouve de música erudita a Black Metal. Seus gêneros preferidos são os seguintes: Post-Punk, Dark Wave, Gothic Rock, Neo-Folk/Neo-Classical, Doom Metal, Death Metal, Gothic Metal, Folk Metal, Black Metal, Progressive Metal e Alternative Metal.

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