Iron Maiden: Um vôo existencial em "Revelations", de "Piece of Mind" (1983)

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Por Rodrigo Contrera
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Eis-me aqui então retomando minha saga de resenhas sobre as músicas de nossa paixão em comum, o Iron Maiden. Os posts anteriores tiveram muito sucesso, e foram bastante elogiados por quase todos os que os leram. Já este fugirá do padrão até agora assumido. Agora não falo de um colosso (The Rime of the Ancient Mariner), nem de quase unanimidades, com foco na história (Alexander, the Great e Aces High). Agora, não. Agora, por estar passando por uma fase extremamente turbulenta e profunda, resolvi pegar uma música quase considerada menor, num CD também fantástico, mas não da primeira linha: Revelations, de Piece of Mind, da pena do Bruce. A segunda faixa do CD, após a grande abertura de Where Eagles Dare (que um dia pretendo também resenhar).

O que esperar do Iron, depois de 666?

Era uma tarefa inglória. Superar, ou pelo menos não decepcionar, depois de The Number of the Beast, o maior CD de toda a carreira da banda, até hoje. Como fazer isso? Eu me lembro que não sabia o que esperar de Piece of Mind. E que minha primeira resposta ao CD (por enquanto, LP) foi positiva. Positiva, sim, mas não extasiante. Eu achei o LP bastante bom, com várias faixas que me atraíam. Com a mesma pegada de falar de assuntos ligados à história, com faixas dedicadas a filmes e mitologias diversas, e tudo mais. Mas com uma ênfase que eu estranhei, até certo ponto. Não havia "aquela" faixa agressiva, rápida, irritante. Não adiantava colocar The Trooper para ouvir, nem Where Eagles Dare. Era um CD um pouco mais lento do que de costume. Mas um CD com várias atrações. E Revelations NÃO era uma delas.
Lembremo-nos do CD. Where Eagles Dare abria Piece of Mind, com a história de um filme, de ação, daqueles da década de 60. Sobre a Segunda Guerra Mundial, em que atores famosos compartilhavam a tela para nos convencer de sua mensagem. Where Eagles Dare, note-se, é uma faixa que em alguns momentos aparece um pouco repetitiva. Mas uma boa faixa. Era quando surgia Revelations, mais parada (ao menos no começo), com estrofes retiradas de um hino, que parecia remeter a nossa condição humana. Não cativava, e dizia respeito a coisas que eu não entendia. Depois, continuava numa outra direção, que eu entendia ainda menos. Agitava-se, a faixa, mas eu ficava praticamente na mesma, em termos de saber o que era cantado, e por quê. E o jeito de cantar do Bruce, com um tom de certo lamento, me causava estranheza. Não sei se gostava, em linhas gerais. Boa parte desta resenha será inspirada em comentários a Revelations que estão neste site aqui.

A música

Revelations (HD)

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Vindo depois de Where Eagles Dare, Revelations causava um contraponto. Lenta no começo, a música parecia andar e parar, andar e parar, com umas paradas que no começo não me agradavam. Era quando entravam os versos de Chesterton, comentados a seguir. Note-se que a música engrenava, ou seja, acelerava várias vezes em sua extensão, e que ao final dava uma acelerada massacrante que me agradava muito. Mas vamos por partes. Primeiro, o poema famoso, de Chesterton, "O God of Earth and Altar", citado no começo.

O poema de Chesterton

G. K. Chesterton (1874-1936) foi um poeta, escritor e ensaísta inglês, até hoje muito conhecido principalmente por seus ensaios bastante inspirados, e por sua conversão mais ou menos tardia ao catolicismo, no meio da carreira. Hoje, Chesterton é inspiração para o pensamento considerado conservador em geral, embora de forma inteligente (ele está muito longe de argumentar de forma tradicional). "O God of Earth and Altar", o poema que Bruce cita em sua primeira parte, foi editado por Chesterton em 1906 e encabeça Revelations.

Chesterton

O poema de Chesterton
https://www.chesterton.org/a-hymn-o-god-of-earth-and-altar/...

É um poema muito conhecido na Inglaterra, e Bruce comenta que o ouvia como hino, e que sua beleza sempre o atraiu. "Eu amava algo do ritual desses hinos, assim como as maravilhosas palavras", diz Bruce. O poema na íntegra está aqui e aqui.
"O God of Earth and Altar" é tão conhecido na Inglaterra que rendeu outras obras, nele inspiradas. Como, por exemplo, o "King's Lynn", hino musicado baseado inteiramente no poema, sendo que uma de cujas expressões eu coloco aqui.

King's Lynn, baseado no poema de Chesterton

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Texto do poema, com indicações musicais referentes ao King's Lynn
http://www.hymnary.org/text/o_god_of_earth_and_altar

Mas é possível encontrar diversos outros materiais que usam-no também, em parte ou na íntegra. Aqui disponho uma que tem grande inspiração na forma como o Bruce o colocou em Revelations, e outra em que a versão é quase artesanal, com um simples violão.

Versão em hino do poema, com referência à introdução de Bruce

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Vídeo artesanal com o poema musicado

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Já o poema, na íntegra, está logo acima. Eu já o comentarei, assim como referências de outros sites que citam a inclusão de seu início em Revelations.

Bruce e Ian Anderson (Jethro Tull) cantando e musicando juntos o poema

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Antes de falarmos do poema em si, reparemos em umas coisas. As primeiras estrofes de O God, aquelas que são transcritas por Bruce em sua música (a primeira dele na história da banda), nos aparecem fortes. E em todas as versões determinam o jeito pelo qual o poema todo irá se estender. Nesse sentido, quando ouvimos as outras versões lembramos do Bruce, do seu jeito de cantar em Revelations, e percebemos claramente como tudo tem a mesma origem - e (talvez) o mesmo destino.

Artigo sobre a referência do Iron Maiden ao poema:
http://www.patheos.com/blogs/kathyschiffer/2014/12/g-k-chest...

Pois o próprio Bruce comenta que ele fez da canção algo no mínimo diferente, remetendo a algo do que havia, mas que no fundo não ocupa o mesmo lugar na mente de quem ouve. Essa característica de Revelations é aquilo em que a gente irá se centrar a partir de agora.

Letra de Revelations em espanhol
http://www.elportaldelmetal.com/traduccion/revelations-iron-...

A referência a Deus

Se "O God" é um hino, claro, ele, enquanto poema, é um chamado a Deus, quase um clamor, um lamento. Vemos pelo próprio tom do poema, que se dirige a Deus e que lamenta uma situação específica, humana, expressa na letra. A parte do poema que Bruce escolheu é a mais conhecida. Mas é em seguida que ocorre uma virada. A música sai do registro bíblico, de um homem dirigindo-se a Deus, e começa a descrever uma situação. "Just a babe in a black abyss" (Apenas um bebê num abismo negro), "No reason for a place like this" (Não há razão que sustente um lugar como este), joga-nos no mundo tal qual ele se apresenta, abismal, com um bebê abandonado em meio a ele. Sente-se um clima de desesperança. Sabemos que Bruce colocou o começo de "O God" na letra pela beleza da ideia do hino. Mas aqui, com esta letra a seguir, do próprio punho do Bruce, somos defrontados com algo mais cru. O site que eu cito novamente aqui diz que isso tem a ver com a filosofia hinduísta. Eu não conheço, não posso saber. Mas com toda certeza há uma distância em relação ao clamor a Deus, à confiança em uma intervenção poderosa, e a tudo a que o resto do poema se refere.

Um mundo em desespero

Mas é curioso. Quando vamos a missas, os padres costumam se referir ao mundo "lá fora" como condenado à perdição. Aqui, vemo-nos soltos, como um bebê, num abismo negro, em que "the walls are cold and souls cry out in pain" (As paredes são firas e as almas gritam de dor). Poderíamos aqui clamar novamente por Deus. Mas não, a gente entra então num outro universo, repleto de símbolos, que nos deixa num primeiro momento perdidos. "An easy way for the blind to go" (Um caminho fácil de seguir para o cego), por exemplo. Lembro-me bem da impressão que esses versos me causavam.

O Cego na Escuridão

Um cego, um caminho fácil para ele? Existe caminho fácil para o cego? Eu pensava na época. Deixava passar, é claro. O site que eu cito não comenta esses versos em especial. Mas eu diria que eles se referem ao engano por que todos passamos, ao acreditarmos saber por onde vamos. Porque, sem Deus, estaríamos perdidos. E o homem, preso nesse abismo negro, sem apoio (paredes frias) e sujeito à dor, estaria, com seus próprios recursos, perdido num mundo obscuro (como um cego), sem apoio mas com a ilusão de um caminho fácil a seguir, e mais, "A clever path for the fools who know" (Uma rota inteligente para os estúpidos que sabem), iludido por um caminho para quem acha (fool) que sabe. Isso talvez seja uma referência ao caminho de verdade que mesmo cegos e tolos encontram no mundo em que se encontram presos. Ou quem sabe se refira à luz para o cego (como veremos a seguir).

O homem pendurado

O link do site que já citei fala claramente sobre o "hanged man" (homem pendurado) aspectos que qualquer um que procure um pouco também consegue encontrar. O homem dependurado (do qual coloco duas versões de cartas logo aqui) é a décima segunda carta do tarô. Uma carta que para alguns é chamada de O Enforcado, mas a meu ver de forma inapropriada, porque o homem pendurado não está literalmente enforcado (pelo pescoço). Ele está na verdade pendurado pela perna esquerda, numa forca. Vários aspectos se destacam nessa figura. Primeiro, ele tem os braços cruzados, mas às suas costas (para alguns, sinal de que ele não quer lutar contra a condição em que se encontra). Segundo, ele não expressa sofrimento, no máximo resignação. É como se ele fizesse parte do martírio, como se concordasse com ele, como se esperasse algo com ele. Terceiro, ele tem um halo na cabeça, o que supõe algum tipo de superioridade em função do gesto. Como se ele fosse um mártir, uma espécie de Cristo. O rosto do mártir expressa entendimento, não sofrimento; como se ele soubesse a que foi destinado ou aquilo a que ele se dispôs. De alguma forma, supomos que o Enforcado está sendo sacrificado ou se sacrificando por algo mais.

O Enforcado

The Hanged Man

Mas o site que já citei não fala da carta do tarô, mas de uma determinada mitologia hindu, segundo a qual o homem enforcado é um sinal de boa sorte. No caso, a letra da música continua a respeito dele, falando de seus lábios sorridentes. Isso, para o autor do site, diria respeito ao segredo que o enforcado esconderia em si. Um segredo de boa sorte. Seja como for, a imagem do enforcado vai longe. E aqui podemos nós mesmos pensar um pouco. Se o homem estava sozinho, em meio a um recinto de paredes frias e gritando de dor, e se depois o destino dele estaria nos olhos de um cego (que segue seu próprio caminho), ou de um tolo (que aparentemente sabe alguma coisa), o enforcado aqui expressa um certo sacrifício, tanto na mitologia hindu ou nas cartas do tarô, e um sacrifício que pode ser interpretado como um martírio de vontade própria (como se fosse cristológico) ou um segredo por detrás do gesto (um segredo de felicidade). Nota-se que aqui Bruce quer falar que, por detrás de um certo gesto, existe uma saída, e essa saída é positiva para o homem. Restringindo-nos à chave cristológica, essa saída consistiria no sacrifício por algo maior ou em algum destino (o sorriso, a felicidade, a boa sorte) por detrás do gesto.

O destino

É quando chega o refrão, que é repetido, na música, duas vezes. Nesse refrão, sentimo-nos envolvidos (até porque a própria letra se remete a nós, "you'll see"). Esse refrão tem passagens que merecem ser comentadas. Primeira, a remissão à luz para o cego ("light of the blind"). Como já vimos, o cego é tomado como amostra do ser humano, e aqui pode significar muitas coisas. O que é a luz para o cego, por acaso? Algo inútil, ele não a vê. Por outro lado, se formos ser mais metafóricos, a luz para o cego é a sua saída, a solução para seus dilemas. Em seguida, a letra fala de "venom tears my spine" (o veneno rasga minha coluna cervical), algo que é tido, por muitos, como a forma pela qual o homem pode encontrar Deus (pelo êxtase religioso ou pelo orgasmo). Isso referir-se-ia à Yoga, segundo a qual uma cobra de nome Kundalini estaria na base da coluna cervical de toda pessoa (daí a menção ao veneno). Nessas situações (êxtase místico ou orgasmo), seria criada uma entidade espiritual (chamada Samadhi) que simbolizaria a união transcendental do ser humano com Deus. Nesse momento em especial, Kundalini seria libertada e o veneno atingiria o cérebro.

A serpente de Kundalini

Maior viagem, não é? Mas pode ter a ver, até porque aqui a questão é mesmo a da libertação do ser humano de sua condição e seu encontro com Deus. Esta é a primeira remissão da letra a uma serpente, que, como é óbvio, tem toda uma conotação também bíblica. No mesmo refrão ocorre então uma remissão ao rio Nilo ("the eyes of the Nile", os olhos do Nilo), que neste caso se abrem - algo que é considerado como bom e alvissareiro para aquele a quem a música é dedicada (nós). Neste caso, percebe-se como tudo parece conduzir a uma busca por liberdade - e ao seu efetivo encontro.

Mitologia bíblica

Antes de continuar, precisamos relembrar que o homem - o sujeito aqui discutido - está, no começo da letra toda, como um bebê num abismo. A ideia do abismo tem toda uma conotação também bíblica, como podemos entender. Uma conotação que remete ao inferno, ao lugar abissal em que nada é passível de ser conhecido e em que estamos realmente perdidos. Mas vimos a seguir como o Bruce apela a outras mitologias para discutir o destino do ser humano, para em seguida voltar às mesmas imagens. Como, por exemplo, à própria serpente. Seguindo a letra, lemos: "she came to me with a serpent's kiss" (ela veio até mim com o beijo da serpente).

Sob a perspectiva bíblica, o verso pode ser interpretado como a aproximação que a mulher fez, em relação ao homem, por meio do encontro com a serpente (ao comer o fruto proibido). Mas de onde vem a imagem do beijo? Pode ser uma metáfora, claro. Mas pode ser também o significado que a serpente assume, para a filosofia hindu, relacionado à criação e ao êxtase. Nesse sentido, a serpente assumiria um sentido positivo, relativo ao prazer e à própria criação. Isso fica corroborado com a menção aos Olhos do Sol (que ocorreriam nos lábios da mulher), dado o Sol representar também a criação. Mas em seguida os versos se transmutam, se tornam um lamento da parte de quem narra (ele), um abraço na escuridão, assim como uma semente, semeada num lugar sagrado (pode ser o útero), a partir da qual se observa e espera o amanhecer. Aqui o Bruce pode estar falando justamente da criação, sob um ponto de vista mitológico, sim, mas também intensamente humano (dado que eles, o homem e a mulher, se juntam, numa espécie de abraço negro sob a luz da Lua). Muito bonito, realmente. O site que venho citando fala da luz da Lua resgatando seu ponto de vista feminino. O site que citei anteriormente também comenta sobre a ideia, na música, de uma opção ao ponto de vista maniqueísta do cristianismo, entre Bem e Mal. Mas isso vocês podem capturar no próprio site (cuja leitura para por aqui, enquanto eu continuo).

De volta à música

Revelations (Dortmund 1983)

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Neste ponto da letra, a música estava já pelo final, e dava passos rumo à acelerada final. Uma acelerada cujo intróito tinha aquele tradicional "anda e para" do começo da música, mas que depois engrenava para valer, para deleite dos garotos que, como eu, queriam um heavy metal pesado, quase que somente ele. Aqui cumpre notar que, por detrás da pegada relativamente simples do baixo e das guitarras base, haviam solos bem colocados, que a gente consegue até hoje assobiar (até mesmo o dueto meio solado do meio desse trecho acelerado). Musicalmente, esse trecho é bastante simples, mas, além de me convencer, me ajudava a entrar no clima do trecho final da letra, que encerrava tudo majestosamente (mas que eu não entendia). Entremos agora no trecho final da letra.

Antes de mais nada, é bom que percebamos, desde já, que nos vários momentos da letra o tratamento é diferenciado. No começo, tem o poema de Chesterton. Depois, um trecho descritivo, em que é colocado o drama do ser humano e alguns motivos mitológicos. Depois, o refrão, em que somos trazidos à tona, como aqueles a quem a música é dedicada. Depois, outro momento descritivo, em que estamos presentes, num relacionamento com "ela" e outras figuras de mito (a serpente, o Nilo, o Sol, a semente, etc), e depois novamente o refrão. Já aqui, ao final da música, estamos em coletivo (nós), como que clamando por algo que desejamos. E o que é esse "algo"? Primeiro, que queremos ser esse "cego" de que a música fala, contanto que estejamos cegos por Esperança e Liberdade. Aqui é curioso, porque a Bíblia fala, por exemplo, do cego Bartimeu, a quem Jesus fez recuperar a visão. É um cego, claro, mas aqui o paralelo é diverso, dado que a música clama por sermos cegos por Esperança e Liberdade.

Recuperando a visão, segundo o relato bíblico.

Segundo, que, sendo assim, sabemos que nada (nenhuma tormenta ou tempestade) irá fazer afundar nosso barco. Terceiro, que veremos o vento e a chuva se acalmar, e que, em quarto lugar, e finalmente, seremos ("you", você, ou seja, nós) o Rei, e o Vigilante no Anel (em que tudo retorna). Aqui, vou fazer minha leitura, mas, sendo um católico recém-convertido, não quero, claro, forçar a barra. O que noto são diversos paralelos que dizem respeito à Bíblia. O primeiro diz respeito à cegueira. Jesus diz que ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, e que somente por intermédio dele chegamos a Deus. É como se antes dele fôssemos cegos. Claro que a fonte da cegueira é o coração que não se abre a Deus. Mas não entremos nesse mérito. Noto também que essa nossa cegueira é por Esperança e Liberdade. E nisso toda religião entra. Toda religião diz que nos dá ambas as coisas. Por outro lado, tendo isso conosco, saberemos que nada (nenhuma tormenta) irá afundar nosso barco - o que nos leva a momentos dos Evangelhos, em que os apóstolos temiam que seu barco afundasse, e Cristo reclamava deles, dizendo que eles eram homens de pouca fé.

Jesus acalma a tempestade

O mesmo ocorre com o vento e a chuva se acalmando. Por outro lado, a letra promete o reinato e a vigilância, algo que faz parte da mensagem bíblica. Claro que não estou aqui querendo dizer que a mensagem de Revelations é bíblica. Somente noto alguns paralelos (alguns dos quais não funcionam como deveria alguém esperar).
Esse trecho final da letra, então, meio que nos diz como poderemos triunfar, após todo o desenlace de todos esses desafios pelos quais passamos. O tratamento dado, na letra cantada, neste trecho, é, como vemos, bastante diferenciado. E o próprio jeito como o Bruce canta esse trecho é mais sutil, suave, e de forma que, quando eu era moleque, me deixava estranhado. Achava estranho que um heavy metal pudesse ser cantado e terminar dessa forma.

Clássico

Revelations virou um clássico da banda. Não dos maiores clássicos dela, mas um clássico, apesar de tudo. Aqui publiquei dois vídeos, um com Revelations no original, com som ótimo, e outro, com o vídeo de um show bastante distante de nós, em 1983. Mas, para confirmarmos que, ao contrário de outras músicas, Revelations deu o que falar, posto também algumas imagens que a gente consegue capturar na internet relacionadas exclusivamente à música, em shows ou em ocasiões especiais. Revelations sempre foi uma queridinha da banda, e para isso não há motivos apenas em sua qualidade musical, mas na profundidade de sua letra, acima comentada.

Capa com referência simples a Revelations (Oslo, de 2008)

Capa com referência a Revelations (Paris)

Bom, esta nova viagem terminou. Paro por aqui, tendo me referido a várias fontes, assim como a vários outros materiais das quais a música bebeu. Por sua vez, é interessante que a gente tente imaginar a música e a letra em seu caráter mitológico completo, até para vermos em que medida ela diz respeito a nossos ideais. Note-se que não comentei sobre a figura do Rei nem do Vigilante. Simplesmente para captarmos a mensagem precisamos ver em que medida tudo o que foi narrado fala conosco. Comigo, noto hoje, sempre teve tudo a ver. Mas confesso que, nesta minha pesquisa, fomos mais longe do que eu imaginaria.

Val Andrade com Revelations

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Até a próxima!

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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.

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