Serguei: os 77 anos de vida de Sergio Augusto Bustamante
Por Eduardo Mattos Laurindo
Fonte: SergueiNews
Postado em 09 de novembro de 2010
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"O rock n' roll não nasceu pra ser perfeito" (Serguei)
Em 8 de novembro de 1933, na zona norte do Rio de Janeiro, nascia Sergio Augusto Bustamante. Na infância um amigo Russo lhe chamava de Serguei, porque tinha dificuldade em pronunciar seu nome corretamente, e o apelido ficou. É impossível contar a historia do rock sem envolver a figura de Serguei, pois foi num festival de rock em Long Island que conheceu Janis Joplin em 1968. Depois viu Jim Morrison tomando coloridas pílulas de Sunshine enterrado num sofá da sala do Motel "La Cienega Boulevard", e ainda conheceu de perto Jimi Hendrix em Las Vegas. Mas glória mesmo foi reencontrar Janis em 1970 para uma canja em seu show na boate New Holliday, no Porão 73 no bairro do Leme, Rio de Janeiro.
De lá pra cá, deixou vários registros de "singles fonográficos" gravados para pequenas produtoras em limitadas tiragens, obrigatórios para os aficcionados da nossa cultura musical underground. Serguei pode ser considerado um homem que busca as coisas simples da vida, com brilho próprio e atitudes que fugiam e ainda fogem às convenções passadas e atuais. Paulo Coelho disse que este "Anjo Maldito" amaldiçoa os deuses por eles não lhes revelarem sua missão no nosso planeta. Mas sabemos que ele se diverte vendo gerações irem e virem, sem se dar conta de que já entrou para a galeria do eterno, como um Pop Star. Apesar de seus 77 anos, Serguei esbanja energia. Extravagante, hippie, autêntico, psicodélico e bem humorado, ainda acredita que o mundo é uma flor sem espinhos e sem dor. Talvez por isso continue agradando.
"Seja marginal, seja herói" (Hélio Oiticica)
Revolução, movimento, "bagunça", essas seriam as possíveis definições para o nome da banda Pandemonium. Som com letras ácidas, vocabulário irreverente e crítica aguçada provocam o imaginário daqueles que os ouvem pela primeira vez. O vocalista André Ribeiro define a visão da banda, ao afirmar que "só quando transgredimos a estrutura musical padronizada, alcançamos uma mudança significativa dos conceitos."
A banda surgiu em 1990, período de auge do heavy metal, e ao longo dos anos vem passando diversas fases. "Passeou" pelo hard rock, pelo blues e absorveu até as tendências do rock nacional dos Anos 80, mas se identificou mesmo com o rock n' roll. De sua formação atual, fazem parte: Diego Brisse (guitarra), Nilson Jr. (baixo e voz), André Ribeiro (vocal) e Alex "Anjo" (bateria).
"Bom Selvagem"
"Homem que vive em perfeita harmonia com o meio-ambiente. Bom por natureza, porém submetido a influências corruptoras da sociedade, se modifica. A desigualdade social corrompe o caráter humano." (Jean Jacques Rosseau)
Ao utilizar a teoria do filósofo Rosseau como tema do novo álbum de Serguei com a banda Pandemonium, fica clara a visão que o grupo tem da obra do artista. No final de 2008, a banda Pandemonium, em uma apresentação no Circo Voador (RJ) que contou com a participação de várias celebridades dos Anos 80, conheceu o roqueiro Serguei. Marcaram de tocar em um evento de motociclistas, o evento acabou não ocorrendo, mas a amizade permaneceu. Estruturaram um show chamado "Dinossauros do Rock" no qual a banda tocava clássicos do rock nacional e no ápice entrava Serguei com seus grandes sucessos. O evento deu tão certo e o público recebeu com tanto carinho o retorno de Serguei aos palcos que resolveram montar um cd.
Segundo André Ribeiro "Uma das grandes dificuldades que encontramos foi com o material fonográfico se Serguei (muito antigo e quase perdido pelo tempo), porém após o levantamento resolvemos não só regravar, mas fazer uma releitura de suas obras. O material é rico, e por incrível que pareça, 'atual'".
A música de trabalho "Alpha Centauro" (censurada pela Ditadura por ter a frase "na mão um cigarro da onda" e "no rosto um sorriso bacana") é da década de 70. Outra da mesma época, "Ouriço" (agora em versão música de acampamento), foi considerada pelos censores "uma viagem de LSD".
Além das músicas de Serguei, encontram-se no CD uma música da banda Pandemonium (Poder Paralelo), e clássicos do blues: "Sweet Home Chicago" do bluesman Robert Johnson e "Marginal" de Celso Blues Boy e Cazuza. O cd conta também com grandes participações: os guitarristas Big Joe Manfra e Alex Rangel, o gaitista Jefferson Gonçalves e o percussionista Iggor Vaz. Todo o processo de gravação ficou a cargo de Fábio Mesquita da banda Blues Power.
"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente..." (Soren Kierkegaard)
(Texto retirado de http://bandapandemonium.com/site/ e dedicado ao aniversário de 77 anos da nossa querida e eterna lenda viva, Serguei. O Dívino do Rock.)
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