Cacto Rosa
Por TECLA music
Fonte: Site Oficial da Banda
Postado em 02 de abril de 2008
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Levou o tempo que tinha que levar. Tempo que serve pra sofrer, pra amadurecer. O TEMPO NECESSÁRIO, CD de estréia da Cacto Rosa, tem bem a cara dessa banda que muito andou, como todas as jovens bandas brasileiras, antes de sentar e gravar suas músicas.
A Cacto Rosa não é só uma banda feminina. Todas as angústias que as letras passam poderiam vir de uma banda mista ou só de homens. Ponto pra elas, que já começam fugindo do estereótipo de banda formada por mulheres. Até porque esse CD traz a participação de Vinicius Tonello e Leonardo Brunelli (que produziram o CD e participam de algumas composições), do ícone do rock gaúcho Luciano Albo (ex-Cascavelletes) nos baixos e Luigi Pertile (algumas composições), que somam um tom masculino à voz e guitarra de Bibiana Arriaga e bateria e vocais de Carole. A banda também foge do rótulo "gaúcha", imprimindo nas suas melodias um jeito que pode ser de qualquer lugar, numa época que falar em "rock gaúcho" anda soando um pouco limitante demais.
As influências da banda são claras e já se escancaram na primeira das 10 músicas do CD: Alguém. Rock brasileiro muito inspirado no que se fazia de melhor nos anos 80, a banda também faz suaves e competentes referências aos tons noventistas do rock do mundo todo. Não faltam, além disso, alguns bons toques a lá Beatles, como quando três vozes se unem pra dizer "Esse sonho não é mais meu", em Não vou voltar atrás, quinta faixa. A Cacto Rosa, formada em 2004, chega aqui com um CD limpo, singelo, competente e experiente, de músicas que falam de amor, de dor de cotovelo e até de política, fincando raízes em bases que vão de Velvet Underground até Legião Urbana, passando por Lou Reed e Lemonheads.
AS MÚSICAS
Alguém, faixa um e primeiro single da Cacto Rosa, já dá uma amostra da voz de Bibiana Arriaga, ao mesmo tempo grave e suave. A música prepara para a segunda faixa, Canção do Desamor, uma das mais bonitas composições do disco. O refrão contundente de Canção do Desamor vem acompanhado de arranjos de guitarra e bateria que talvez sejam os melhores do CD.
Em Segredo, faixa elaborada com efeitos vocais que deixam a poesia ainda mais reflexiva, acerta na hora de mixar violões com o mellotron, e marcam a número três do CD como uma canção atemporal e universal. A competência em balançar a sonoridade de um piano especial com o som do rock baseado em guitarras e percussão mostra o quanto esse necessário tempo de estrada deu à banda mais do que experiência. Em segredo é resultado de uma química equilibrada: Carole e Bibiana Arriaga assinam a letra e assumem, respectivamente, bateria e voz mais guitarras; enquanto as participações especiais de Luciano Albo (baixo), Vinicius Tonello (mellotron e percussão) e Leonardo Brunelli (violões) fazem outra das mais bonitas harmonias desse CD.
Mentiras para sorrir, Não vou voltar atrás, Erros e acertos, Eu sigo e Então repetem a competência de todas as músicas e demonstram a versatilidade dessa banda que é jovem mas que sabe muito bem combinar o experimentalismo com a maturidade de melodias que nem parecem saídas de um disco de estréia. A banda mostra que sabe transitar muito bem entre o terreno do rockenroll mais puro e o espaço de fazer música que não precisa de rótulos, porque música boa é música boa, seja de que facção for.
Limites, penúltima faixa, é a única que destoa do tema predominante das 10 músicas de O TEMPO NECESSÁRIO. Ela fala de política sem ser burocrática e de juventude sem ser falsamente radical.
Desculpas tolas, xodó da Cacto Rosa, encerra o CD ao mesmo tempo economizando em firulas musicais e sendo uma das mais completas baladas do rock dos anos 2000. Aliás, Desculpas tolas recupera o sentido sessentista de "balada" quando mistura uma letra singela (mais uma parceria Carole e Bibiana Arriaga), uma música simples e bonita, com aquela nossa conhecida voz grave e suave da Bibiana. Quem gosta de música ou de alguém, não importa, não vai ter medo de dizer que chorou ouvindo a última faixa desse CD. Eu, pelo menos, chorei bastante.
Por: Ana Paula Penkala
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