Tarja Turunen e Marko Hietala - Para muitos na plateia, uma nostalgia de duas décadas atrás
Resenha - Tarja Turunen e Marko Hietala (Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, 22/05/2025)
Por Guilherme Dias
Postado em 02 de junho de 2025
Tarja voltou a Porto Alegre pelo terceiro ano consecutivo, ainda pela "Living The Dream Tour". A apresentação do ano passado foi marcada pela superação da artista e pela frustração do público, pois o tão esperado encontro entre Tarja e Marko Hietala não aconteceu devido a problemas de saúde do finlandês. Os fãs ficaram desapontados por não receberem o que havia sido prometido, mas a dupla logo anunciou um retorno para 2025. Com muita energia, os artistas entregaram tudo o que haviam prometido e, desta vez, a noite foi realmente épica. O local escolhido foi o Auditório Araújo Vianna, que estava praticamente lotado.
Fotos por: Liny Oliveira
A abertura foi realizada pelo Madzilla, banda formada por David Cabezas (vocal e guitarra), Sarah Dugdale (guitarra), Daniel Gortaire (baixo e vocal) e Luis Zevallos (bateria). Com dois discos lançados, o grupo apresentou um show curto, porém suficiente para que o público entendesse o seu propósito. Bastante grato ao público, que aos poucos entrava no auditório, David foi bem comunicativo e, logo no início, disse: "Somos de Las Vegas e vamos falar em português em respeito ao idioma de vocês, hoje somos uma grande família".

Com uma sonoridade voltada entre o heavy e o thrash metal, iniciaram com "A Deadly Threat", música que dá nome ao disco lançado em 2024. Desse álbum também foi apresentada "Warfare Within". Estiveram no repertório ainda o single "Forevermore" e, do EP "Vengeance" (2019), a própria faixa-título e "Destiny’s Eyes", que encerrou a participação do grupo na noite. Ao final, o vocalista se despediu em português também: "Porto Alegre está se ‘divertando’? Vamos tirar uma foto, quero ver todos com as duas mãos levantadas". Agradeceu ao público e avisou que vão voltar para Porto Alegre. Ainda comunicou que o merchandising do grupo estava disponível na lateral do palco e convidou a plateia para tomar cervejas e caipirinhas.
De uma forma bastante intimista, Marko Hietala entrou no palco e apresentou Tuomas Wäinolä. Juntos, fizeram uma apresentação acústica que começou com a música "Stones" (do álbum "Pyre of the Black Heart", lançado em 2020). Essa foi a única canção que eles conseguiram tocar no Bar Opinião no ano passado, quando Marko anunciou que não conseguiria finalizar seu show nem participar junto com Tarja. O público recebeu a dupla muito bem, e Marko aproveitou para agradecer os aplausos. Ele também comentou sobre o disco "Roses From the Deep", lançado em fevereiro deste ano, e apresentou as faixas "Roses From the Deep", "Impatient Zero" e "Two Soldiers".

A primeira música do Nightwish na noite foi "The Island", uma composição de Marko em parceria com Tuomas Holopainen. Essa música foi lançada como single em 2008 e integra o álbum "Dark Passion Play", de 2007. O público reagiu com entusiasmo, cantando junto com Marko do começo ao fim. O show, que foi relativamente curto, terminou com dois verdadeiros hinos do rock and roll: "Holy Diver", do Dio, e "Children of the Grave", do Black Sabbath. Nesses momentos, todos cantaram juntos, criando uma atmosfera especial. Marko e Wäinolä se apresentaram um ao outro de forma bastante afetiva antes de se despedirem do público, que, após boa parte do show sentado, aplaudiu de pé a dupla.

Com mudanças no repertório, Tarja preparou um show especial para esta terceira visita ao Brasil nesta turnê. Esta foi a décima primeira vez que a finlandesa pisou em terras gaúchas, com sete apresentações solo e quatro no início dos anos 2000, quando ainda integrava o Nightwish. Seus companheiros de palco seguem sendo Alex Scholpp (guitarra e vocal), Julian Barrett (guitarra), Pit Barrett (baixo) e Guillermo de Medio (teclados), com mudança apenas na bateria, que desta vez ficou a cargo de Fernando Scarcella, integrante do Rata Blanca.

O repertório teve início com "Eye of the Storm" (faixa que abre a coletânea "Living the Dream", de 2022). Após os aplausos, Tarja dirigiu algumas palavras ao público: "Estou muito contente de estar aqui novamente. Esta é uma noite muito especial. É um prazer e uma honra estar com vocês. Vamos viver um sonho juntos aqui. Vocês estão prontos?". Em seguida, foram apresentadas canções que não faziam parte do último ano da turnê, como: "In for a Kill" (ausente desde 2015), "Undertaker" (retornando após não ter sido apresentada em 2023), "Sing for Me" (fora do repertório desde 2016) e "Deliverance" (que esteve presente em turnês até 2019). Sempre presentes no setlist, a primeira parte do show foi encerrada com "Demons in You" ("The Shadow Self", 2016) e "Victim of Ritual" ("Colours in the Dark", 2013), com direito a Tarja fazer os fãs cantarem as altas notas do final da música.

Com apenas duas cadeiras no palco, junto de Alex, Tarja anunciou que haviam preparado algo especial para o público. Após os primeiros acordes, foi possível reconhecer que se tratava de "Ovelha Negra", da Rita Lee, apresentada com muita emoção e alegria pela finlandesa. Mais cadeiras foram colocadas no centro do palco e os músicos retornaram com violões em mãos, porém uma delas havia ficado vazia. Tarja comentou: "Eu acho que precisa ter alguém aqui…", e logo depois Marko se juntou a ela para um bloco acústico que teve as inesperadas "The Crying Moon" (bônus do disco "What Lies Beneath", 2010), "Feel For You" (do Nightwish, lançada no clássico álbum "Century Child"), "Eagle Eye" (presente no EP "The Brightest Void", de 2016) e a emocionante "Higher Than Hope", também do Nightwish, faixa que encerra o disco "Once", de 2004.

Enquanto o cenário acústico estava sendo desmontado, Marko comentou: "Vamos colocar um pouco de eletricidade na banda?". Com todos plugados novamente, foi a vez do single colaborativo entre Tarja e Marko ser apresentado: a ótima "Left on Mars" (também presente no disco "Roses from the Deep") animou o público, que notoriamente estava sedento por mais músicas com ambos dividindo os vocais. Voltando ao Nightwish dos anos 2000, foi a vez da pesada "Slaying the Dreamer" e da veloz "Wishmaster", para o delírio de todos no Araújo Vianna. A parte final teve ainda "Silent Masquerade" ("In the Raw", 2019), entre as músicas do Nightwish, e o encerramento com "I Walk Alone" ("My Winter Storm"), com Tarja se despedindo ao relembrar da primeira vez que veio a Porto Alegre, há mais de 20 anos, e o quanto o carinho dos fãs é importante para ela.

Uma pausa para o bis e o retorno com um solo de teclados de Guillermo, criando um clima perfeito para "Dead Promises". A empolgante "Wish I Had an Angel", do Nightwish, teve a participação de Marko novamente, e a casa foi abaixo, com muitos espectadores deixando os seus assentos e se aproximando do palco. O fim ocorreu com "Until My Last Breath", um dos clássicos da cantora. Foi uma apresentação impecável, na qual tudo deu certo e superou muito bem os problemas ocorridos na turnê nacional de 2024. Tarja conseguiu mesclar muito bem canções que já são clássicos da sua carreira solo, músicas lado B e aquelas que marcaram os seus anos de Nightwish junto com Marko. A dupla mostrou muito entrosamento e alegria em dividir o palco, como se já quisessem fazer isso há muito tempo.

Para muitos na plateia, uma nostalgia de duas décadas atrás, época em que, para ouvir discos como "Century Child" e "Once", era necessário comprar os CDs nas lojas, gravar em fita K7 os discos dos amigos ou mesmo esperar os clipes do Nightwish, que incrivelmente faziam parte das listas na programação da MTV. Era também um tempo em que os shows eram divulgados com poucos meses de antecedência, por meio de cartazes espalhados pelas avenidas. Para os fãs mais jovens, a oportunidade de ver algo que, até alguns anos atrás, parecia pouco provável de acontecer. Quem foi ao show pôde ver o melhor do trabalho autoral de Tarja e uma ótima reunião com Marko, que foi muito fiel ao que eles apresentavam juntos no Nightwish.



































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