Se os celulares existissem nos anos 80, o Metallica não teria lançado o "Master of Puppets"
Por Bruce William
Postado em 24 de março de 2026
James Hetfield construiu uma fama rara entre guitarristas de metal por causa da mão direita. Sua palhetada quase sempre para baixo, seca e incansável, virou parte central do som do Metallica e ajudou a transformar riffs como os de "Master of Puppets" em referência de precisão, resistência e agressividade. Não por acaso, o produtor musical e youtuber Rick Beato resolveu levantar uma teoria curiosa: se o polegar hoje vive ocupado deslizando em tela de celular, isso pode estar atrapalhando justamente esse tipo de técnica.
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Falando com Lex Fridman, Beato lembrou que antes conseguia tocar daquele jeito, mas hoje sente dor no polegar quando tenta reproduzir a mesma pegada. "James e Kirk… a palhetada para baixo… eu conseguia fazer isso! Só que não consigo mais. Meu polegar dói.", disse, em fala publicada na Guitar. E, logo em seguida, ele arriscou a explicação: "Acho, sinceramente - pensei muito nisso - que é por causa de ficar deslizando o polegar no celular. Acho que isso afeta aquela articulação basal ali."
A ideia pode soar meio maluca à primeira vista, mas o raciocínio dele vai justamente na direção de um desgaste moderno que músicos de outras décadas não enfrentavam da mesma forma. Beato insistiu que falava sério e voltou ao ponto de que aquele movimento repetitivo do celular talvez esteja cobrando um preço quando chega a hora de executar downpicking pesado, algo que exige força, repetição e controle.
É claro que ninguém pode provar, efetivamente, que "Master of Puppets" deixaria de existir por causa disso. Mas a provocação funciona porque a própria música continua sendo tratada como desafio até para quem a gravou. Em janeiro, o próprio Hetfield admitiu que há faixas do Metallica que ainda exigem mais dele ao vivo, e citou justamente "Moth Into Flame" e "Master of Puppets": "Todos nós temos certas músicas que são um pouco difíceis. 'Moth Into Flame', 'Master of Puppets', essas são duas que fazem a gente pensar: 'Uau, essas são um pouco difíceis'."
Ou seja: se até James Hetfield reconhece o quanto certas músicas cobram da mão e do corpo, dá para entender por que Rick Beato olha para o uso constante do celular e suspeita que isso não ajuda em nada. Pode não ser uma verdade médica fechada, mas como provocação sobre hábitos modernos e técnica de guitarra, a tese tem seu veneno. Se existisse TikTok em 1986, talvez o polegar de muito guitarrista andasse ocupado demais para encarar "Master of Puppets" com a mesma naturalidade...
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