As três músicas que resumem as três diferentes fases do Pink Floyd
Por Bruce William
Postado em 26 de agosto de 2026
Poucas bandas importantes mudaram tanto de identidade ao longo da carreira quanto o Pink Floyd. A formação, a liderança criativa e até o tipo de música produzido passaram por transformações profundas. Uma forma simples de organizar essa trajetória é dividi-la em três grandes capítulos - e escolher uma música para representar cada um deles, conforme fez a Far Out.
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O primeiro pertence a Syd Barrett. Nos anos iniciais, ele era o principal compositor, cantor e força criativa do grupo, misturando psicodelia, humor britânico e letras surreais. A escolha para representar essa fase é "Arnold Layne", single de 1967 sobre um sujeito que roubava roupas femininas de varais. A faixa carrega bem o espírito excêntrico do Pink Floyd que frequentava o UFO Club londrino antes de Barrett deixar a banda.
Depois da saída do músico, em 1968, o grupo passou alguns anos tentando descobrir para onde iria. Discos como "A Saucerful of Secrets", "More", "Ummagumma" e "Atom Heart Mother" registram essa procura, até que "Meddle", em 1971, começou a mostrar uma direção mais definida. O salto decisivo viria dois anos depois com "The Dark Side of the Moon".
Para representar esse segundo capítulo, a escolha é "Time". A faixa reúne praticamente tudo que faria do Pink Floyd uma das maiores bandas dos anos 1970: construção atmosférica, tema existencial, arranjo elaborado e uma guitarra de David Gilmour imediatamente reconhecível. Foi também nesse período que Roger Waters assumiu progressivamente o papel de principal letrista e arquiteto conceitual do grupo.
A fase renderia a sequência mais celebrada da discografia: "The Dark Side of the Moon", "Wish You Were Here", "Animals" e "The Wall". Waters ganharia cada vez mais controle sobre a direção artística, até que as tensões internas culminaram em sua saída em 1985.
O terceiro capítulo começa justamente depois disso. Sob liderança de David Gilmour, o Pink Floyd retornou em 1987 com "A Momentary Lapse of Reason". A música escolhida para simbolizar essa etapa é "Learning to Fly", primeiro single do álbum e uma espécie de cartão de visitas daquele novo Floyd, agora sem Waters.
Nick Mason permaneceu ao lado de Gilmour, e Richard Wright voltou gradualmente à formação. "The Division Bell", de 1994, seria geralmente melhor recebido, mas "Learning to Fly" representa melhor a ruptura: era o momento em que o Pink Floyd mostrava que continuaria existindo mesmo depois da saída de um de seus principais compositores.
Assim, "Arnold Layne", "Time" e "Learning to Fly" funcionam como três placas numa estrada muito longa: Barrett criou a primeira identidade, Waters ajudou a levar o grupo ao auge conceitual e Gilmour comandou sua sobrevivência posterior. A discussão sobre qual dessas fases é a melhor provavelmente nunca acaba - e talvez seja justamente isso que torna a história do Pink Floyd tão peculiar.
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