Joan Jett relembra humilhações sofridas nos shows e admite que chorava depois de tocar
Por Bruce William
Postado em 18 de outubro de 2026
Hoje considerada uma das figuras mais importantes do rock feito por mulheres, Joan Jett precisou enfrentar situações bastante desagradáveis antes de conquistar reconhecimento. Nos anos setenta, quando tocava guitarra nas Runaways, a cantora descobriu que parte do público não estava disposta a aceitar um grupo de adolescentes fazendo rock pesado. E algumas manifestações de hostilidade ultrapassavam qualquer limite razoável.
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Em entrevista concedida a Sinéad Gleeson, do jornal The Irish Times, em 2010, Joan contou que as integrantes das Runaways eram inicialmente tratadas com desprezo por muitos homens, que imaginavam estar diante de garotas vivendo uma fase passageira. Quando percebiam que elas levavam a música a sério, porém, a situação piorava. Em determinada apresentação, a guitarrista chegou a ser atingida na cabeça por uma garrafa, caiu e voltou a tocar.
"Quando os caras achavam que era apenas uma fase, nos menosprezavam. Mas, quando perceberam que estávamos falando sério, ficaram agressivos. É difícil explicar às pessoas o que significa ser alvo de cusparadas. Eles esperavam que saíssemos do palco chorando, mas não saíamos. Ficávamos ali", recordou.
A cantora admitiu que a experiência tinha consequências depois das apresentações. "Depois do show, eu estava pingando cuspe e simplesmente colocava a cabeça entre as mãos e chorava de pura frustração. Não conseguia entender qual era o problema." Mesmo assim, Jett afirmou que só deixaria o palco se estivesse fisicamente impossibilitada de continuar. Ser intimidada pelo público não era motivo suficiente para fazê-la desistir.
A resistência também vinha de outros lugares. Segundo Joan, algumas feministas criticavam as Runaways por considerarem sua imagem excessivamente sexualizada. Ela, por sua vez, argumentava que eram adolescentes cantando sobre assuntos que faziam parte de suas próprias vidas. O objetivo da banda era tocar um rock com a mesma atitude de Rolling Stones e Led Zeppelin, sem precisar adotar um comportamento considerado apropriado para garotas daquela idade.
A influência de Suzi Quatro foi fundamental para que Joan acreditasse nessa possibilidade. Ao ver uma mulher conquistando espaço no rock, percebeu que também poderia seguir aquele caminho. Entretanto, depois da dissolução das Runaways, em 1979, encontrou novas dificuldades. Sua carreira solo foi rejeitada por 23 gravadoras, levando-a a criar a Blackheart Records com Kenny Laguna, que se tornaria seu parceiro profissional de longa data.
O sucesso finalmente chegou com Joan Jett & The Blackhearts, especialmente com "I Love Rock 'n' Roll", que alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas em 1982. Décadas depois das apresentações em que era recebida com cusparadas e insultos, a guitarrista continuava defendendo a mesma ideia que a levou a montar uma banda na adolescência: mulheres podiam tocar rock tão pesado, barulhento e provocador quanto qualquer grupo formado por homens.
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