Os 5 melhores álbuns dos Rolling Stones de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de outubro de 2026
Escolher apenas três discos dos Rolling Stones se mostrou uma missão impossível para Regis Tadeu. Atendendo a pedidos do público, o jornalista tentou montar um "três mais" com seus favoritos da banda, mas acabou ampliando a seleção para cinco títulos em vídeo publicado no seu canal no YouTube. Mesmo assim, obras como "Beggars Banquet" e "Aftermath" ficaram de fora, ausência que, segundo ele, "sangrou a minha alma". Regis avisou que a lista não segue ordem de preferência.
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A primeira escolha foi "Exile on Main St.", de 1972, apontado por ele como a maior conquista discográfica do grupo. Regis relembrou as gravações no porão úmido de uma mansão no sul da França, onde o ambiente afetava a afinação dos instrumentos e obrigava a equipe a puxar cabos até um caminhão de gravação estacionado do lado de fora. "Esse álbum é como se fosse um documento sonoro a respeito da decadência, a respeito do excesso, da capacidade quase sobre-humana de você criar arte sublime no meio do caos absoluto, caos de ambiente, caos de circunstância", definiu.
Na sequência veio "Sticky Fingers", de 1971, com a capa criada por Andy Warhol e o famoso zíper de metal. Foi o primeiro lançamento do selo próprio da banda, o Rolling Stones Records. Regis destacou a abertura com "Brown Sugar", a balada "Wild Horses", inspirada em Gram Parsons, e "Can't You Hear Me Knocking", que começa com um riff de Keith Richards e se transforma numa jam session com pitadas de funk e jazz, com solos de Mick Taylor na guitarra e de Bobby Keys no saxofone.
"Let It Bleed", de 1969, completa a trinca de clássicos. Regis lembrou que o disco chegou às lojas um dia antes da tragédia de Altamont e meses depois da morte de Brian Jones, clima que transparece em "Gimme Shelter", "Midnight Rambler" e "Live With Me". "Esse disco até hoje é o retrato do caos transformado em genialidade completamente bruta. Ele consolidou os Stones como os cronistas do lado escuro da cultura pop, que deixou de ser bonitinha, deixou de ser psicodélica e passou a ser muito densa, passou a ser perigosa", disse.
A quarta escolha, "Tattoo You", de 1981, nasceu de forma curiosa. Com os integrantes brigados e sem condições de compor juntos, o produtor Chris Kimsey vasculhou os arquivos da banda atrás de material para sustentar uma turnê americana. "Tops" e "Waiting on a Friend" vieram das sessões de "Goats Head Soup", ainda com Mick Taylor, e "Start Me Up" saiu de um esboço da época de "Black and Blue" chamado "Never Stop". Jagger regravou os vocais, Ron Wood acrescentou guitarras e o resultado soou como um retorno à melhor forma.
O fechamento ficou com a escolha mais surpreendente: "Black and Blue", de 1976. Gravado depois que Mick Taylor deixou o grupo, logo após "It's Only Rock 'n Roll" (1974), o disco funcionou como um teste para escolher o substituto. Wayne Perkins, músico de estúdio de Muscle Shoals, brilhou em "Hand of Fate" e "Fool to Cry", e Harvey Mandel, do Canned Heat, em "Hot Stuff". Ron Wood levou a vaga pela convivência com a banda e pelo trabalho em "Hey Negrita" e "Crazy Mama". Para Regis, o álbum merece outra reputação:
"Até hoje é um álbum criminosamente criticado e até mesmo ignorado. Mas esse álbum demoliu de vez a impressão errada que o público e grande parte da imprensa tinham de que os Rolling Stones eram formados por estátuas de sal presas naquele blues britânico dos anos 60. Esse álbum escancarou a capacidade dos caras de assimilar a música preta contemporânea daqueles tempos, o verdadeiro funk, o reggae, o rhythm and blues. E eles fizeram isso sem perder um milímetro sequer da própria identidade."
Confira o vídeo completo abaixo.
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