Para Al Jourgensen, Ministry já deu tudo o que tinha a oferecer
Por João Renato Alves
Postado em 17 de outubro de 2026
No próximo dia 30 de outubro, o Ministry lança seu último álbum de estúdio, "Hate to Go (Take Out or Delivery)". A seguir, a banda realizará seus shows derradeiros. À revista Hit Parader, o multi-instrumentista e líder Al Jourgensen explicou o que o fez decidir por interromper as atividades no momento atual.
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"Entendo que o Ministry já deu tudo o que tinha para oferecer. Levamos o nosso estilo ao máximo que podíamos. Não sinto mais a necessidade de seguir por este caminho. Estou muito satisfeito com este álbum e acredito que ele seja o ponto culminante de 40 anos utilizando os mesmos elementos. É uma boa forma de encerrar. Estou muito contente com o resultado. Não me sinto entusiasmado em continuar fazendo esse tipo de música - ou música, de modo geral."
O músico entende ser melhor encerrar tudo antes de a situação cair no marasmo. "Um dia se tornaria algo monótono e muito repetitivo. Não creio que o resultado seria tão bom se eu tentasse fazer mais um disco. Portanto, acho que este é o momento certo. Além disso, tenho 68 anos. Veja bem, que Deus abençoe os Rolling Stones - eles já estão na casa dos 80 anos, gravando discos novos e tudo mais -, mas eu simplesmente tenho outros interesses."
Al foi além no desabafo, deixando claro que ser artista não era sua prioridade inicial. "Na verdade, eu nunca quis fazer isso. É algo bastante conhecido: meu desejo era ser professor de história no ensino médio ou na universidade. Mas aí surgiram umas fitas demo que começaram a vender e, de repente, me vi em uma banda, tentando montá-la. Fiz testes com uns 10 ou 12 cantores, não queria ser o vocalista. Se fosse para escolher, sempre quis ser o Jimmy Page, não o Robert Plant. No entanto, fui sendo arrastado para dentro disso. Senti-me um pouco como o Michael Corleone em 'O Poderoso Chefão 3': toda vez que tento sair, me puxam de volta. A coisa foi crescendo, tornando-se um monstro cada vez maior. Não foi um caminho que planejei seguir, mas, pelo visto, consegui desempenhar esse papel bem o suficiente para sustentar uma carreira de 45 anos. Só que, uma hora, chega o momento de parar."
Fundado em Chicago no ano de 1981, o Ministry se tornou uma das maiores referências do metal industrial em todo o planeta – após um início voltado ao synthpop. Seus maiores sucessos foram a sequência "The Land of Rape and Honey" (1988), "The Mind is a Terrible Thing to Taste" (1989) e "ΚΕΦΑΛΗΞΘ" (1992). Os dois primeiros ganharam disco de ouro nos Estados Unidos, enquanto o terceiro foi além e faturou premiação de platina.
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