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Wings of Steel novamente acerta com "Winds of Time"

Resenha - Winds of Time - Wings of Steel

Por
Postado em 01 de novembro de 2026

Na resenha que fiz sobre o debut "Gates of Twilight", comentei que o nome Wings of Steel sempre me fazia lembrar dos australianos do Pegazus, em especial da música que abre seu primeiro álbum. Ainda há uma semelhança nas capas, por causa dos temas, mas depois de ouvir "Winds of Time", porém, a primeira referência já é o próprio Wings of Steel. Se o debut apostava numa mistura de Hard Rock, Heavy Metal e blues, o novo trabalho traz, em alguns momentos, uma sonoridade mais pesada e com ares mais épicos.

Foto: Reprodução
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Lançado em 17 de outubro de 2025 pela High Roller Records e no Brasil pela Shinigami Records, "Winds of Time" é o segundo álbum completo da banda de Los Angeles. O núcleo permanece formado pelo vocalista sueco Leo Unnermark e pelo guitarrista estadunidense Parker Halub, que também gravou o baixo. Na bateria está Damien Rainaud, o mesmo responsável pela mixagem e masterização. Ele já havia trabalhado com a banda anteriormente e agora também toca em todas as faixas.

A principal diferença em relação ao primeiro álbum aparece logo na abertura. Em vez de uma música curta e grudenta como "Liar in Love", o Wings of Steel inicia o disco com uma faixa de mais de dez minutos. Uma escolha arriscada, sem dúvida, mas "Winds of Time" justifica sua posição. A música alterna passagens rápidas e melódicas, com vários solos de Parker e uma interpretação marcante de Leo. O refrão funciona muito bem e as mudanças não quebram a sequência da composição. A letra fala sobre vigilância, manipulação política, guerras e falsas promessas de liberdade. Mesmo tratando de diferentes assuntos, ela mantém uma linha fácil de acompanhar. Ao longo dos dez minutos, a banda reúne ótimos riffs, mudanças de andamento e solos bem construídos. É uma abertura incomum para os padrões atuais, mas uma das melhores faixas gravadas pelo Wings of Steel. Depois disso, "Saints and Sinners" resolve tudo em apenas dois minutos e quarenta e seis segundos. A faixa é veloz, conduzida pelo bumbo duplo de Damien e por riffs que lembram o Judas Priest em seus momentos mais acelerados. Leo atinge notas altíssimas e o refrão, apesar de simples, fica na cabeça.

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"Crying" é a composição que mais lembra o primeiro álbum. Trata-se de uma power ballad com elementos de Dokken, Whitesnake e do Hard Rock americano dos anos 1980. A letra aborda o fim de um relacionamento, enquanto Leo deixa os agudos mais extremos de lado e canta de maneira mais emotiva. Parker acompanha com bases marcantes e um solo muito bem colocado. É uma faixa acessível, mas não chega a quebrar o clima do disco. A velocidade retorna em "Burning Sands", uma música que muda bastante ao longo de seus seis minutos. O início é rápido, mas, por volta da metade da música, surge um riff lento e pesadaço. Essa passagem está entre os melhores momentos do álbum. Depois, a banda recupera o ritmo inicial e encerra a faixa com mais um ótimo trabalho de guitarra. "To Die in Holy War" segue pelo Heavy Metal tradicional, com riffs cortantes e uma das interpretações mais agressivas de Leo. A letra questiona líderes que enviam pessoas para morrer usando a religião, o patriotismo e promessas de salvação como justificativa. O refrão possui força e deverá funcionar muito bem nos shows.

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Em seguida, "Lights Go Out" apresenta o momento mais pesado do álbum. O riff principal lembra o Black Sabbath da fase Tony Martin, especialmente pelo andamento arrastado e pelo clima um pouco mais sombrio. Leo canta em registros mais baixos durante boa parte da música, mostrando que sua voz não depende apenas dos agudos. O solo curto e fritado de Parker quebra a cadência na medida certa e impede que a faixa se torne repetitiva. "We Rise" recupera a face mais melódica da banda. O início é calmo e o andamento é moderado, as guitarras possuem um toque de Hard Rock e o refrão foi claramente pensado para receber a participação do público. A letra fala sobre união, esperança e resistência diante do medo e da corrupção. A música também quebra a sequência de temas mais sombrios e recupera o lado mais acessível do Wings of Steel, tudo embalado por ótimos riffs.

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O álbum termina com "Flight of the Eagle", que ultrapassa oito minutos. A faixa começa lentamente, com guitarras melódicas e segue com Leo interpretando uma letra sobre liberdade, passagem do tempo e retorno ao lar. O arranjo cresce durante a execução e Parker volta a ganhar destaque na guitarra. É uma música emotiva e fecha o disco muito bem.

A mixagem de Damien Rainaud deixa cada instrumento perfeitamente identificável. A bateria soa natural, o baixo aparece com clareza e os solos de Parker mantêm definição mesmo nas passagens mais rápidas. A voz de Leo permanece nítida em todas as faixas. A produção mantém a sonoridade orgânica ouvida em "Gates of Twilight". Em comparação com "Gates of Twilight", o novo álbum possui menos blues e mais Heavy Metal. Quem gostou de músicas como "Leather and Lace" poderá sentir falta daquele balanço, mas encontrará uma banda mais rápida, técnica e interessada em desenvolver composições extensas. O resultado é menos imediato que o debut, porém cresce a cada audição.

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Se "Gates of Twilight" foi uma estreia certeira, "Winds of Time" é o segundo acerto do Wings of Steel. Leo Unnermark continua impressionando pelo alcance vocal, enquanto Parker Halub traz riffs e solos de altíssimo nível. Damien Rainaud completa o trio com uma ótima atuação. O grupo acertou novamente e o álbum é totalmente indicado para fãs de Heavy Metal tradicional, US Metal e Hard Rock. Resta aguardar o terceiro álbum e ver como a banda soará, pois é um nome que promete.

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Sobre Maicon Leite

Maicon Leite é assessor de imprensa na Wargods Press, colaborador na revista Roadie Crew e um dos autores do livro Tá no Sangue! - A História do Rock Pesado Gaúcho, dentre outros projetos e publicações.
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