A opinião de Neil Peart sobre Stewart Copeland; "toca com simplicidade"
Por Bruce William
Postado em 11 de julho de 2026
Neil Peart se tornou um dos bateristas mais reverenciados do rock justamente por unir precisão, complexidade e imaginação. No Rush, ele ajudou a criar partes de bateria que pareciam quase arquitetadas, com viradas elaboradas, mudanças de clima e uma relação muito forte entre música e conceito. Mas seu gosto pessoal era bem mais amplo do que muita gente poderia imaginar.
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Um dos bateristas que Peart admirava era Stewart Copeland, do The Police. A princípio, a comparação pode parecer estranha para quem olha apenas a superfície: de um lado, o Rush, associado ao rock progressivo e a estruturas longas; do outro, o The Police, com canções mais enxutas, influência de reggae, punk e new wave. Para Peart, porém, isso não era uma contradição.
Em entrevista à Modern Drummer em 1980, lembrada pelo site Rock and Roll Garage, Peart explicou que nem sempre seu estilo refletia exatamente seus gostos como ouvinte. Ele podia se encantar por bateristas que tocavam de maneira muito diferente da sua.
"Há uma banda chamada The Police, e o baterista deles toca com simplicidade, mas com tanto entusiasmo. É ótimo. Ele simplesmente tem uma nova abordagem", disse Peart.
A admiração não ficou só na bateria. Em seu livro "Traveling Music", Peart citou o The Police entre as bandas que influenciaram o Rush no fim dos anos 1970 e começo dos 1980. Naquele período, ele vinha ouvindo nomes ligados à new wave, como Talking Heads, Ultravox, Japan, Joe Jackson e o próprio The Police, e parte dessa mudança acabou entrando na música do Rush.
Peart também lembrava como alguns fãs reagiam mal a essa aproximação. Em uma entrevista à Canadian Musician em 1994, ele disse que muita gente parecia acreditar que não era possível gostar das duas bandas ao mesmo tempo. "Se você gostava do The Police, não podia gostar do Rush; e se gostava do Rush, não podia gostar do The Police. Isso realmente me chocou."
Para ele, o The Police era uma banda interessante, formada por bons músicos e fazendo algo relevante. O problema é que uma parte do público queria que o Rush continuasse preso ao som de FM dos anos 1970, sem absorver reggae, new wave ou outras influências. Quando o trio canadense começou a mudar, alguns fãs sentiram aquilo quase como uma traição.
Com o tempo, Peart e Copeland acabaram se tornando amigos. Copeland contou que só foi conhecer melhor Rush depois, e chegou a ficar um pouco constrangido ao descobrir que Neil era seu fã antes que ele próprio soubesse muito sobre a banda canadense. Os dois passaram a conviver, tocar juntos e se visitar, em uma amizade que continuou até os últimos anos de Peart.
A relação entre os dois mostra algo bonito sobre músicos realmente grandes. Peart não admirava Copeland apesar da simplicidade, mas justamente pela maneira como ele fazia algo direto soar vivo, nervoso e novo. Para um baterista famoso por estruturas complexas, reconhecer essa força em outro estilo era também uma prova de escuta aberta.
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