A música escrita na última hora que salvou o Kansas do fim das atividades
Por Bruce William
Postado em 25 de setembro de 2026
O Kansas já tinha três álbuns nas costas, uma boa reputação nos palcos e dinheiro considerável investido pela gravadora. Faltava aquilo que costuma decidir o destino de uma banda diante dos executivos: um sucesso capaz de transformar prestígio em vendas. Quando chegou a hora de preparar "Leftoverture", de 1976, a sensação era de que aquela oportunidade poderia ser a última.
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A situação ficou ainda mais complicada quando Steve Walsh, que dividia boa parte das composições com Kerry Livgren, avisou que não tinha nenhuma música nova. Livgren passou então a escrever praticamente sem parar durante os ensaios. "Eu não gosto desse tipo de pressão, mas, olhando para trás, ela realmente tirou o melhor de mim", recordou o guitarrista, conforme publicado na Far Out.
"Carry On Wayward Son" apareceu quando o trabalho já estava praticamente encerrado. Segundo Rich Williams, a banda estava no último dia de ensaios, prestes a guardar os equipamentos e viajar para a Louisiana, quando Livgren anunciou que tinha mais uma música. O grupo estava cansado, mas percebeu rapidamente que havia algo diferente naquele material.
O baterista Phil Ehart resumiu bem a dimensão daquela coincidência: "Estávamos guardando nossas coisas quando Kerry entrou com aquela adição de última hora. Para uma música tão, tão especial, ela quase não entrou no disco". Livgren lembra que bastou apresentá-la aos companheiros para a história mudar de rumo.
O resultado foi o primeiro grande hit do Kansas. "Carry On Wayward Son" chegou ao 11º lugar da Billboard Hot 100 e ajudou Leftoverture a alcançar o Top 5 nos Estados Unidos, onde o álbum acabaria vendendo milhões de cópias.
Williams reconheceu anos depois que o cenário poderia ter sido bem diferente sem aquela música. O guitarrista afirmou que Don Kirshner já havia colocado muito dinheiro no grupo e que, sem o sucesso de Leftoverture e de "Wayward Son", aquele disco poderia muito bem ter sido o último do Kansas.
A ironia é que a canção responsável por virar a situação não nasceu de uma estratégia calculada para as rádios. Ela apareceu praticamente na saída do ensaio, quando o álbum já parecia pronto - e acabou transformando uma banda sob pressão em um dos maiores nomes do rock americano dos anos setenta.
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