Produtor contesta declaração de Tony Iommi sobre último disco do Black Sabbath
Por João Renato Alves
Postado em 17 de outubro de 2026
Mês passado, Tony Iommi revelou ter recebido uma proposta para um último álbum do Black Sabbath reunindo a formação original. A ideia partiu do produtor Andrew Watt, que trabalhou nos dois últimos álbuns solo de Ozzy Osbourne – "Ordinary Man" (2020) e "Patient Number 9" (2022). No entanto, o guitarrista recusou. Mais detalhes no link abaixo.
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Ao podcast The Rolling Stone Studio, o produtor apresentou sua versão dos fatos. "Acho que a fala de Tony foi tirada de contexto. Você me conhece. Sou, sem dúvida, um músico - e uma pessoa - entusiasmado. Isso é verdade. Mas não foi por esse motivo que não aconteceu. Ozzy queria continuar trabalhando e criando coisas; estávamos fazendo música e surgiu a ideia - já que estávamos conversando sobre tentar algo um pouco diferente... Os dois álbuns que fizemos, 'Ordinary Man' e 'Patient Number 9', eram trabalhos distintos, mas que compartilhavam o mesmo DNA. Então pensamos: 'O que poderíamos fazer de diferente?', 'Você quer fazer algo com o Tony?', 'Será que deveríamos gravar um álbum Osbourne/Iommi?'
Estávamos discutindo isso, quando ele simplesmente disse: 'Vamos fazer um último álbum do Sabbath'. Ele comentou: 'Nós não chegamos a gravar um álbum com o Bill Ward'. Olhando para trás, para tudo o que ele desejava realizar, gravar um álbum com o Bill era algo realmente importante para ele. Isso foi antes de acontecer o 'Back To The Beginning'. Acredito que a ideia de fazer algo com o Bill era muito, muito importante, uma das primeiras formas que isso tomou foi a possibilidade de um álbum. Como é típico do Ozzy, ele me deu as diretrizes: 'Ligue para o Tony. Depois, ligue para o Geezer. E, então, ligue para o Bill'."
Andrew seguiu as ordens do Madman e jura ter conseguido retorno positivo até o último obstáculo. "Pois bem, liguei para o Tony. Perguntei: 'Você toparia fazer?' e ele respondeu: 'Sim, parece uma boa ideia. Se o Bill topar, eu topo'. O Geezer disse: 'Se o Bill topar, eu topo'. Tudo girava em torno de: 'Se o Bill topar, nós topamos'. Então, precisei conversar com o Bill. Foi uma conversa das mais estranhas, engraçadas e, ao mesmo tempo, sensacionais - afinal, você está falando com o Bill Ward. Foi uma conversa longa. Ele falava de um jeito quase incompreensível - o que, agora que o conheço e somos amigos, faz todo sentido.
Resumindo - sem entrar em muitos detalhes -, ele não pôde participar do álbum por motivos pessoais. Recebemos um e-mail muito bacana, bonito e detalhado; eu estava incluído em uma troca de e-mails com os membros originais do Black Sabbath, o que foi algo bem legal. Depois que conversamos, chegamos à conclusão de que, se o Bill não podia participar, não fazia sentido seguir em frente. Imagino que o Tony não quis entrar em todos esses pormenores."
Watt ainda fez questão de deixar claro todo o seu respeito e reverência pelo mestre dos riffs. "O Tony é incrível. Ele é um grande amigo meu e um excelente mentor. Nós compusemos algumas músicas juntos para o álbum do Ozzy e foi uma experiência fantástica trabalhar com ele. Eu fiquei, sem dúvida, empolgado com a possibilidade de um álbum do Sabbath, mas esse não foi o motivo pelo qual não aconteceu. Acho que o Tony estava apenas brincando naquela entrevista - e, aliás, quem quiser brincar comigo desse jeito, fique à vontade!"
Ao ser questionado se existem músicas inéditas de Ozzy que poderiam vir a público no futuro, Andrew respondeu: "Existem algumas canções que criamos com um propósito específico. E... é só isso que posso dizer. Para mim, é difícil ouvi-las. Eu nem cheguei a escutá-las. Talvez ainda lancemos um dia. Na véspera do show, eu estava em Birmingham com a Sharon e mais algumas pessoas para comer um curry enquanto trocava mensagens com o Ozzy. Ele estava no quarto de hotel e insistia: 'Venha para o hotel, venha para o hotel'. Eu estava com a Sharon e pensamos: 'Ele tem um dia importante amanhã; talvez seja melhor eu não ir, para não deixá-lo agitado demais'. Mas ele insistiu: 'Não, você vai vir para o hotel. Você vai vir'. Então, fui. Levei um curry e sentamos. Ele estava desenhando, como costuma fazer; nós ouvimos o material que tínhamos criado e fizemos algumas anotações. Aquele momento e o dia seguinte foram as últimas vezes que o vi. Tivemos uma sessão de audição maravilhosa e conversamos sobre muita coisa."
Andrew também falou sobre sua amizade com o saudoso vocalista do Black Sabbath: "É difícil pensar nisso, mas sinto falta dele todos os dias. Ele me ensinou tantas coisas. E, se o Ozzy Osbourne escolhia você, ele lhe proporcionava uma carreira. Digo, ele fez isso repetidas vezes. Eu sempre amei o rock, mas era um produtor de música pop antes de ele me escolher para ficar ao seu lado. Isso me permitiu realizar tantas coisas incríveis depois. Mas ele foi o primeiro. Veja só: ele escolheu Randy Rhoads, Zakk Wylde, Jake E. Lee... e, chegando aos dias de hoje, temos o Yungblud, que já estava em uma trajetória fantástica antes do 'Back to the Beginning', mas o Ozzy escolheu a música 'Changes' para ele cantar e isso mudou sua vida."
O último álbum de estúdio do Black Sabbath foi "13" (2013). Produzido por Rick Rubin, contou o baterista Brad Wilk (Rage Against the Machine, Audioslave) no lugar de Bill Ward. Apesar de críticas e o descontentamento dos músicos, o trabalho foi um grande sucesso comercial. Três anos mais tarde, saiu o EP "The End", com faixas que haviam sobrado das sessões.
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