A música com andamento esquisito do Pink Floyd que todo mundo conhece
Por Bruce William
Postado em 09 de outubro de 2026
"Money" dificilmente parece ter sido planejada para se tornar um grande sucesso. A música começa com ruídos de moedas e caixas registradoras, gira em torno de um riff de baixo pouco convencional e passa boa parte do tempo em 7/4, longe do confortável 4/4 que domina o rock. Mesmo assim, acabou se tornando uma das faixas mais conhecidas da história do Pink Floyd.
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A ideia básica veio pronta de Roger Waters. David Gilmour contou à Guitar World que o baixista chegou às sessões praticamente com versos, letra e riff definidos. "É o riff do Roger. Ele apareceu com os versos e a letra de 'Money' mais ou menos completos. Nós criamos as partes intermediárias, os solos de guitarra e todas essas coisas."
O compasso irregular fazia parte da composição desde o início. Waters afirmou posteriormente que, ao tocar a música no violão, pensava nela basicamente como um blues, sem se preocupar muito com a matemática. Para os colegas, porém, a sensação não era tão natural. Nick Mason chegou a lembrar que era bastante difícil tocar acompanhando aquela estrutura.
A banda encontrou uma solução especialmente eficiente quando chegou ao solo de guitarra de Gilmour: saiu do 7/4 e entrou em um 4/4 convencional. "Criamos uma progressão em 4/4 para o solo de guitarra e fizemos o pobre saxofonista tocar em 7/4", contou Gilmour, acrescentando que também quis deixar uma das passagens do solo mais seca e vazia para aumentar o impacto.
Esse contraste ajuda a explicar por que "Money" soa estranha sem parecer inacessível, relata a Far Out. O riff cria uma pequena sensação de desequilíbrio, enquanto a entrada do solo em 4/4 abre espaço para uma explosão muito mais familiar ao ouvido de quem cresceu escutando blues e rock. Depois, a música retorna ao compasso original.
A aposta pouco óbvia funcionou. "Money" tornou-se o primeiro grande sucesso do Pink Floyd nos Estados Unidos, chegando ao 13º lugar da parada americana, e ajudou a ampliar ainda mais o alcance de "The Dark Side of the Moon". A banda não estava tentando fabricar um single convencional - e talvez justamente por isso tenha acabado criando um dos mais reconhecíveis de sua carreira.
O mais curioso é que toda essa assinatura rítmica nasceu de algo que Waters tratava quase instintivamente. Enquanto os outros contavam os tempos e estranhavam a ausência daquele oitavo pulso esperado, ele simplesmente respondia que era daquele jeito. E daquele jeito ficou.
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