Do início caótico ao último álbum, a discografia do Megadeth comentada por Mateus Ribeiro
Por Mateus Ribeiro
Postado em 09 de outubro de 2026
Em abril de 1983, o guitarrista californiano Dave Mustaine foi demitido do Metallica, que, na época, estava prestes a gravar seu primeiro disco, "Kill 'Em All" (lançado três meses depois). O rompimento foi motivado pelo comportamento do músico, que mantinha uma relação perigosa com o álcool e outras substâncias.
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Naturalmente, a demissão magoou Mustaine, que juntou os cacos e montou o projeto de sua vida, o Megadeth. Criado na base do ódio e do ressentimento, o grupo se firmou como um dos grandes nomes do thrash metal, ao lado de Slayer, Anthrax e do próprio Metallica.
Mais de quarenta anos se passaram e, em 2025, Mustaine decidiu que era hora de colocar um ponto final na trajetória da banda. A última turnê, que deve se estender ao menos até 2028, foi precedida pelo álbum autointitulado do quarteto, lançado em janeiro de 2026.
"Megadeth" encerra um catálogo composto por 17 discos de estúdio. Alguns desses trabalhos são clássicos indispensáveis do metal, enquanto outros não contam com tanto prestígio.
Este que vos escreve analisou os álbuns da banda fundada por Mustaine e elaborou um "guia", que pode ser conferido a seguir. Aumente o volume, aperte o play e confira a discografia do Megadeth comentada por Mateus Ribeiro.
"Killing Is My Business... And Business Is Good!" (1985)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Chris Poland (guitarra), David Ellefson (baixo) e Gar Samuelson (bateria)
O disco de estreia do Megadeth é agressivo e apresenta passagens intrincadas, que mostram as habilidades dos músicos que o gravaram. Não se trata de nenhuma obra-prima, mas é um bom cartão de visitas.
Faixa que eu mais gosto: "Looking Down the Cross"
"Peace Sells... But Who's Buying?" (1986)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Chris Poland (guitarra), David Ellefson (baixo) e Gar Samuelson (bateria)
Clássico do thrash metal. Intenso do início ao fim, "Peace Sells…" provou que o Megadeth não era apenas fogo de palha.
Faixa que eu mais gosto: "Wake Up Dead"
"So Far, So Good... So What!" (1988)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Jeff Young (guitarra), David Ellefson (baixo) e Chuck Behler (bateria)
Após mostrar uma evolução considerável do primeiro para o segundo álbum, no terceiro, o Megadeth "voltou algumas casas". Embora não seja ruim, "So Far, So Good… So What!" é um disco "adolescente": confuso, cheio de energia e com muitas ideias (umas boas, outras nem tanto).
Faixa que eu mais gosto: "In My Darkest Hour"
"Rust in Peace" (1990)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Marty Friedman (guitarra), David Ellefson (baixo) e Nick Menza (bateria)
Obra-prima. Não tem muito mais o que falar sobre um trabalho que apresenta faixas do calibre de "Holy Wars… The Punishment Due", "Hangar 18" e "Tornado of Souls".
Faixa que eu mais gosto: "Tornado of Souls"
"Countdown to Extinction" (1992)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Marty Friedman (guitarra), David Ellefson (baixo) e Nick Menza (bateria)
Em seu quinto disco, o Megadeth tirou o pé do acelerador e passou a investir em composições mais diretas. A aposta funcionou e apresentou ao mundo um lado até então desconhecido do grupo. Outro clássico, que figura entre os registros mais celebrados da banda.
Faixa que eu mais gosto: "This Was My Life"
"Youthanasia" (1994)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Marty Friedman (guitarra), David Ellefson (baixo) e Nick Menza (bateria)
Terceiro disco seguido gravado com a mesma formação (façanha que nunca mais se repetiu), "Youthanasia" mantém a fórmula adotada em "Countdown to Extinction". A melancolia e a raiva se fazem presentes em alguns momentos e deixaram a receita mais "encorpada". É o meu preferido.
Faixa que eu mais gosto: "Addicted to Chaos"
"Cryptic Writings" (1997)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Marty Friedman (guitarra), David Ellefson (baixo) e Nick Menza (bateria)
Último registro assinado pela formação clássica, "Cryptic Writings" é pautado por uma sonoridade bastante acessível (e, em certos pontos, radiofônica). Um bom trabalho, que passa longe do thrash, mas ainda mantém a essência do Megadeth.
Faixa que eu mais gosto: "Trust"
"Risk" (1999)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Marty Friedman (guitarra), David Ellefson (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria)
Chegamos ao "Load do Megadeth". "Risk" abraça com força o rock alternativo, o que desagradou uma parcela dos fãs. Alvo recorrente de críticas, o álbum tem seus bons momentos. Eu, particularmente, gosto muito (mas entendo quem não curte).
Faixa que eu mais gosto: "Breadline"
"The World Needs a Hero" (2001)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Al Pitrelli (guitarra), David Ellefson (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria)
Após a repercussão negativa de "Risk", Mustaine tentou retornar ao metal com "The World Needs a Hero". Trata-se de um álbum honesto e interessante, que cumpriu bem seu papel.
Faixa que eu mais gosto: "Disconnect"
"The System Has Failed" (2004)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Chris Poland (guitarra), Jimmie Lee Sloas (baixo) e Vinnie Colaiuta (bateria)
Depois de uma pausa que durou dois anos, Dave Mustaine voltou com sangue nos olhos. Auxiliado por músicos de estúdio, ele gravou uma obra que reafirmou o poder do Megadeth. Thrash/heavy dos bons, feito por quem entende muito do assunto.
Faixa que eu mais gosto: "Tears in a Vial"
"United Abominations" (2007)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Glen Drover (guitarra), James LoMenzo (baixo) e Shawn Drover (bateria)
Levei muitos anos até conseguir compreender "United Abominations". A exemplo do que aconteceu entre "Peace Sells…" e "So Far…", aqui o nível dá uma caída. Está entre os álbuns que menos gosto, mas, ainda assim, aprecio a faixa-título e "Washington Is Next!". Talvez, se tivesse três ou quatro músicas a menos, seria menos cansativo.
Faixa que eu mais gosto: "United Abominations"
"Endgame" (2009)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Chris Broderick (guitarra), James LoMenzo (baixo) e Shawn Drover (bateria)
Considero "Endgame" um dos trabalhos mais consistentes da carreira do quarteto. Riffs marcantes, solos velozes e melodias cativantes pautam uma obra que mescla tudo o que o Megadeth fez de melhor ao longo de sua trajetória. Excelente.
Faixa que eu mais gosto: "The Right to Go Insane"
"Th1rt3en" (2011)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Chris Broderick (guitarra), David Ellefson (baixo) e Shawn Drover (bateria)
Um tanto quanto irregular, "Th1rt3en" fica "no meio da tabela". Não é uma desgraça completa, mas empolga tanto quanto um jogo entre times chilenos válido pelas fases iniciais da Copa Sul-Americana.
Faixa que eu mais gosto: "Public Enemy No. 1"
"Super Collider" (2013)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Chris Broderick (guitarra), David Ellefson (baixo) e Shawn Drover (bateria)
"Super Collider" representa mais uma guinada no som do Megadeth, que, em 2013, já acumulava três décadas de história. Novamente, Mustaine colocou o pé no freio, mas, ao contrário do que fez em "Risk", não deixou o metal de lado. Instável, na falta de um termo melhor.
Faixa que eu mais gosto: "Forget to Remember"
"Dystopia" (2016)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Kiko Loureiro (guitarra), David Ellefson (baixo) e Chris Adler (bateria)
Elogiado tanto pela crítica quanto pelo público, "Dystopia" é pesado, coeso e muito bem produzido, mas nunca conseguiu me conquistar completamente. Reconheço suas qualidades, mas o encaro como uma obra "mecânica" demais, que carece de emoção.
Faixa que eu mais gosto: "Poisonous Shadows"
"The Sick... The Dying... And the Dead!" (2022)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Kiko Loureiro (guitarra), Steve DiGiorgio (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria)
Na base da empolgação, já afirmei que esse é um dos melhores discos do Megadeth, mas hoje vejo o cenário de forma diferente. Ainda gosto muito de "The Sick... The Dying... And the Dead!", mas vejo algumas faixas, principalmente as situadas no meio do tracklist, como desnecessárias.
Faixa que eu mais gosto: "The Sick... The Dying... And the Dead!"
"Megadeth" (2026)
Gravado por: Dave Mustaine (guitarra/vocal), Teemu Mäntysaari (guitarra), James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria)
Uma despedida que alterna altos e baixos, mas está longe de ser ruim. Com "Megadeth", Mustaine encerra com dignidade sua obra, que ficou marcada para sempre na história do metal e influenciou inúmeros músicos e fãs.
Faixa que eu mais gosto: "The Last Note"
Agora que você chegou ao fim dessa maratona, é hora de curtir um som. A seleção abaixo reúne 65 músicas do Megadeth. Salve a playlist e divirta-se!
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