A curiosa e sincera opinião de Neil Peart sobre Ringo Starr
Por Bruce William
Postado em 08 de outubro de 2026
Neil Peart e Ringo Starr pertencem a escolas de bateria quase opostas. Enquanto o integrante dos Beatles ficou marcado por tocar a serviço da música, com economia e precisão, o baterista do Rush construiu uma carreira baseada em técnica, complexidade e busca constante por novos desafios. Não surpreende, portanto, que Peart nunca tenha colocado Ringo entre suas maiores referências.
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Em seu livro "Traveling Music", Peart contou que até gostava de algumas músicas dos Beatles quando era garoto, mas não foi tomado pela Beatlemania. Ele ouviu discos da banda, imitava o cabelo e as roupas como tantos outros jovens da época, mas reconheceu: "Eu não me lembro de querer ser Ringo."
A faísca que realmente o levou à bateria veio de outro lugar. Peart dizia que o impacto decisivo aconteceu ao assistir ao filme "The Gene Krupa Story", quando tinha 11 ou 12 anos. Foi Gene Krupa, e não Ringo, quem despertou nele a vontade de levar o instrumento a sério, relembra a Rock and Roll Garage.
Peart também fazia uma distinção clara entre tocar de forma simples por escolha e tocar de forma simples por limitação. Em sua visão, um músico tecnicamente completo podia optar pela economia, enquanto outro poderia soar simples apenas porque não sabia fazer mais do que aquilo. Esse tipo de raciocínio ajuda a entender por que seus heróis eram nomes como Krupa, Buddy Rich, John Bonham, Keith Moon e Michael Giles.
Ringo, portanto, não era exatamente alvo de desprezo. O que existia era uma diferença de filosofia. Peart buscava domínio técnico, expansão de vocabulário e solos elaborados; Starr ficou conhecido por privilegiar a canção e evitar exibições gratuitas. Anos depois, Peart ainda brincou com a velha discussão sobre quem teria tocado certas partes de bateria nos Beatles. Ao falar de "The End", chegou a insinuar que talvez Paul McCartney tivesse tocado a bateria, mas deixou claro em seguida que estava apenas fazendo uma piada.
No caso de Ringo, portanto, a opinião de Peart era menos um julgamento sobre qualidade e mais uma declaração de identidade musical. Ele não queria ser o baterista que fazia o mínimo necessário. Desde cedo, queria explorar até onde o instrumento podia levá-lo.
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