O guitarrista brasileiro que compôs frevo inspirado em Yngwie Malmsteen
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de outubro de 2026
Referência da guitarra no frevo, o baiano radicado no Recife Luciano Magno esteve no programa de Rafael Bittencourt no canal Amplifica e falou da renovação do gênero. Contou que hoje vê jovens de diversos instrumentos tocando suas composições. Entre elas está "Frevo Mágico", que ele tocou no estúdio e cuja origem revelou em seguida. A inspiração não veio das orquestras de Pernambuco, mas de um guitarrista sueco famoso pelo virtuosismo neoclássico.
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Rafael, guitarrista do Angra, reagiu à execução chamando a peça de "bem guitarrística". Segundo ele, aquele tipo de movimentação melódica fascina quem toca o instrumento. Luciano explicou que a composição carrega influência europeia e um pouco de música erudita, sobretudo no uso da nota pedal, recurso em que uma nota se repete enquanto a melodia se move ao redor dela. Depois disse, sem rodeio, em quem estava pensando quando escreveu.
"Eu fiz pensando no Malmsteen, que eu gostava para caramba. Adorava aquele cara com cabelão tocando a menor harmônica, os diminutos, aquela coisa. Eu disse: 'Poxa, eu queria fazer um frevo assim'. E aí me veio uma brincadeira em mente, e era para um festival de frevos, que é super importante para a manutenção e a geração de novos compositores."
O guitarrista também ligou "Frevo Mágico" à tradição local e citou Nelson Ferreira, um dos grandes nomes do frevo, como referência para a linha melódica. Nos festivais do Recife, Luciano teve seis ou sete composições classificadas ao longo dos anos, algumas delas vencedoras. A adaptação desse repertório ao braço da guitarra, porém, foi um processo lento. Ele contou que começou tocando frevos ainda criança numa guitarrinha baiana, instrumento parecido com o bandolim e de afinação diferente, e só mais tarde lapidou a técnica.
A virada veio com o estudo de palhetada alternada e sweep picking, com um nome bem conhecido do público do shred como guia. "Depois que fui estudar o sweep picking e outras técnicas, comecei a tocar mais leve. Aquele método do Frank Gambale foi importante também para caramba", lembrou Luciano. Ele também passou a tocar os mesmos temas em outras regiões do braço e em outras tonalidades, porque na prática os músicos nem sempre tocam no tom original.
A conversa reforçou a fama de dificuldade do frevo. Rafael afirmou que um guitarrista intermediário não dá conta do gênero, e Luciano concordou com ressalvas. "É difícil. Além da velocidade, tem o aspecto harmônico. A mudança de acordes é muito rápida. E o principal é a acentuação. É isso que às vezes dificulta um pouco para quem não está vivenciando aquilo ali", explicou.
Confira o vídeo completo abaixo.
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