O disco que vendeu uma barbaridade e ficou conhecido como o álbum que matou o Britpop
Por Bruce William
Postado em 15 de setembro de 2026
Poucos discos chegaram às lojas cercados por tanta expectativa quanto "Be Here Now". Em agosto de 1997, o Oasis vinha de "Definitely Maybe" e "(What's the Story) Morning Glory?", dois álbuns que haviam transformado Noel e Liam Gallagher nos grandes rostos do Britpop. Tudo indicava que o terceiro trabalho ampliaria ainda mais o domínio da banda.
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No começo, pareceu exatamente isso. O álbum vendeu em ritmo absurdo no Reino Unido e foi recebido de maneira bastante positiva por boa parte da imprensa. Só que a lua de mel durou pouco. Com o passar dos meses, as músicas longas, a produção esmagada por camadas de guitarra e o clima de excesso passaram a ser vistos como sintomas de uma banda que havia exagerado em praticamente tudo, destaca a Pitchfork.
Noel Gallagher posteriormente foi muito menos gentil com o próprio trabalho. "É o som de um bando de caras no estúdio, cheirados de cocaína e sem dar a mínima", resumiu no documentário "Live Forever". Em outra entrevista, admitiu que o grupo simplesmente deveria ter parado depois da longa turnê de "Morning Glory", em vez de entrar imediatamente em estúdio para tentar superar um disco que ainda nem havia terminado seu ciclo.
A cocaína virou parte inseparável da lenda de "Be Here Now". Anos depois, Noel descreveu para a SPIN aquele período dizendo que a banda era movida por juventude e droga, cercada por pessoas que diziam que tudo era maravilhoso. A lógica era simples: tudo precisava ser maior, mais alto e mais grandioso que antes.
O problema é que o mundo ao redor também estava mudando. Poucos meses antes, o Radiohead havia lançado "OK Computer", enquanto Blur abandonava boa parte da fórmula que havia ajudado a construir o próprio Britpop. Logo viriam "Urban Hymns", do The Verve, e uma sequência de discos mais escuros e introspectivos. De repente, o hedonismo e a fanfarronice que haviam definido boa parte da primeira metade da década começavam a parecer cansados.
Por isso "Be Here Now" acabou ganhando, retrospectivamente, a fama de "álbum que matou o Britpop". É uma simplificação conveniente - movimentos musicais dificilmente morrem por causa de um único disco, mas a imagem pegou porque o Oasis estava no centro daquele universo. Quando a maior banda do movimento apareceu inchada, esgotada e sem saber quando parar, pareceu que a festa inteira havia acordado de ressaca.
O próprio Noel talvez tenha resumido melhor o problema anos depois: eles deveriam ter ido embora por algum tempo. Em vez disso, entraram no estúdio tentando fazer algo ainda maior quando já estavam no limite. E "Be Here Now" acabou eternizado não apenas como o terceiro disco do Oasis, mas como o momento em que o excesso do Britpop começou a cobrar a conta.
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