A música dos Doors que consolidou o sintetizador Moog no rock
Por Bruce William
Postado em 12 de outubro de 2026
Hoje os sintetizadores fazem parte da paisagem normal do rock, mas em 1967 o Moog ainda era praticamente uma criatura de laboratório. Um dos grupos que ajudaram a levá-lo para dentro de um grande álbum foi o Doors, durante as gravações de "Strange Days", conta a Far Out.
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A faixa-título do segundo disco da banda recebeu um tratamento incomum na voz de Jim Morrison. O engenheiro Bruce Botnick contou que a equipe criou um sistema no qual o vocal era alimentado no Moog, permitindo que notas tocadas no teclado processassem a voz em tempo real. Depois, ele acrescentou delay e repetição de fita.
O equipamento chegou ao estúdio por meio de Paul Beaver, um dos primeiros especialistas no instrumento. Ele e Bernie Krause haviam apresentado o Moog a vários músicos no Monterey Pop Festival, em junho de 1967, ajudando a despertar interesse entre artistas de rock e pop.
Ray Manzarek lembraria mais tarde para a Guitar World que aquela foi sua primeira experiência com sintetizadores. Segundo ele, Beaver aparecia com uma enorme quantidade de botões e controles, criando sons que às vezes nem conseguia reproduzir exatamente depois. Quando a banda ouvia algo interessante, precisava praticamente pará-lo e gravar na hora.
Em "Strange Days", o Moog não foi usado para criar uma melodia convencional de teclado, mas como ferramenta para transformar a voz de Morrison. A Bob Moog Foundation cita o álbum como a primeira aparição do Moog modular em um grande disco de rock, anterior à popularização do instrumento em trabalhos de grupos como Monkees, Beatles e vários nomes dos anos 1970.
O álbum também refletia uma vontade maior do Doors de experimentar em estúdio. Gravado com equipamento de oito canais, permitiu muito mais manipulação sonora do que o primeiro disco, abrindo espaço para efeitos, instrumentos incomuns e técnicas que ainda eram novidade no rock.
"Strange Days" não transformou o Moog sozinho em instrumento popular, mas ajudou a colocá-lo diante de um público muito maior. Poucos anos depois, sintetizadores já estariam espalhados por discos de rock progressivo, psicodelia e pop. Em 1967, porém, ouvir a voz de Jim Morrison passando por aquela máquina ainda soava como algo vindo do futuro.
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