Fabio Massari: livro retrata a cena musical da Islândia

Resenha - Rumo à estação Islândia - Fabio Massari

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Por Genilson Alves
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A última vez que a Islândia virou notícia foi no auge da crise financeira que vem abalando a economia mundial desde 2008 – e que quase levou a ilha nórdica à falência. Antes disso, o território de apenas 320 mil habitantes, cujo principal feriado é o Dia da Cerveja (em virtude da liberação da bebida, ocorrida, pasmem, em 1989!), era mais conhecido como berço da cantora e atriz Bjork.
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Fabio Massari: o reverendo, sabe-tudo do rock, descobridor dos bons sons e uma das maiores autoridades do mundo quando o assunto é Frank Zappa. Dono de um vasto acervo fonográfico, tem na coleção um departamento dedicado exclusivamente à cena musical da “terra do gelo”, retratada neste “Rumo à Estação Islândia” (Conrad), lançado em 2001. O título faz um trocadilho com “Rumo à Estação Finlândia”, obra do escritor estadunidense Edmund Wilson.

A partir de anotações feitas durante sua segunda visita ao país, realizada em 1999, Massari comenta, em ordem cronológica, algumas das principais produções islandesas – das primeiras bandas beat dos anos 1960 até criações eletrônicas da quase virada de século –, além de ouvir personagens envolvidos na trama de alguns desses trabalhos. O jornalista também conversa com outras figuras locais, como poetas, editores de publicações musicais e, claro, donos de lojas de discos.

Por falar em discos, a maioria dos artistas perfilados na obra é desconhecida fora da Islândia; compreensível, já que boa parte optou por cantar na indecifrável língua nativa. Algumas formações, principalmente oriundas das décadas de 60 e 70, gozam de reputação modesta até mesmo dentro de casa, e muito se deve ao fato de seus registros (obviamente, lançados em vinil) estarem fora de catálogo (não muito diferente do que rola por aqui), sendo alvo da cobiça de colecionadores de todos os cantos – entre eles, o próprio Massari.

Se por um lado nomes que parecem saídos de uma sopa de letrinhas, como Kukl e Trúbrot, não conseguiram projeção além-mar, há também exceções, e o autor teria a oportunidade de entrevistar um emergente Sigur Rós (“provavelmente uma de nossas primeiras entrevistas internacionais”, segundo os próprios integrantes), que se consagrou mundialmente sem abrir mão do idioma pátrio; e um dos membros fundadores do Sugar Cubes, banda que, nos anos 80, abriu de vez as portas da Islândia para o exterior e ainda revelou a estrela maior do país, Bjork.

Por fim, não tem como tratar desse livro sem falar da abordagem única de Fabio Massari. Dono de um estilo inconfundível, ao ler suas histórias é impossível não lembrar os tempos em que era apresentador dos programas “Lado B”, “Clássicos”, “Manifesto” e “Mondo Massari”, todos exibidos na hoje moribunda MTV Brasil. Felizmente, o reverendo continua aí, prestando bons serviços à música.

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Sobre Genilson Alves

Genilson Alves é jornalista e autor do blog Radio Sehnsucht.

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