Joy Divison e New Order: biografia esbarra na pretensão

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Por Genilson Alves
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Lançado em 2006 pela Landy Editora, “Joy Division/New Order – Nada é mera coincidência”, de Helena Uehara, tenta não ser uma simples biografia de duas das mais influentes bandas dos últimos 30 anos, e a proposta é parcialmente bem-sucedida. A obra se aprofunda na investigação histórica e traça alguns paralelos interessantes, porém a abordagem musical acaba sendo prejudicada pela superficialidade.
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Dividido em três capítulos, o livro começa do fim – pelo menos o fim do Joy Division, após o suicídio do vocalista Ian Curtis, em 1980. A autora, ciente de que praticamente tudo já fora publicado sobre a banda, apresenta a curta trajetória do grupo a partir da análise de algumas das letras mais emblemáticas escritas por Curtis, como “No Love Lost”, “Atmosphere” e “In A Lonely Place”, essa última não gravada pelo cantor, vindo a aparecer como lado B do single “Ceremony”, primeiro registro do New Order (se alguém ainda não sabe, a banda formada pelos remanescentes do Joy Division). De qualquer forma, é estranho não haver comentários sobre nenhum álbum.

Aparentemente, a maior preocupação aqui era poder retratar a história do Joy Division e do New Order dentro de uma ótica socioeconômica e cultural, a fim de contextualizar e relacionar fatos protagonizados pelas duas formações, e é disso que trata a segunda parte do livro. Temos então uma recapitulação do fenômeno punk, desde sua origem nos Estados Unidos no final dos anos 1960, passando pela explosão do movimento numa Inglaterra em crise na década seguinte, até o advento do pós-punk. Globalização, Era da Informação e Cibercultura são os outros temas abordados.

O último capítulo é dedicado, obviamente, ao New Order. Mais uma vez, a autora mantém o foco na análise das letras, que, inevitavelmente, são comparadas ao lirismo do Joy Division. A influência da música eletrônica (principalmente do Kraftwerk) no direcionamento do conjunto ganha destaque, e até uma linha do tempo sobre o gênero foi feita. As duas primeiras passagens do New Order pelo Brasil e os projetos paralelos dos integrantes também são lembrados, mas sem maior profundidade.

No fim das contas, não sabemos muito bem a que veio o livro. Falta objetividade e alguns erros graves – como chamar (duas vezes!) o baixista Peter Hook de baterista – comprometem uma leitura até interessante em alguns momentos. Talvez um pouco menos de pretensão e uma pesquisa musical mais acurada – a bibliografia é bem pobre – pudessem resultar num produto melhor acabado. Mesmo assim, vale uma conferida, até porque há pouquíssimo material editado em português sobre as duas bandas.

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Sobre Genilson Alves

Genilson Alves é jornalista e autor do blog Radio Sehnsucht.

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