Carol Morreu - Roubando público do D2

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Por Felipe Ricotta
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"Como foi o show?"

"Foda como sempre. Já ouviu ele emendando Sweet Jane do Velvet com Lugar do Caralho? Impagável."

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"Sweet Jane em fusão com Um Lugar do Caralho?'

"ahahah cara, ele fazia o ré depois o sol e falava SUI JAIN 3 vezes e depois voltava pra Lugar do Caralho."

"hahaha! Que beleza!"

(...)

Cara, é tão ruim ouvir Starman do Bowie e, quase como se rolasse um reflexo auditivo do pensamento por causa do excesso de repetições da versão em português tosca que você ouvia sem parar na sua infância, perceber que a voz do Thedy Corrêa ficou presa à canção original no teu inconsciente pra sempre, meu deus, acabar sempre lembrando do Nenhum de Nós? Que merda, deviam prender esses caras por desacato ao inconsciente coletivo das pessoas de bom gosto.


D2. Circo Voador. Rio.
Wander Wildner. Teatro Odisséia. Rio.

O pessoal do Circo Voador não me dá mais credenciais de imprensa (aliás, é o único lugar do Rio de Janeiro que eu não consigo entrar pra escrever minhas ricottas) então o mínimo que eu posso fazer é tentar boicotá-los me utilizando do meu poder midiático.


Enfim, minha missão da noite era tentar convencer o máximo possível de pessoas na porta do Circo a não entrarem no show do D2 e irem pro show do Wander Wildner.

Nada contra o D2, lógico. Mas convenhamos... ele já tem fãs demais por aí e o lance é dividir a renda.

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Além disso, acho que todo artista que vai pro Faustão e faz propaganda de celular deveria ceder 10% da tua bufunfa artística em prol do underground de onde ele saiu um dia, é o mínimo. Pagar dízimo pra Igreja Universal do Underground Carioca Falido.

"Mas que tipo de entrevista é essa?" - uma delas me perguntou.

"Olha, na verdade eu não sou jornalista, eu sou escritor..." - e rockstar também, só que ninguém sabe ainda - "...e eu quero tirar algumas pessoas daqui do Circo que vai estar muito cheio mesmo e levar elas pro show do Wander Wildner aqui do lado que vai ser muito mais legal."

"Aqui do lado aonde?"

"No Teatro Odisséia, ali em frente ao posto."

"Mas Wander Wildner? Quê que é isso?"

"É um cara muito foda. Sabe aquela música do Ira BEBENDO VINHO?"

"Ele é compositor?"

"É, ele tem vários clássicos como EU TENHO UMA CAMISETA ESCRITO EU TE AMO, A EMPREGADA..." - que não é dele, é da Graforréia Xilarmônica, mas não vinha ao caso ficar explicando isso pra elas aquela hora. Até porque nada pior do que ficar pagando de historiador musical pra pessoas com gosto musical duvidoso. Como assim ela não conhece o Wander?

"Mas ele é da época do Ira?"

"Ele era do Replicantes, cara. Mas agora ele tem uma carreira solo e tal."

Foi quando me utilizei do golpe baixo : eu citei a GIGANTE MÃO DO MAINSTREAM.

"Ele acabou de gravar um Acústico MTV."

"Ahhhh maneiro."

Ela começou a demonstrar um interesse maior.

"O show vai ser hoje?"

"Vai, aparece lá."

"O problema é que eu tô com amigdalite, eu não devia nem estar aqui."

"Ok. Tá, mas pelo menos vocês não vão entrar no D2, né?"

(...)

O cambista chegou intimando primeiro berrando INGRESSO EU COMPRO! e depois mais na dichava TEM INGRESSO? TEM INGRESSO?

Afinal, como será que funciona o esquema dos cambistas? Os caras tão sempre comprando ingressos, vendendo ingressos, mas eu nunca entendi bem como é que eles lucram com isso. Independente da matemática louca que eu não consigo captar, se é pra dar preju pro Circo, eu apoio a classe - pelo menos até a Julia voltar a me dar credenciais...eheheh. Dichavei ao máximo o gravadorzinho e quase como um Tim Lopes Reencarnado, fiz a entrevista Pauta Arriscada Fantástico Style e embarquei na aventura de tentar desvendar o estranho mundo do Cambismo. Queria ter umas camerazinhas ocultas daquelas nessas horas.

"Aí, irmão. Tu tem ingresso pro show do Wander Wildner?"

"Tem não."

"Só tem pro D2? Aí, posso te mandar a real? O show do Wander Wildner vai ser muito mais legal, vai dar uma galera muito mais responsa (gíria de malandro, baby. gíria de malandro), aparece lá na porta, bem provável que acabe os ingressos, é ali no Odisséia."

"Legal." - o cara agradeceu o toque.

(...)

Um dos meus assistentes da noite deu a toque pr'eu entrevistar uns malucos mas já cortei logo CARA, NÃO FICA ME EXPONDO À COMENTÁRIOS MASCULINOS NÃO, POR FAVOR.

O Wander é um cara romântico.

Já que é pra tirar público do D2 e levar pro Odisséia, vamo levar mulheres que são mais sensíveis - e mais cheirosas.

"Quem?"

"Wander Wildner. Já ouviu falar?"

As duas disseram não.

"É um cara muito legal, ele faz umas canções de amor. Ele é tipo um ROBERTO CARLOS da nossa geração, só que mais rockenrou. Tem até uma música dele que o Ira gravou, tocava na rádio um tempo atrás (tocava?)..."

"Olha, eu não escuto rádio faz décadas."

"Boa. Você faz bem."

Expliquei pra elas a minha missão e fui questionado sobre meu sucesso em realizá-la.

"Olha, eu acho que eu consigo convencer algumas pessoas sim."

"Eu acho meio dífícil."

(...)

"Você é fã do D2?"

"Não."

"Então por que você vai entrar no show dele?"

"Porque a gente não tinha nada pra fazer e veio."

"Se eu te falar que vai ter um show muito mais legal ali do lado..."

"Eu tô sabendo... Loud, né?"

"É, show do Wander Wildner."

"Eu conheço."

"Sério? Diz uma música dele."

"Matador de Passarinho."

"Pô, esse aí é o Rogério Skylab..." - burrona, hein? - "...mas vocês não acham que o show do Wander vai ser mais legal que o do D2?"

"Não, acho que não. Aí já é apelar, né?"

"Ué, por que você falou isso? Só porque o D2 foi no Faustão e o Wander não?"

"Não, não é isso. Eu acho que o D2 tem mais público."

"Mas por que? Por que ele foi no Faustão?"

"Não, Faust..."

"Você acha que ir no Faustão não faz a menor diferença pra populariedade do artista?"

"Eu nem vejo Faustão! É domingo à tarde... pro povão talvez mas pra mim não."

"O que é povão pra você?"

"São as pessoas que só tem acesso à TV aberta."

"Saquei. E vem cá, você acha que se o povão tivesse TV à cabo, o povão não ia ser tão povão assim?"

"Não, isso não tem nada a ver. Eu tô falando de cultura mesmo, tem diferença."

"Entendi."

(...)

"Olha, o Wander foi um cara que mudou minha vida. E eu acho que ele pode mudar a vida de vocês também. Eu acho que ele pode tocar o coração de vocês. Ele tem uma música chamada EU TENHO UMA CAMISETA ESCRITA EU TE AMO. Porra, isso é muito bonito. Quantas camisetas escritas EU TE AMO você viu aqui hoje na porta do Circo Voador?"

"Nenhuma."

"Lá vão ter várias."

"E qual o propósito de todo mundo com uma camiseta dessas?"

"Você quer clima mais legal que esse?" - é quase uma Suruba Light Sentimental, baby. Todo mundo querendo se amar e tal.

(...)

"Algum show do D2 já mudou a sua vida? Te fez voltar pra casa com um sorriso de orelha a orelha?"

"Não."

"Algum show já fez isso contigo? Já teve esse efeito?"

"Já."

"Qual?"

"Recentemente, o Chemical."

"Chemical Brothers?"

"Chemical Festival. Chemical Music Festival."

"Olha, o show do Wander ali no Odisséia..." - definitivamente, não ia adiantar nada - "...vai ser bem..." - mas mesmo assim, eu tentei. olhei pra ela meio desanimado - "...melhor que o..." - quase desistindo da minha missão - "...show do D2, sabia?"

"Ah tá." - ela me ignorou por completo, acho até que nem ouviu o que eu falei.

Às vezes eu me pego perdendo um pouco do tesão no underground.

Às vezes acho que vale muito mais a pena ficar dando beliscões do lado de dentro da festa da escória humana do que ficar do lado de fora só jogando pedras o tempo todo e achando tudo uma merda.

Mas isso é tudo papo furado, amanhã eu acordo e começa tudo de novo.

Já se ligou que as pessoas mais fodas do universo vêm pra porra do mundo só pra se fuder mesmo?

"Eu tenho uma teoria. Os indivíduos se dividem em duas categorias: os ordinários e os extra-ordinários. Os ordinários são pessoas corretas que vivem na obediência e gostam de ser obedientes. Já os extra-ordinários são os que criam alguma coisa nova, todos os que infrigem a velha lei, os destruidores. Os primeiros conservam o mundo como ele é. Os outros movem o mundo para um objetivo mesmo que pra isso..."

* Felipe Ricotta é vocal e guitarra do Carol Azevedo e um laticínio extra-ordinário.


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Sobre Felipe Ricotta

Felipe Ricotta, 24, é vocal e guitarra do Carol Azevedo.

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