Burzum: a importância de bandas como o Morbid Angel

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Por Emanuel Seagal, Fonte: Burzum.org, Tradução
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Confira alguns trechos de uma entrevista do BURZUM publicada no website oficial da banda, concedida originalmente à revista Guitar World em abril deste ano.

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Guitar World: O que te inspirou a começar a tocar guitarra, e que tipo de guitarra era?

Varg Vikernes: "Era uma Westone branca perolada (guitarra japonesa dos anos oitenta), mas é tudo que lembro. Após algumas pesquisas no Google só encontrei uma guitarra Westone que parecia com a minha, e foi a Spectrum LX (X198) Pearl Burst. Mas nem sei se é aquela. A minha era meio barata; comprei do irmão mais velho de um colega de escola em 1987 e paguei apenas 3.500 coroas norueguesas (cerca de 550 dólares na época). Eu nunca tive problemas com ela, mesmo nunca tendo a tratado com o respeito que ela merecia. A usei para todas minhas gravações de guitarra até o 'Filosofem'. Eu ainda a usaria hoje se ela não tivesse sido roubada em 2003.

Não sei se lembro exatamente a razão de começar a tocar. Eu acho que foi porque meu irmão comprou uma guitarra do mesmo cara, e ele perguntou se eu queria comprar uma também. Não era muito cara, e eu tinha o dinheiro, então por quê não? Eu não estava muito entusiasmado com isso no início, mas isso aumentou em mim, e após algum tempo eu toquei mais do que deveria, sendo um garoto na escola e tal".

Guitar World: Quais foram algumas das suas inspirações quando começou?

Varg Vikernes: "Eu apenas ouvia música clássica até meus doze anos, idade na qual descobrí Iron Maiden. Então, após algum tempo descobrí que haviam outras bandas por aí também. Eu comecei a ouvir Kreator antigo, 'Endless Pain' e 'Pleasure to Kill'; 'Morbid Tales' do Celtic Frost; 'Blood Fire Death' do Bathory; e 'Infernal Overkill' do Destruction. Também ouvia Megadeth. Nenhum dos meus amigos gostavam deste tipo de música, com exceção de um - que diferente de mim - gostava de AC/DC e outro que - também, diferente de mim - gostava de Metallica".

Guitar World: O quanto Quorthon (criador do Bathory) foi uma influência pra você? Há definitivamente algumas semelhanças entre os estilos musicais, além de ambos serem bandas de um homem só.

Varg Vikernes: "Sobre o Bathory, eu apenas ouví o 'Blood Fire Death' (de 1988) até que eu descobri, e gostei muito, do 'Hammerheart' (de 1990). Mais tarde eu comecei a ouvir seus trabalhos mais antigos - e certamente mais pobres - também. Bathory foi uma grande influência pra mim em 1991-1992, mas (o Burzum) ser uma banda de um homem só não foi uma influência do Quorthon. Na verdade em 1991 eu nem sabia que o Bathory era banda de apenas um homem. Na verdade ter apenas uma pessoa foi resultado de eu ser, bem, egotista. Eu quero que tudo seja feito do meu jeito, ou de jeito nenhum".

Guitar World: Esta atitude se desenvolveu devido às suas experiências tocando no Old Funeral (Vikernes era guitarrista da banda em 1991)?

Varg Vikernes: "No Old Funeral eu era apenas um guitarrista na banda de outra pessoa. Eu não podia decidir tudo, e eles tinham começado a seguir numa direção que eu não gostei. Então eu deixei a banda e voltei para meu antigo projeto thrash metal chamado Uruk-Hai. Naquele momento os outros músicos do Uruk-Hai, o baterista Freddy Steimler, o vocalista Jo e o baixista - não me lembro seu primeiro nome - estavam ocupados, então decidí simplesmente fazer tudo sozinho e logo após mudei o nome para Burzum".

Guitar World: Você foi influenciado por bandas ou guitarristas de fora do metal?

Varg Vikernes: "Um dos álbums que eu mais gostei é chamado 'Withing the Realm of a Dying Sun', de uma banda (de darkwave) chamada Dead Can Dance. Eu o ouvi pela primeira vez em 1992 e ouvia com certa frequência. Eu não aprecio muito seus outros álbuns, mas este é excelente. Outro álbum que gostei por muito tempo é 'Die Propheten' de uma banda alemã chamada Das Ich. Álbum fantástico, apesar de eu ter que dizer que também não aprecio muito seus outros álbuns. De modo geral, não sou um 'fã de banda', ao invés disso gosto de álbuns ou faixas individualmente.

Minha maior influência na música, metal incluso, é a música de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, especialmente 'O Lago dos Cisnes' e 'O Quebra-Nozes', e outras músicas clássicas. Eu também gosto de algo de house music underground de 'rótulo branco' (discos de artistas independentes ou anônimos que eventualmente são gravados com rótulos em branco), música tradicional russa e medieval européia e música da antiguidade. Se eu tivesse alguns 'lurs' da idade do Bronze (trompete em formato de S datado da Idade do Bronze), eu os usaria como instrumentos no próximo álbum do Burzum".

Guitar World: Falando em instrumentação, você criou um timbre de guitarra bastante distinto nos primeiros álbuns do Burzum, como "Burzum" e "Det Som Engang Var". O quanto este som de baixa fidelidade foi uma decisão calculada, e o quanto isso tem a ver com a qualidade de equipamento que você tinha acesso naquela época?

Varg Vikernes: "Eu intencionalmente utilizei um amplificador de qualidade pobre para o primeiro álbum, para que eu pudesse ter um som o mais diferente possível do que estava na 'moda' naquela época. Para uma das guitarras eu utilizei um pequeno amplificador Marshall de 10 watts. Em retrospecto foi uma terrível combinação com a outra faixa de guitarra, na qual eu utilizei um apropriado amplificador Peavey de 60 watts. Foi okay, mas não era exatamente o som que eu queria. Então quando gravei 'Det Som Engang Var' um mês depois, eu utilizei um Peavey de 60 watts para ambas guitarras. O som no 'Det Som Engang Var' foi exatamente o que eu estava procurando naquela época".

Guitar World: Estou certo em dizer que o som popular que você reagiu contra era o death metal progressivo do Death, que enfatizava o domínio da técnica e a complexidade do som?

Varg Vikernes: "Eu queria mostrar que você não precisava ter um som como o Death ou Morbid Angel, as bandas líderes do metal extremo naquela época. Se você não pode criar seu próprio som e apenas tenta soar como bandas populares, qual é o ponto em fazer música? Nós realmente precisamos de centenas de bandas como o Morbid Angel, mesmo que algumas delas possam soar melhores que o original? Minha solução foi fazer algo anti-moda visto que era minha escolha baseada no meu próprio gosto musical. Talvez não tenha sido a melhor solução, mas funcionou... até certo ponto de qualquer forma.

Então, em 1992, os seguidores originais do Death e Morbid Angel na cena norueguesa do death metal começaram a copiar o estilo do Mayhem, Darkthrone e Burzum, e uma nova moda nasceu: o chamado black metal norueguês. Eles mudaram os nomes das bandas para evitarem serem identificados como bandas originalmente death metal, e a razão original do black metal foi perdida".



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Sobre Emanuel Seagal

Descobriu o metal com clássicos como Iron Maiden e Black Sabbath. Hoje em dia, entre outros gêneros musicais, e sem se limitar a rótulos, ouve principalmente doom, viking e folk metal. Sempre que possível está em busca de novas bandas que tenham algo a transmitir alem de clichês, e mesmo em meio a tantas novidades não dispensa pérolas como o bom e velho Candlemass. Acompanha o Whiplash! desde os primórdios, tendo iniciado sua vida de internauta no mesmo ano de criação do site (1996). Há algum tempo está envolvido com metal, seja trabalhando com eventos, bandas, gravadoras ou imprensa, na tentativa de contribuir de alguma forma para o crescimento desse que é um dos segmentos mais apaixonantes da música, o metal.

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