Varg Vikernes: "Sou muito mais assustador na vida real..."

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Varg Vikerne's Official Web, Tradução
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Não faz um ano desde que Varg Vikernes foi solto da prisão e ele já lançou um novo álbum do BURZUM. Esse homem estava lá quando o Black Metal, na forma como o conhecemos, tomou forma. Varg gentilmente concordou em dar uma entrevista exclusiva para o site MetsalScript.net, na qual ele respondeu perguntas sobre arte e sua relação com o mundo e, em particular, sobre seu ultimo álbum, “Belus”, lançado em 8 de março.

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NOTA: Varg é um assassino confesso, defensor da supremacia branca e possivelmente um incendiador de igrejas. As citações foram traduzidas da fonte citada e não expressam a opinião do site Whiplash! nem de nenhum outro senão a do próprio Varg Vikernes.

Varg Vikernes: “Sou muito mais assustador na vida real... porque eu sou – real”
MetalScript.net (24.02.2010), Lihajar

Família e Sociedade

Quando eu estive na Noruega, fiquei surpreso em saber que quase todo mundo sabe quem você é. Isso não contradiz a sua imagem de músico “underground”? Como você se sente sendo um dos noruegueses mais famosos?

Eu não acho que tenho essa imagem de músico underground. Eu tenho a imagem de um músico descompromissado e sou bem conhecido na Noruega em parte por causa disso. Ah, mas eu não sou muito famoso na Noruega. Acho que “infame” é a palavra que estamos procurando... e não penso muito sobre isso. Vivo uma vida isolada e raramente encontro outras pessoas.


Sei que você não é exatamente um fã da comunicação com as pessoas, mas acho que muita gente reconhece você nas ruas, não é mesmo? O que você normalmente faz nesses casos?

Meu nome é bem conhecido, mas minha imagem não é, porque a imagem apresentada ao público é muito distorcida e distante da realidade. Então não são muitos que me reconhecem na rua. Além disso, eu normalmente não ando pelas ruas. Eu vivo em minha fazenda na zona rural.

Há muitas diferenças entre a imagem do “assustador e cruel Count Grishnakh" da mídia e o Varg Vikernes real?

Sim. Eu sou muito mais assustador na vida real porque eu sou – diferentemente da imagem que muitos fazem de mim – real.

Qual você acha que é a principal razão da sua fama – sua carreira musical ou sua biografia escandalosa? O que você acha disso?

Grupos diferentes focam diferentes aspectos, então os cristãos me conhecem por minha hostilidade contra sua religião de origem judaica, os fãs de metal me conhecem por minha música, e assim por diante. Minha fama vem da minha música. Minha infâmia vem de outras coisas...

Qual é a reação normal da sociedade a você – positiva ou negativa? Você já esteve em situações de hostilidade sincera contra você?

Quase todos os indivíduos que eu encontrei foram bastante positivos desde o início ou tornaram-se bastante positivos depois de algum tempo e já não encontro qualquer hostilidade sincera há muito tempo. A maior parte fica surpresa em saber que não sou nem um pouco parecido com a versão que a mídia faz de mim e fico contente em dizer que todos eles ficam surpresos de maneira positiva. Eles esperam um completo psicopata, então acho isso natural.

Se você tivesse a chance de mudar algo na sua vida, você mudaria? Que conselho você daria ao “você” mais jovem?

Eu diria: “Não confie nos que se dizem seus amigos; eles vão te trair”. E foi o que fizeram.

Se o seu nome entrar para os livros de história escolares, que definição você gostaria de ver? O que você acha – alguém construirá um monumento a você depois da sua morte?

Na verdade, meu nome já apareceu em livros escolares noruegueses e eles me apresentam como um vilão satanista que queima igrejas. Mas o que mais eu poderia esperar deste governo podre? Não estou preocupado com minha fama póstuma. Monumentos não são bons para os mortos.

Música e Ideologia

Que tipo de fenômeno você acha que o Burzum é, em primeiro lugar – musical ou cultural? O principal objeto de sua criação é a música ou suas idéias?

Mas a música também não é cultura? Para mim, as idéias são mais importantes do que a música no nível intelectual, mas no nível emocional a música é mais importante.

Você sempre disse que não é nazista, mas sua música é popular entre os nazistas. Como você explica isso? O que você pode dizer sobre músicos que pensam que a ideologia política é o principal e a música é somente um instrumento para divulgar suas idéias?

As ideias nos álbuns do Burzum não são nazistas, mas acho que minha música é popular entre os nazistas porque eles também se sentem isolados e alienados em seus próprios países e porque eu também tenho idéias racistas, então temos muito em comum. A propósito, o Burzum também tem fãs israelenses, mas isso faz de mim um judeu? Eu também tenho fãs entre as mulheres, mas não sou uma delas, então isso não faz de mim uma mulher... Eu não sou meus fãs. Eu sou eu e penso que qualquer um tem o direito de gostar de qualquer coisa. Eu aprecio que os nazistas gostem de minha música tanto quanto aprecio que você também goste.

A maior parte das bandas que acham que a política é mais importante que a música faz música muito ruim.

Quando você começou a compor material para “Belus” – durante sua prisão ou após sua liertação?

Antes, durante e depois.

O que devemos esperar de "Belus" – o retorno ao Black Metal cru de trabalhos anteriores como "Det Som Engang Var" ou a continuação de seus últimos trabalhos de música ambiente, como"Hliðskjálf"?

Algo parecido com "Hvis Lyset Tar Oss" e "Filosofem", eu acho.


Por que você decidiu mudar a fonte do nome da banda e a tradicional arte de Kittelsen [N.: Theodor Kittelsen, artista norueguês]?

Bem, se você ainda não notou, digo que sempre lancei álbuns aos pares; nos dois primeiros, as capas foram desenhadas pelo mesmo artista. Os dois seguintes também. E os outros dois seguintes também. Somente duas foram feitas por Kittelsen. O resto por outros. A de “Belus” foi feita por mim e a próxima também será.

A fonte mudou porque simplesmente cansei da velha, mas você pode ler mais sobre isso em www.burzum.org, se quiser saber da história toda.

Em sua entrevista para seu website oficial, você disse “Além do mais, algumas coisas não têm data de validade, o que significa que são tão válidas hoje quanto eram há mil anos, quando foram criadas. Muitos de nossos mitos se encaixam nessa categoria, incluindo o mito de Belus/Baldr”. Explique por que você acha que esse mito é tão importante. Qual a sua intenção ao contar o mito de Belus para os ouvintes?

Ah, meu amigo bielo-russo, você não deve perguntar a um artista qual o significado de sua arte. Você é quem deve interpretar, caso haja interesse, ou apenas desfrutar, se você não se interessar pelo significado. Eu não empurrarei nenhum significado “real” pela sua garganta abaixo.

Qual o papel educativo da mitologia escandinava, em sua opinião? Dê-nos algum exemplo.

Ela nos ensina sobre nossa própria cultura, nossos ancestrais e suas crenças, e nos permite entender quem somos hoje, por que somos assim e como chegamos até aqui.

Você toca toda a música do Burzum. Você consegue tocar algum instrumento que não tenha sido usado nos álbuns? Você aprendeu a tocar sozinho ou alguém te ensinou?

Sou um autodidata. Bem, posso tocar alguns outros instrumentos também, mas muito mal. Sou um guitarrista em primeiro lugar.

O que você pode dizer sobre a cena Black Metal contemporânea e as novas tendências do Black Metal, como o “Post-Black Metal” da banda Solstafir, da Islândia, e o “Suicidal-Depressive Black Metal” das bandas suecas Shining e Silencer ou da americana Xashtur? O seu álbum “Filosofem” é considerado o primeiro álbum “Suicidal-Depressive Black Metal”. O que você tem a comentar sobre isso?

Não tenho muito a dizer. Não sei nada sobre isso. Não acompanhei de forma alguma a cena metal nos últimos 16 anos. Eu tinha outros interesses.

Em geral, o que você pensa que melhorou na música e o que piorou desde que você começou a tocar? Que tipo de música você gosta de ouvir? O que você está ouvindo agora?

Não sei o que melhorou ou piorou porque não prestei atenção alguma. Ainda ouço The Cure, Das Ich ("Die Propheten"), Dead Can Dance ("Within The Realm Of A Dying Sun"), Depeche Mode, Tchaikovsky ("O Lago dos Cisnes" e "O Quebra-Nozes" em particular) e outros tipos de música clássica, balalaika, velhas marchas alemãs e soviéticas, Lillebjørn Nilsen e New Order. Sou muito conservador em relação à música e costumo ficar só com o que já conheço e gosto.

Que músico poderia persuadir você a fazer um projeto musical comum?

Talvez a própria Madame Morte. Ninguém mais.

Se você quiser tocar outro tipo de música, ela será tocada como Burzum ou você criará outro projeto para isso? Você tem algum plano em relação à música?

Não, não tenho nenhum plano assim em relação à música, mas se eu tivesse eu o faria com outro nome.

Uma pergunta brincalhona. Seu “Belus” foi lançado em 8 de março. Na Bielo-Rússia e em outros países, esse dia é considerado o Dia da Mulher. Você gostaria que seu álbum fosse considerado um presente a todas suas fãs e suas parentas?

O 8 de março na Noruega é uma terrível celebração comunista, na qual as mais abomináveis e fanáticas extremistas femininas expressam sua auto-repugnância e seu ódio pelos homens em público, com discursos tolos e banners muito mal feitos, então eu apenas espero que meu álbum arruíne o dia delas... e não espero que nenhuma fã do Burzum participe desse zoológico esquerdista. Espero que elas sejam melhores do que isso.

Meu álbum é um presente a todos os fãs do Burzum e, é claro, às fãs em particular, a despeito da data de lançamento.

Autor: Lihajar (© 2010 Metalscript.net)

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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